Friaca
Esses últimos dias gelaram a alma. Não me lembro de ter vivido um frio tão intenso desde que me mudei pra Sampa oito anos atrás. Os termômetros marcaram oito graus (ou menos!) à noite. Nossa casa, "fresca" por natureza, virou uma geladeira. E Gutão dormiu três noites seguidas entre nós, literalmente. Não tive coragem de deixar meu amadinho dormindo sozinho em seu quarto gelado (o aquecedor, com a porta aberta, é paliativo...). Como sei que ele se mexe pra caramba e não há truque de prender cobertor que dê jeito, preferi dormir torta e esmagada outra vez a senti-lo de orelhinhas geladas no meio da noite. O Rô concordou e nós fizemos nosso "ninho" quentinho com o cobertor de "vaca" (um peludão que o Rô me deu de aniver no ano passado) e a forcinha do novo aquecedor a óleo. Sim, compramos esse depois da roubada de comprar um elétrico pela internet, ou seja, sem testar, e ver o troço parecer um holofote de tanta luz ao ser ligado. Micão!
As aulas de segundo semestre do Gutão recomeçaram ontem, mas filhote ficou em casa. Ficou ontem e hoje, na verdade. Ah, não, mandar criança pra rua com esse frio de doer os ossos é covardia. Aos três anos, se não há motivo nem urgência, não há agenda que seja mais importante do que o aconchego da casa da gente, né? Gutão faltou ao primeiro dia de aula sem culpa, nem minha nem dele. Aliás, ele adorou. Recebeu encomenda da bivó Vandelina ao acordar na segunda: uma caixinha com um ratinho de brinquedo, desses que a gente puxa o rabo e ele sai andando pela casa, e uma escavadeira. Amou, lógico. Tanto que quebrou o rabo do rato meia hora depois! A bivó mandou os brinquedos com uma cartinha lindinha. Dizia estar com saudades e contava que o nome do ratinho era Ulisses. Gutão cismou. Disse que não gosta desse nome. E escolheu outro pra batizar o novo amigo: "Rói". Bem apropriado! Depois dos presentes surpresa, filhote passou a manhã brincando na casa de um amiguinho do prédio, o Lucas, recém-chegado de viagem. E hoje foi o Lucas quem veio brincar aqui.
Fez tanto frio que, domingo, tivemos que ir no shopping de emergência pra comprar blusa de lã pro Gutão. Sorte é que a Chicco tava em promoção, tipo bota-fora de inverno, e eu achei o que procurava por um precinho camarada. Filhote perdeu muita roupa nos últimos meses. Usou bastante coisa tamanho 2, aproveitei até onde deu. Tem marcas, como Tyrol (que compro nas liquidações da vida), que usam modelagem grande e isso é ótimo, pois Gutão é um menino, digamos, "mignon". Mas agora não tá dando. Filhote tá crescendo e o guarda-roupa precisa acompanhar. Amanhã, aliás, preciso passar na fábrica que vende os uniformes da escola pra encomendar TUDO novo: moletom, calça, camisa manga longa, camiseta, short...Tá tudo pequeno, coitado. Tou prevendo a facada, mas não tem o que fazer. Prefiro assim: uma escola com uniforme -- melhor detoná-lo a usar as roupas "de casa" pra lambança.
Gutão já foi dormir. Tá debaixo do cobertor "de nuvem", fofinho e azulzinho, e enroscadinho na Pig. (A velha, que, pra 'não passar frio' tá toda enrolada em uma camisetinha que era dele quando bebê. A nova, filhote renegou. Hahahaha.) Eu tou indo deitar em seguida. O Rô foi jogar bola. O frio, parece, tá amenizando. Continua gelado, mas a alma vai reaquecendo. Semana passada, tive dias péssimos no trabalho. Tudo acontecendo ao mesmo tempo agora. Essa semana começou com mais alguns sustos. Mas hoje retomei minha fé e meu foco. Tenho aprendido, na marra, a ser resiliente e estou tentando entender os recados cifrados que a vida me dá. E a lição número um é: tudo tem seu tempo.
Nesse exato momento, é hora de descansar. Como Gutão gosta de me dizer antes de fechar os olhinhos, "boa noitinha".
posted by JULIANA DE MARI 11:20 PM
O mundo do Gutão
Gutão fala. Muito. E brinca. Muito. E cria histórias com contextos bem reais. É a nave que vai pra "Marte", é a moto que vai ultrapassar o sinal vermelho, é o bombeiro que vai salvar alguém. Não é dado a fantasiar por fantasiar, no sentido de criar histórias sem pé nem cabeça. As histórias dele têm "roteiro" bem construído, sabe? É curioso ver como a cabecinha dele funciona e é curioso também perceber que não há duas crianças (pra não dizer, duas pessoas) iguais no mundo. Tenho filhos de amigas que são o exato oposto do meu: o que curtem é criar histórias de cavaleiros, de castelos, de um mundo "paralelo". Gutão, não. Gutão é real. Reproduz o mundo real em suas brincadeiras. E brinca muuuuuuuito. E gosta de brincar falando. Conta o que vai fazer, quem vai encontrar, reproduz sons, troca de voz pra dar vez a seus bonequinhos, enche a casa com seus sons. Eu fico lá na cama, em meus dez minutinhos diários a mais antes de levantar pela manhã, e só ouço Gutão matraqueando. É meu momentinho de paz diário. Dou risada sozinha e já acordo um tantinho mais feliz.
Gutão fala. E diz cada uma que nos arranca risadas. Deu de usar umas expressões mui engraçadas pra reforçar seus argumentos. Do tipo: "além disso", "eu já disse que blablablá", "escuta uma coisa" e por aí vai. Também tá com fixação pelos números. Já os reconhece e pergunta, a toda hora, quanto é dois mais quatro, ou três mais cinco. Não no sentido de soma. Quer saber qual é o número que dá quando juntamos "três e um" junto, sabe? E aprendeu a contar até 20 agora. Só que, toda vez, enfia um 40 depois do 12, não tem jeito! hahaaaaaaa
Filhote também tem oscilado em relação ao humor. Tem dias que assume que está com a pá virada e diz: "Acordei mal humorado hoje". E aí, sai de perto porque o bichinho fica realmente um limãozinho de tão azedo. É coerente, esse meu filho. Diz o que sente e age de acordo com isso! Tem dias, por sua vez, que sai dizendo aos quatro ventos que acordou feliz. Aí, é aquela alegria. Um termômetro pra saber o quanto ele está bem ou mal humorado no dia é o tanto que ele fala quando ele acorda. Aliás, Gutão assumiu de vez que adora acordar cedo. Diz assim: "Eu adooooooro acordar cedíssimo". Putz, é no superlativo!! Tou ferrada! :) Falando sério, filhote tem uma energia impressionante. Seu novo slogan é: "Mamãe eu sou muito energioso". Acho que herdou do pai, só pode ser. Eu sou preguiçosa (no bom sentido, vejam bem!) assumida. E sou vespertina. Adoro minha cama, adoro dormir, não sinto culpa alguma de passar 10 horas no meu cantinho quentinho e não sinto mesmo necessidade de estar em movimento o tempo inteiro. Minha maior necessidade e minha maior atividade não é física, é mental. Mentalmente, não páro um só minuto. Penso, repenso, reflito, analiso, racionalizo. Mas não sinto necessidade de fazer isso andando, por exemplo! Posso fazer isso tranquilamente esparramada na minha cama! hahahaahaaaa
Estou desenvolvendo uma nova tese a respeito das noites maldormidas do meu filho: Gutão, de tanta energia que tem, não dorme direito. Não desliga. Reproduz no sono o que vivenciou durante o dia. Ou o que não vivenciou. Pode ser prepotência de mãe, mas acho que sente minha falta, sim, durante o dia e que manifesta isso durante a noite...Conversei bastante com a minha querida Rê Quintella (via messenger, porque pessoalmente nossas "agendas" andam complicadas) sobre isso, o caos "noturno". E ela me recomendou algumas ações que resolvi acatar. Anteontem dormi com filhote no quarto dele. Ele na cama dele, eu na bicama. Logicamente, Gutão amou a idéia. Tanto que não quis ficar na cama dele. Quis dormir "bem juntinho de você, mamãe". Amei, claro. Mas isso significou uma noite do cão, porque filhote dorme se esticando todo, chutando o lençol, resmungando, pelamordedeus. Quanta agitação! A certa altura da madrugada, num momento em que ele abriu os olhinhos pra pedir não sei o que, eu avisei que ia pular pra cama dele porque, assim, nós dois iríamos dormir melhor. Ele abraçou a Pig e me deu um "boa noitinha" como quem diz "vai lá, mãe."
Ontem, levei filhote pra trabalhar comigo. Passou umas três horas na Redação e virou o centro das atenções. Jogou bola, ganhou balinhas, desenhou, deu beijo nas meninas e etc etc. Pena que eu mesma não consegui dar tanta atenção pra ele. Essa foi uma semana de cão pra mim no trabalho e a sexta continuou trazendo problemas...Mas Gutão curtiu estar com os jornalistas. Trouxe ele pra casa na hora do almoço, comemos juntos e voltei pra trabalhar mais leve. À noite, foi a vez do Rô sugerir que Gutão dormisse comigo, só que na nossa queen size, hahhaaaaaaa. O Rô dormiu na cama do moleque e nós dois entramos debaixo das cobertas quase onze da noite (tem isso também, filhote não se entrega cedo, ai, ai, ai!). Filhote fez questão de dormir bem grudadinho em mim, dividindo travesseiro, e, mais uma vez, eu dormi tortinha da silva. Acordava a todo instante pra "desentortar" o moleque, tirar um pé que pressionava minha barriga, arrumar o lençol do figura...Mas valeu. Gutão acordou feliz. E vamos nessa, tentando de tudo um pouco pra ver se ele descobre que dormir é bom. O próximo passo é consultar o tal antroposófico ou um homeopata que receite um "equilibrador" das energias. Pra família.
posted by JULIANA DE MARI 1:51 PM
Vem mais por aí?
E segue a chuva em São Paulo. E a TV mostra que um pedaço da cabeceira da pista de Congonhas está prestes a desmoronar. E parece que a água que deveria ser devidamente drenada da pista acaba drenando é o barranco e o muro de contenção que separa o aeroporto da avenida Washington Luís. Alguém ainda tem dúvida de que esse aeroporto TEM que ser interditado?
Gente, vamos aderir ao boicote. Agora, até os pilotos da TAM e da Gol não querem mais descer em Congonhas. Por favor, que nós não percamos o direito à indignação. Nossos filhos MERECEM um país melhor. Nossos filhos MERECEM pais minimamente ativos. Nossos filhos MERECEM um futuro baseado no valor primordial: o valor que a VIDA tem.
posted by JULIANA DE MARI 6:18 PM
Férias corridas
Gutão tá de férias. Passou duas semanas indo pro "curso de férias" da escola durante as manhãs. Agora, nas duas últimas semanas do mês, achamos por bem deixá-lo em casa. Foi legal que minha mãe ficou aqui alguns dias (três semanas com volta pra Recife na terça via Cumbica, graças a Deus!) e pode curtir um bocado o meninão. Aliás, Gutão deu uma canseira boa na vovó Ju! Tinha dias que eu chegava em casa à noite e estavam os dois "treinando" futebol na sala. :)
Quinta passada, Gutão recebeu uma amiguinha de sua turma em casa, a Ana Beatriz. Foi ele que escolheu convidá-la. Nós tentamos ligar pra outra amiga, a Kailani, a predileta, mas ela tava viajando. Aí, Gutão pediu a "Aninha", que veio com a mãe e passou a tarde encantada com os brinquedos do filhote. Sim, porque aqui tem carro e ferramenta pra tudo quanto é lado, né? E ela, a menininha, é dada a fantasias de princesa e bonecas, nunca tinha visto tanto carrinho de uma vez só! Mas uma coisa meu menino e aquela menina têm em comum: o gosto pelas histórias. Diz minha mãe que ela ficou impressionada com o tanto de livrinhos que Gutão tem. E que, juntos, eles olharam vários, que legal. Acho tão bacana essa coisa de receber os amigos do meu filho. Sei que ele é criança ainda, mas acho que é de pequeno que a gente fomenta essa "abertura". É de pequeno que a gente mostra que a nossa casa é território de encontro e que as portas vão estar sempre abertas pros nossos amigos.
Fico é um pouco triste de não estar de férias junto com Gutão (vou tirar duas semanas em outubro pra ir com ele pra Recife: batizado e um aninho da Bruninha!). Queria curtir mais meu filhote...Ele tá crescendo tão rápido e, às vezes, me bate a sensação de que não estou vivendo tudo o que poderia com ele, sabe? Culpa moderna ou culpa clássica? Acho que toda mãe tem dessas, não tem jeito. Tudo bem, tudo bem. O Rô pediu um final de semana na praia de presente de aniversário e, em 15 dias, se o tempo ajudar, estaremos curtindo juntos o barulho do mar e aquela calma que só a beira da praia nos traz.
Essa semana também vou levar Gutão no trabalho pra passar uma manhã comigo. Ele gosta tanto de ver "os jornalistas". Sexta passada, filhote foi no trabalho do Rô. Passou parte da manhã e da tarde por lá. Eles fizeram uma espécie de "team building" só com os filhos do pessoal da equipe, super idéia. Nem preciso dizer que Gutão saiu de casa excitadíssimo e amou estar lá, no trabalho do pai, cheio de amiguinhos, cheio de novidades, né? Filhote tem seus ataques de mau humor (quando diz que não quer ver ninguém, não quer falar com ninguém), mas é coisa de cinco minutos. Na maior parte do tempo, Gutão é um serzinho falante e sociável. E isso facilita um bocado a nossa vida de pais, viu? Porque "carregamos" filhote pra tudo quanto é lugar, e desde que ele era nenezinho, junto com a gente. Não tem essa de território proibido. Gutão sabe se comportar, curte nossos passeios, respeita nossos "combinados" e só começa mesmo a dar trabalho quando tá com sono -- ou quando alguma criança vem mexer nas coisas dele sem permissão -- ou seja, birras absolutamente normais para uma criança da idade dele! Eu vejo algumas amigas que não levam os filhos a restaurantes com medo da bagunça, não levam na casa dos amigos com medo da bagunça...Sei não, acho que aí quem tem mais problema que a criança são os pais. Dá trabalho educar, dar limite, ensinar, ensinar, ensinar...
Tenho pela frente mais uma semana bem corrida, de reuniões e decisões importantes. Mas tem Gutão em perspectiva. E tem essa alegria, essa risada que enche a casa quando vê o Dito, do DVD do Cocoricó (o novo, ótimo!), dizendo que o Feito tem cabeça de abóbora! hahahaaaa É essa imagem que levo comigo todos os dias: o sorrisão grandão do meu Gutão.
PS: Minha indignação em relação ao desastre de Congonhas continua. Cada vez que penso que era uma tragédia evitável, ai, me dá uma raiva desses políticos...Tá, todo mundo tem sua hora, mas aquela não parecia ser a hora daquelas 200 pessoas...Se houvesse recuo na pista, se houvesse o tal do grooving pra escoar água da chuva, se houvesse estrutura, o desastre, provavelmente, não teria acontecido...Bom, recomendo o site do IDEC - Instituto de Defesa do Consumidor. Tem lá um abaixo-assinado, um boicote oficial ao aeroporto mais perigoso do Brasil. Eu e minha família não voamos mais pela TAM nem usamos mais Congonhas. É a nossa parte, é pequena, mas se todo mundo tomar uma atitude assim, o efeito dominó acontece.
posted by JULIANA DE MARI 6:19 PM
IndigNação
A tragédia estava anunciada: só não se sabia a data, a hora e quem seriam as vítimas. Mas era certo que uma desgraça ia acontecer naquela pista horrorosa de Congonhas. Se era certo pra mim, que sou leiga em aviação, será que não era um risco, digamos, "pressentido" pelas autoridades? Que jeito é esse de governar? Que falta de responsabilidade é essa? Por que é mesmo que priorizaram o conforto, o saguão bonito, o estacionamento novo, em detrimento da segurança? Quem foi que aprovou esse absurdo? E cadê o presidente?????????? Cadê as autoridades? O que vão dizer agora, hein? Cachorro na pista? Erro do piloto? Ouvi essa baboseira no rádio hoje pela manhã, são as possíveis causas do acidente na versão do governo...Pelamordedeus!!!! Quando é que os brasileiros vão se indignar de verdade?????????? Parece que estão todos anestesiados, socorro.
Eu estou indignada. Estou chocada. Estou triste por essas famílias que perderam entes queridos dessa forma estúpida. Por que não é que o avião caiu, deu problema no motor, bateu em outro enquanto voava...Tudo isso é uma merda igual, mas é "quase" acaso (em tempos de apagão aéreo, eu não sei mais o que é azar e o que é descuido...). A pista com defeito é fato. Há semanas vemos aviões derrapando, embicando, arremetendo, seja lá qual é o melhor termo pra dizer isso: pilotos tentando se livrar de um acidente fatal. E deu no que deu ontem. Nessa dor que dói na gente só de pensar...
Eu não tenho medo de avião. Nunca tive. Adoro voar. Adoro viajar. Mas detesto aeroporto. Detesto fila de check-in. E tenho medo de morrer...Hoje, eu tenho medo do que pode nos acontecer, assim, por falta de um cuidado que deveria ser premissa das autoridades: segurança, segurança, segurança. Me arrepio de pensar que o Gabriel, um repórter nosso que estava voltando de Belém, era o próximo avião a descer depois do AirBus da TAM. O dele estava com trem de pouso preparado e teve que subir novamente pra não correr o risco de ser mais um na fila da tragédia...
Semana passada, sonhei que via, da janela da casa dos meus pais em Recife, um avião caindo, se partindo em dois, pegando fogo...Lembrei disso ontem, de repente, ao ver as imagens do galpão da TAM em chamas...Não que uma coisa tenha a ver com outra, mas já rezei muuuuuuuuuuito.
Eu acredito que o Brasil tem salvação. Eu acredito que meu filho pode viver um mundo minimamente melhor (Deus permita). Mas é o povo que pode mudar a situação. É cada um. Somos nós. É preciso se indignar, é preciso cobrar, é preciso pensar mil vezes antes de não votar ou de votar por votar nas próximas eleições...Quero só ver como essa tragédia vai ser tratada daqui por diante, inclusive pela imprensa. Há que fazer como o Boechat, no rádio, hoje pela manhã: bradar a indignação, deixar vir a dor por esse descaso com a vida. E se a pista não é interditada por uma decisão responsável das autoridades, vamos, nós, boicotar Congonhas!!!!!!! Vamos, nós, fazer pressão (e essa pressão, a "financeira" eles entendem) nas companhias aéreas, no governo, na Infraero, no diabo a quatro. Lá em casa, de agora em diante, só Cumbica.
Gutão, meu filho, tem horas que as coisas ficam mesmo difíceis...Tem horas em que é a gente lá, sofrendo com aquela mãe, arrasada no saguão do aeroporto, chorando a morte dos dois filhos, de uma vez só...Mas há que se ter fé. Há que se ter esperança. Há que acreditar que uma desgraça dessas acontece pra ensinar alguma coisa (e que pensar nos riscos, de qualquer ação que seja, nunca é demais). Ah, meu filho tão amado, não deixe, jamais, de acreditar que pode ser diferente. Que você pode fazer diferente. E vamos viver.
posted by JULIANA DE MARI 2:48 PM
Pra vida
Foi quarta à noite o nosso "grande encontro": eu, Mic e Rês -- a Quintela e a Azevedo. A Rê, de Sampa, mãe do Theo, foi a primeira a chegar. Tá tão bonita, minha amiga, de cabelo novo e corpitcho esculpido no Pilates! Conversamos um tantinho e logo chegaram as convidadas ilustres. A Mic, falante e alegre, como sempre. Trouxe um livro de presente pro Gutão (que capotou às 8h da noite e, infelizmente, não participou da noitada). A Rê, tão querida, me deu um abraço gostoso e entrou em casa trazendo sorrisos e uma caixa de chocolate. O Junior, uma simpatia de mineiro, veio junto e deu pra ver que eles realmente são grandes companheiros, carinhosos um com o outro, com muita história pra contar. Eu os recebi com uma emoção de criança, sabe assim? De tão emocionada, fiquei ainda mais, digamos, desastrada do que já sou normalmente. Coloquei prato e talher a menos na mesa, deixei o Junior sem copo na hora do brinde e não parei de espirrar, hahahahahaa. Esfriou pra caramba e eu tive um ataque de rinite como há anos não me lembrava. Foram uns 200 espirros no dia, sem brincadeira. O resultado de tanto espirro é que tive uma crise de sinusite aguda ontem (sexta) e fui parar no hospital com uma dor horrível...Hoje, sábado, estou me recuperando. Parei de espirrar, mas sobrou uma dor de cabeça e uma pressão no rosto daquelas, ui.
Bom, conversamos um monte, comemos pizza e torta (de limão e de chocolate, que a Rê Quintela, generosamente, nos trouxe!), demos boas risadas, nos emocionamos, falamos da vida, dos nossos filhos, dos nossos pais...e tiramos váaaarias fotos divertidas!! O Junior foi o fotógrafo oficial do "evento". E foi também um santo: ouviu nossa tagarelice com uma calma impressionante! Tagarelamos tanto que nem vimos o tempo passar. Quase duas da manhã e ainda estávamos fazendo caras e bocas pras fotos! O quarteto tava tão animado que rolou até clique no estilo "as panteras"!!!
Nem preciso dizer que fui dormir feliz, feliz. Plena com essa amizade que só me faz melhor. E parece que a gente já se conhece há tempos, de verdade. A Mic é "minha amiga de infância". Como essa figura consegue nos deixar à vontade, impressionante. Tem uma energia e uma alegria contagiantes. A Rê Quintela me transmite uma paz e uma verdade que eu não sei explicar. É atriz, mas não vive um personagem. Tem lá seus dilemas, sofre, sim, mas vai atrás das respostas que procura. E eu gosto disso. E a Rê Azevedo, ah, essa é feita de amor -- e de uma vasta cabeleira de um preto lindo. Tá vivendo um momento tão, mas tão difícil, mas ainda consegue sorrir aquele sorriso meigo que faz a gente querer sorrir junto, sabe? É intensa e tranquila, ao mesmo tempo. E tem um brilho nos olhos, uma luzinha lá no fundo que me diz que vai buscar o tempo dela e vai ganhar serenidade. Vai, sim.
Se eu contar por aí que, balzaca que sou, fiz amigas assim, tão queridas, via internet, vão duvidar. Mas eu fiz. E eu sei que a Mic e as Rês não apareceram na minha vida por acaso. Cada uma traz uma história junto, uma porçãozinha de superações, uma porçãozona de alegrias. E eu, que estou empenhada em entender os sinais, vou aprendendo mais um pouquinho -- e de tudo um pouco -- com elas.
Mic e Rês: voltem sempre, que a casa é sua!
(Rê Quintela, vamos repetir a dose da tagarelice em dupla, hein? Estamos tão pertinho uma da outra que merecemosnos encontrar mais!!)
posted by JULIANA DE MARI 5:13 PM
O que vem por aí
O Rô não conseguiu embarcar pro Panamá, infelizmente. Por causa da vacina atrasada, perdeu o vôo, entrou em lista de espera e a reserva dele acabou "caindo". Um saco. Ele enfrentou duas madrugadas na beira do check-in, torcendo por uma vaga, mas não rolou. Ficou frustrado, triste mesmo. E nós também. Quando viu o pai em casa mais uma vez, depois de uma despedida muito calorosa na hora de dormir, Gutão não entendeu nada e perguntou: "Quando é que o papai vai conseguir embarcar, mãe?". Tadinhos. Bom, não rolou as férias dos sonhos, mas hoje cedinho o Rô embarcou pra Floripa. Diz que vai ter ondas maiores e melhores que no Panamá. Viva! Foi lá curtir o tio Bru e um friozinho bom. Vai ver era pra ser assim. Sei lá, eu tento respeitar esses sinais que a vida nos dá e tou entendendo que não era mesmo pro Rô fazer essa viagem pra fora agora. Sábado ele volta, certamente mais descansado e mais feliz (nada como boas ondas pra alegrar um coração surfista!).
Nós aqui aproveitamos bem o feriadão. Ontem fomos, eu, Gutão e vovó Ju, ver o Ratatouille. Que filme delicioso!! A história é linda, educativa, cheia de mensagens legais pras crianças. O ratinho Remí é uma simpatia e dá gosto ver como ele curte cozinhar. O problema é que, depois do baldão de pipoca na sessão, a gente ainda sai morrendo de fome de tanto ver temperos, imaginar os sabores, as texturas, huuuuuuuum!!! Gutão curtiu bastante o filme. Pediu pra fazer xixi duas vezes, comeu pipoca com suco e ganhou um ratinho de brinde. Voltamos pra almoçar feijoada em casa (olha aí o efeito do filme!) na companhia de Beta Queiroz e do querido Lucas, de dez meses, filho do meu amigão Teco, de Recife. Figurinha, o moleque. Do alto de seus dez meses, acha que já pode andar e faz de tudo pra se equilibrar sozinho nas coisas. Uma agilidade impressionante. Gutão não passou pela fase de engatinhar. Na verdade, passou, sim, mas era de ré! Uma vez, lembro que entrou embaixo do sofá de ré e quem disse que conseguia ir pra frente pra sair de lá? Tadinho, chorou tanto!!! :)
Dá uma saudadinha boa dessa fase das primeiras tentativas, das primeiras descobertas...Falando nisso, Gutão, toda vez, diz que quer um irmãozinho e uma irmãzinha. E eu fiquei pensando que, se ele estiver pressentindo alguma coisa, vem gêmeos por aí! hahhaaahhaa Que nada, brincadeira!! Dizem que gêmeos são herança de mãe e eu não tenho gêmeos na minha família (embora o Rô tenha na dele). E nem estou torcendo por isso, hein, meu santinho?! Lá pra setembro vamos abrir novamente as "encomendas". No início do ano, (nem contei aqui direito porque ainda estava processando o que aconteceu) eu engravidei. Mas tive uma gravidez anembrionária, "ovo cego", como os médicos chamam. Só tivemos certeza do diagnóstico perto da oitava semana, quando confirmei em ultrasom que o embrião não se desenvolveu. Antes, a suspeita era de gravidez tubária -- e eu sofri um bocado até o diagnóstico definitivo, que veio depois de umas quatro avaliações (porque, se fosse mesmo, implicaria em tirar uma trompa...). Bom, simplificando a situação: eu fiquei grávida porque houve a fecundação, mas não houve a geração de um bebê. Só a formação do saco gestacional. Um acidente. Nada a ver com genética. Acontece e aconteceu com a gente. Chato pra caramba. Até porque tive que esperar pra ver se acontecia uma expulsão natural do saco gestacional, não aconteceu e tive que encarar hospital e tal e coisa. Mas, enfim, passou. E eu já começo a me sentir pronta pra tentar outra vez. E isso é bom!!
Hoje, segunda, feriado em Sampa, Gutão brincou com a vovó pela manhã, enquanto eu dormi um tantinho mais. Depois do almoço, fomos visitar o tio Julinho e a tia Ana, irmãos da minha mãe que moram juntos. A tia Corina, a dos cabelos vermelhos!, se juntou a nós e tivemos uma tarde gostosa, com direito a bolo de limão, brigadeiro e um cafezinho pra lá de bom. Gutão ainda teve a sorte de encontrar um amigo mais velho, de seis anos, vizinho do tio Julinho, e brincou até não poder mais com o menino. Voltamos pra casa de metrô, uma aventura pra filhote! Agora são sete e meia e Gutão, depois de comer melancia e tomar um copão de leite, acaba de "tatuar" a perna inteirinha com caneta. Vai encarar um banho básico e capotar daqui a pouco, imagino. Já anunciou que tá com sono e precisa "acordar cedo pra ir pro Texas" (ouviu isso no DVD do Backyardigans!). Eu acho que, antes de dormir, vou aproveitar pra dar uma arrumada no meu guarda-roupa. Hora estranha pra fazer isso? É, mas é a única em que eu consigo me concentrar sem interrupções de um motoqueiro maluquinho que invade meu quarto, dando cavalinho de pau e dizendo que está correndo a "500 por hora"!!!!!
posted by JULIANA DE MARI 7:37 PM
Hein?
"O que é que tem dentro do dente?"
"Por que a água do mar é salgada?"
Duas perguntinhas báaaaasicas que Gutão fez ao Rô hoje. E que o levaram a procurar resposta na internet pra explicar direitinho pro menino. Tempos modernos, pais modernos! Eu fico pasma com essa curiosidade das crianças e essa capacidade de querer saber de coisas tão, mas tão específicas. Acompanho Gutão porque é ele quem está aqui do meu lado, mas imagino que quase todos os serzinhos dessa faixa etária façam perguntas igualmente engraçadas e desconcertantes para os adultos que estão por perto. Fico pensando que, à medida em que a gente cresce, vai inibindo essa "competência" de perguntar, que vem no nosso chip e que vai atrofiando por falta de uso, estímulo, ou seja lá o que for. E hoje é tão essencial saber fazer as perguntas certas. Tem até consultores que defendem que, nos primeiros 100 dias em uma nova função, em um novo emprego, você deve perguntar tudo aquilo que passar pela cabeça. Bacana. Mas por que é mesmo que tem que ter prazo pra parar de perguntar? Acho que é por quê perguntar incomoda. Quem recebe a questão tem que pensar na resposta. Se não a tem, tem que fazer como o Rô e correr atrás, pesquisar, se informar. E não é todo mundo que tá disposto a sair da inércia e ampliar seu conhecimento -- e o do outro, né?
Acho que deveria estar entre os deveres dos pais e os direitos dos filhos essa coisas de perguntar. O filho pergunta, os pais respondem. Tem horas que nós, pais, vamos ter que dizer não sei -- e assumir, humanamente, que nem sempre a gente tem resposta pra tudo nessa vida. Não existe super homem, nem super mulher. Nem tudo é perfeito. Vai ter hora em que o filho vai jogar pergunta cabeluda e vai ser preciso delicadeza na resposta. E vai jogar pergunta que a gente não queria jamais ouvir, e o pior, nessas horas, acho eu, é fingir que não ouviu...E vai ter um momento em que as perguntas vão ser da gente, os pais. Onde você andou? Com quem estava? Que horas volta? Esse filme passa em toda e qualquer família, né? E é um exercício aprender a fazer perguntas sem ferir o outro, sem invadir, sem parecer superproteção, controle e por aí vai. Como fazer a pergunta certa no tom certo? Não tenho essa resposta. Só tentando, tentando e tentando, como tenho dito pra Gutão! (aliás, será que os pais desses jovens delinquentes que andam espancando pessoas na rua faziam perguntas pra esses filhos? Será que se interessavam em saber onde estavam, com quem andavam, o que pretendiam fazer? Ah, diálogo faz diferença, sim. Nem tudo é culpa dos pais, mas muita coisa, nesses casos, é, sim. Dizer que o filho que agrediu à toa uma mulher, covardemente, imbuído da falsa coragem que o grupo dá, tem caráter é dar a pior resposta possível nessa situação)
Eu gosto de fazer perguntas. Boto pra fora menos do que deveria -- ainda. Mas tenho feito cada vez mais. E cada vez mais simples, do gênero "por que, pra que e como". Perguntas pra mim mesma (putz, essas são infinitas!) e perguntas pros outros. Tem gente que sai defendendo coisas, especialmente no trabalho, e quanto mais por que e pra que você vai colocando na frente, menos a pessoa consegue concatenar as idéias, já reparou? Funciona em casa também, logicamente. Funciona com Gutão. Mas não muito!!! :)
Hoje fomos na pracinha da "Dinda", a nova pracinha das nossas manhãs de sábado e domingo, perto da casa nova da Dani, e Gutão já chegou dizendo que não queria falar com ninguém, que não ia ser amigo de ninguém e que ia construir o prédio sozinho (ele sobe no trepa-trepa e coloca tijolos e janelas imaginários). Foi só ele chegar lá e uma menininha muito engraçadina, a Carol, da mesma idade dele, vir correndo pra fazer companhia no trepa-trepa. Coitada. Gutão fez um bico tão grande, mas tão grande! E ficou resmungando que não queria saber de falar com ela, que hoje tava com muita vergonha, que tava mal humorado e não sei o que mais e blablablá. Era a menina chegar, e ele sair de perto. E ele ia pro escorrego e ela ia atrás. E ele ia pra roda e ela ia também. E ele ia no balanço e ela corria na frente dele. Sem se alterar! Resiliente, essa mocinha! Até que Gutão voltou pro trepa-trepa, indignado, reclamando horrores da menina, e tal e coisa e eu comecei a dizer que a pracinha era de todos e que, se ele não tava afins, não precisava falar com a amiga, mas ela parecia estar muito afins de falar com ele. E aí, fui quebrando o gelo e perguntando se ele não queria ensinar pra ela como é que colocava as janelas do prédio e ele, enfim, e ainda muito bicudo, deu uma tarefa pra Carol: pintar as janelas! Mas hoje não teve jeito, não rolou interação. A menina tentou bravamente e fingiu sua pintura com muita dedicação, mas esse meu engenheiro preferiu encarnar o chefe carrasco e não reconheceu o trabalho dela. Pior: ficou brabo porque ela tava jogando umas folhinhas pra fingir que era tinta. Dizia que era folha, que era grama e que não era tinta de verdade! hahahaaaa
Bom, minha mãe assistiu tudo impressionada. De ver o quanto Gutão cresceu do aniversário pra cá. Ela chegou quinta-feira pra ficar com a gente duas semanas. Trouxe um DVD dos BackYardigans que Gutão já assistiu umas 50 vezes em três dias!!! O Rô saiu em férias ontem (surf trip pro Panamá) e volta domingo que vem. Quer dizer, ele foi, mas não embarcou ontem. Voltou pra casa, frustradérrimo...Vai tentar novamente na madrugada de hoje. Tudo por causa de uma vacina vencida (febre amarela) que o fez perder o vôo e entrar em fila de espera. Vamos rezar e torcer, muito, pra ele viajar e tirar sua semana do jeito que planejou. Boas ondas, meu amor, vai dar certo!!!
posted by JULIANA DE MARI 7:55 PM
Eu amo o que faço
Eu sempre quis ser jornalista. Na verdade, quando era bem pequena pensava em ser bailarina ou professora. Quando fiquei maiorzinha, no entanto, sempre soube que gostava mesmo era de escrever. Sempre tive diários. Sempre escrevi muito. Eu adoro palavras. Adoro palavras formando frases. Adoro conseguir expressar, por escrito, alguma coisa. Adoro traduzir para alguém o que só eu vi, senti, percebi de uma determinada situação. Acho mesmo fascinante esse tal de "texto".
Claro que pra ser jornalista você precisa de muito mais do que gostar de escrever (poetas também gostam!): precisa de um bom punhado de curiosidade, precisa gostar de conversar com as pessoas, de ouvir suas histórias, de ir atrás de um fiozinho de informação. Tem que gostar de uma certa tensão também. Entrevistar, de alguma forma, é tenso. Você não pode prever a resposta do entrevistado. Tem jornalista que tenta, viu? E formula a pergunta de um jeito que induz a resposta. Não sei o quanto é ético fazer assim...Em algumas situações e, dependendo do assunto, funciona, isso é verdade... E fechamento em jornal ou revista é sempre um momento tenso, por mais bacana que seja a equipe e por melhor que seja o ambiente. O tal deadline, a corda nos pescoço, vixe, como a gente trabalha sobre pressão! E é tenso igualmente manter a antena conectada com o leitor. Afinal, a gente escreve pro outro, né? Pra informar, pra orientar, pra alertar -- sempre um outro.
Tudo isso pra dizer que estou em fechamento nesse exato momento (nesse exato momento, estou naquele hiato entre uma e outra matéria pr'eu aprovar e liberar pra gráfica). E que ontem não peguei Gutão acordado quando cheguei. E nem vou pegar hoje. Vou dar o beijinho de boa-noite com filhote já capotado. E hoje pela manhã, depois que ele saiu pro curso de férias na escola, eu deixei um desenho pra ele. Fiz um foguete, a lua, uma árvore cheia de maçãs e um carro. Tudo que ele mais gosta! E ele me contou, ao telefone agora à noite, que adorou o foguete. Tá numas de que é astronauta, sabe? Vai ser bom sentir o cheirinho dele enchendo a casa de paz quando eu chegar lá depois das onze...
Fato é que tenho trabalhado mais do que o habitual com a promoção. E, às vezes, bate a culpa por não estar lá com Gutão em nosso momento tão precioso de toda noite. Mas eu espanto logo essa culpa por quê eu amo o que faço, eu sou feliz na profissão que escolhi e estou feliz em meu atual momento de carreira -- mesmo com todos os poréns, com todo o cansaço e tal e coisa. E eu quero que ele saiba disso: que tem uma mãe realizada na profissão e que trabalhar cansa, mas não pode ser um fardo. Se é, tem alguma coisa errada.
Filhote vai sempre saber que fui eu que escolhi esse meu caminho. E só eu sei o que já tive que me superar pra ser uma jornalista melhor. Eu espantei a timidez no segundo ano da faculdade e encarei estágio em um grande jornal em Recife. No primeiro dia, fiquei com tanto medo, que tive uma dor de barriga e não fui. E minha mãe teve que ligar pro chefe pra explicar. Surreal!! Eu morria de vergonha de falar no telefone com alguém do meu lado, imagine! Mas encarei, fui indo, aos pouquinhos fui aprendendo, e fui crescendo. E fui atrás de aprender a escrever cada vez melhor -- e de ter cada vez mais boas histórias pra contar. Não tenho muito tesão em ser repórter de rua, mas adoro editar, "arrumar" textos. Tenho muito gosto em ler uma matéria bem apurada, uma história bem contada. E tenho muita confiança de que, na revista que dirijo hoje, nós temos uma missão muito bacana que é ajudar as pessoas a ser melhor no trabalho. Todos queremos, não é mesmo?
Em casa, somos dois jornalistas e há palavras por todos os lados. E há muita curiosidade, e muitos assuntos diferentes, e muita conversa sobre tudo. Espero que Gutão se alimente desse ambiente pra, mais tarde, fazer sua própria escolha profissional. Antes disso, tomara que nossas palavras, de alguma forma, sirvam pra potencializar os dons que ele já demonstra que tem. Eu acho que ele vai ser um gurizinho muito bom com música. Ele gosta de "tocar" violão e gosta muuito de dançar. E cantar também. E acho que ele vai curtir fazer esportes. Filhote joga bola super bem, sério! E gosta de ler, de ouvir palavras, histórias. Isso me encanta. E gosta de ver. É super visual. Gosta de cores, percebe os formatos, guarda os detalhes. O último relatório da escola, aliás, dizia que ele tem uma memória espantosa. Até a professora fica surpresa com o tanto que ele lembra das coisas...E dizia também que ele demonstra características de liderança. Que gosta de brincar com os amiguinhos, mas sempre distribui os papéis! hahahaaaaa
Ai, ai, filhote. Tou aqui pensando em como foi que virei jornalista (e tudo começou por quê eu gosto mesmo de escrever) e já comecei a viajar pensando no que vai ser o mundo pra você. Só sei de uma coisa: eu torço muuuuuuuuuuito pra você ser feliz. Pra sustentar suas escolhas mesmo quando estiver sob pressão.
Aliás, falta meia hora pro prazo de gráfica estourar. Deixa eu ir lá cobrar a última matéria na revisão! :)
posted by JULIANA DE MARI 10:58 PM
"Eu não quero ir pra tão longe"
Gutão melhorou da otite. Deve ser a atuação do antibiótico, aquele de gosto horrível que ofereço com uma colherada de leite-moça. Filhote passou o final de semana cheio de alegria, correndo, brincando, me enchendo de abraços. Anda meio disposto a uma troca de socos e tabefes, coisa das "brincadeiras" que faz com o pai, e sempre que passa do limite, vai pro castigo. Senta no pufe com olhos cheios de lágrimas e já pedindo desculpas. Mas fica lá seus três minutos e só sai depois de pedir as devidas desculpas.
Sexta à noite, o pessoal da Redação veio aqui em casa pra comer um "dogão" e cantar meus parabéns. Foi divertido, um monte de gente enfeitando a casa. Gutão, como eu, ficou feliz. Recebeu as pessoas meio acabrunhado, se enroscando na minha perna e dizendo que tava tímido, mas bastaram cinco minutos pra ele descontrair. Jogou bola na sala com os meninos, viu Nemo com o filho da secretária, comeu bolo de chocolate até se fartar e foi dormir perto da uma da matina. Meu maior presente, sem dúvida alguma.
Ontem o Rô me deu um almoço especial de presente. A babá veio ficar com Gutão e nós passamos muito bem no Eñe, um espanhol maravilhoso, no Itaim. Pedimos o menu degustação, eu tomei uma taça de champagne e o Rô, de vinho. Passamos umas três horas lá e eu sai uns dois quilos mais gorda, com certeza!!! Chegando em casa, descansei um pouco, enquanto Gutão e o pai assistiram ao jogo do Grêmio na TV. Terminamos o dia na livraria. Gutão ganhou um kit-pintura, com um carro de corrida, e um livro do Charlie e Lola que fala da embromação da menina na hora de dormir. Foi deitar cansadinho, cansadinho, mas acordou várias vezes na madrugada, me chamando e pedindo pr'eu cobrir. Ai, que vai ser tão bom quando ele aprender -- ou aceitar -- se cobrir sozinho...
Hoje foi dia de passeio na praça. Fomos na praça "redonda", perto da casa nova dos dindos do Gutão, que já estavam lá nos esperando com o Miguel e a Nina. Tava um dia de sol gostoso, friozinho só na sombra. Filhote brincou um bocado no trepa-trepa. Sobe lá e diz que tá construindo um prédio. E não sobe lá no topo porque, diz, "tem um pouco de medo". Voltamos pra casa perto das duas, almoçamos caseiramente e, enquanto o programa dos dois era futebol outra vez, eu devorei mais algumas páginas do livro que a Mic me deu (tou adorando, Mic!!) e descansei um tantinho. Quando acordei, hora do banho do fiihote e de receber a Alê, minha amiga querida, que tá indo morar na Noruega. Embarca na terça-feira e veio se despedir. Vai para uma temporada de três anos por lá, trabalhar numa ONG e viajar pelo mundo. Corajosa, essa minha amiga. Trouxe de presente pro Gutão uma Pig novinha. Disse que era o "Pigo", o irmão gêmeo da Pig, hahahaaa. Vendo o bichinho novo, todo amarelão, é que a gente percebe o quanto essa Pig já "viveu" com Gutão. Sensação boa essa. De que filhote já tem história pra contar, pra lembrar, pra nos emocionar.
Antes da Alê ir embora, pegamos um mapa-mundi que o Rô deu de presente pra Gutão esses dias e mostramos pra ele onde fica a Noruega. Mostramos que é bem longe do Brasil, um país pequenininho, perto do "país gelado" dos pinguins. Aí, a Alê perguntou se Gutão ia visitar ela por lá. E filhote, emburrado, largou um: "Eu não quero ir tão longe". Eu falei que a gente ia de avião, passeava, e depois voltava pra casa. E ele continuou: "Mas eu não quero ficar tão longe do Brasil". Patriotérrimo, fala sério!!!! :) A Alê saiu com o mapa debaixo do braço. Gutão, por sugestão nossa, deu de presente pra ela. Desenhou um carro, "escreveu" alguma coisa, e me pediu pra escrever "carro do Gutão". A Alê disse que vai pendurar na parede da casa nova e mandar uma foto pra ele ver. Vai ajudar a matar as saudades.
Olhando aquele mapão com Gutão, vi que o mundo é tão grande e tão cheio de possibilidades. E me passou pela cabeça o pensamento clássico: "Por onde será que filhote vai andar quando crescer?". Peço a Deus que nos dê saúde para muitas aventuras juntos ainda. E nem precisa ser lá no Japão, não. O mundo do lado de fora da nossa casa, ali do ladinho, na esquina, oferece o bonito e o feio, o curioso e o chocante, a pobreza e a riqueza. É saber ver e "ler" as diferenças. Eu e o Rô tentamos exercitar nossos olhos da melhor maneira possível pra manter acesa essa chama da curiosidade. Gutão nos acompanha muito bem. E mesmo não querendo ir tão longe, confia e vai. Gosta do que conhece, mas logo se anima com o que está por descobrir. É isso aí, meu filho. É tentar, tentar e tentar outra vez, lembra? Assim que a gente aprende. E assim que a gente vai mais longe do que um avião pode nos levar.
posted by JULIANA DE MARI 10:26 PM