Voltando
E cá estamos, de volta à babilônia. E que calor é esse, pelamordedeus? Tá mais quente em Sampa do que em Recife, sério. Lá, ao menos, tem brisa, tem praia, tem cheiro de mar. Aqui, tem vento parado, cheiro do rio Pinheiros e essa sensação de que o calor vai andando atrás da gente, sei lá. Ai, mas nada de reclamar, né?
As férias foram deliciosas. Carnaval que é bom, a gente só viu um tantinho. Não tive coragem de levar Gutão pro meio da folia em Olinda. Quente demais, literalmente. Nem ao Recife Antigo. Mas resolvemos fazer diferente e experimentar o carnaval no interior do Estado. Seguimos pra Bezerros, cidade próxima a Caruaru, a cerca de uma hora e meia de Recife, pra curtir os "papangus". Passou em todos os telejornais, vocês devem ter visto. É o carnaval dos "mascarados". Todo mundo inventa uma fantasia e coloca uma máscara pra esconder o rosto. Parecia Olinda antigamente, um pouco menos lotada, com bloco de frevo descendo ladeira e tudo o mais, mas só deu pra ficar uns 40 minutos ali no meio. Começaram a pisar nos pés do Gutão, tadinho, e ele, de tanto calor, não aguentou mais ficar no chão e veio pro meu colo. Considerando que está super pesado e que eu também já não tenho mais pique pra aguentar o sol e o anda pra cá, anda pra lá, o primeiro carnaval da família foi breve, mas foi muito legal.
Depois de sair do meio da confusão, fomos conhecer um museu do artesanato, recém inaugurado, na estrada que vai pra Caruaru. Gutão viu obras do Alto do Moura, as famosas cerâmicas, viu as rendas de Pesqueira, viu os mamulengos, as máscaras, e toda a riqueza e a criativiade do artesanato pernambucano. Gostou mesmo dos carrinhos feitos de latão e que reproduzem os caminhões que passam na beira da estrada. Queria brincar com eles a todo custo, haja lábia pra convencer o baixinho de que era só pra ver, não pra tocar. No final, na lojinha do museu, filhote ficou encantado com a "Burrinha", uma fantasia tradicional das crianças no carnaval pernambucano. Ganhou uma, claro. E brincou tanto com ela, uma graça!
Que mais? Fomos pra Porto de Galinhas, pra Maracaípe, curtimos um montão a praia de Boa Viagem -- e a deliciosa gorducha, Bruninha. Fez quatro meses quando a gente tava lá e começou a "conversar". Dá gritinhos, da risadinhas, mexe as mãozinhas, linda. Meu pai também fez aniversário, no dia em que embarcou pra Portugal, Ilha da Madeira, pra rever minha vó, depois de 20 anos longe. Já pensou? Não consigo nem imaginar o que é essa saudade...Fiquei muito feliz em vê-lo tão feliz e ansioso ao embarcar. E diz que a vovó o recebeu toda faceira e que levantou a noite pra checar se ele estava coberto direito...Mãe é mãe, cuidado e carinho não tem idade. No dia em que o painho chegou lá, vovó Rosinha fez 96 anos.
Bom, ontem e hoje, além de desarrumar malas, tivemos grandes momentos em casa. Gutão fez coco duas vezes, sim, duas vezes!, no pinico ontem. Com o Rô ao seu lado, lendo historinha e "descontraindo". Na verdade, ontem, ele fez coco quatro vezes. Mas tá bem, acho que é só calor. E dá-lhe água nele! Falando nisso, sabe o que o menino me disse agora à noite? "Mamãe, tem que tomar bastante água pra ficar com a pele linda". Quem disse isso pra ele, hein?! :-)
Gutão segue alegre, tagarela, cheio de energia. Corre pra caramba, faz um monte de "exercícios". Até aprendeu a se "alongar", colocando as pernas pra cima nas portas dos armários, tão bonitinho. Aliás, filhote começou a fazer capoeira na escola e, em breve, vai começar, lá também, aulas de natação. Acho que vai ser muito legal! Gutão adoooooooora o mar, é impressionante. Ganhou uma prancha em Recife, um bodyboard, e delirou. Foi praticamente sozinho "surfar". Na beiradinha, claro, mas tão seguro, tão ágil, tão lindo. Tudo bem que o Rô estimula, mas, sei lá, parece que Gutão já nasceu com o "gen" do esporte na veia. Ainda bem!!!!
E ontem à noite, filhote com um tantinho de insônia, depois de um tempo indo e vindo do quarto, chegou aqui do meu lado, no quarto da TV, e disse assim: "Mamãe, a gente teve um dia tão legal hoje". E me deu um abraço, e eu quase chorei. Que delícia essa troca, que delícia ser mãe!
No mais, tenho novidades -- pessoais e profissionais. Muitas. E boas. Mas elas serão assunto prum post especial. Volto em breve. Aguardem!!!!!!
posted by JULIANA DE MARI 10:11 PM
Frevança
Gutão não pode perder essa: frevar os 100 anos do Frevo! Estamos indo pra Recife, eu e ele, na próxima quarta. O Rô segue na sexta. Lá ficamos até a outra sexta, curtindo a família, a praia, e a "frevança". Tou mesmo precisando de férias. O início desse ano foi mais intenso do que todos os últimos (afora o do nascimento do Gutão, né?) e resultou em grandes novidades profissionais. Logo, logo eu anuncio por aqui.
Filhote tá animadíssimo com o carnaval. Não sabe direito o que é, mas diz que vai dançar e cantar lá em Recife. Ah, se depender de mim, vai mesmo. Preciso é combinar com a Rapha, mãe do Igor, pra gente levar os pequenos pro "Eu Acho é Pouquinho", versão mirim da troça "Eu Acho é Pouco", que tantas vezes me fez subir e descer ladeira em Olinda. Que delícia!
Gutão é que tá uma delícia! Agora, deu de fazer showzinho pra gente, tocando violão, se remexendo e ensaiando umas palavrinhas em inglês inventado! É nosso Jack Johnson particular, rá-rá-rá! O melhor do show, na verdade, é o microfone: um cachorrinho, sem cabeça, daqueles de cabo comprido que as crianças adoram empurrar, sabe? Foi filhote mesmo quem inventou essa utilidade pro bicho e nós só aplaudimos porque é criativo e engraçado demais!
Fora toda a maravilha, alguns perrengues: coco só na fralda e muitos ataques de "quero isso, não quero aquilo". Como diria a dinda Dani, é a tal "neurose de controle", também chamada de "adolescência dos dois anos" :-)
Sério, tem horas em que perco totalmente a estribeira e até tapinha na mão vem rolando quando toda a verborragia, minha e dele, aflora. E o menino implica do nada, com coisas que eu não tenho a menor condição de adivinhar -- portanto, não tenho como me preparar pro barraco. E não escolhe lugar, veja bem. Domingo, fomos comer uma picanha em um restaurante simpático da Vila. Gutão sempre nos acompanha em restaurantes e raras vezes foi sinônimo de inconveniência. Ao contrário, é uma criança desde cedo curiosa, sociável e que se entretém com seus carrinhos enquanto papai e mamãe tentam conversar um pouquinho. Bom, domingo, não foi assim. Na mesa até que ele foi um "lord". Brincou com os carrinhos, beliscou a entrada, comeu carninha e um pouco de arroz e mandou ver dois copões de suco de uva. O negócio engrossou na hora do xixi. Gutão não se recusou a ir ao banheiro. Fez tudo como manda o figurino, até limpou o "pinto" sozinho. Aí, na minha vez, na hora em que fui lavar as mãos, pronto, o figura encanou que ele que tinha que abrir a torneira, começou a berrar, se debatendo no chão, vermelho que nem um tomate. Caiu o tênis, fui tentar colocar e ele, mais nervoso ainda, começou a gritar e a dizer que era pra eu fechar a torneira (a tal neurose de controle se manifestando!) e que ele ia abrir e que eu só podia lavar as mãos depois disso. Faça-me o favor. Peguei os braços dele, olhei nos olhos, trinquei os dentes e "pedi" pra colocar o tênis, o que fiz com ele aos berros. O estresse foi tanto que o Rô, percebendo nossa demora, veio me socorrer. Ainda bem que ele já tinha pago a conta e que o pequeno rebelde saiu no meu colo vermelho, todo molhado de tanto chorar, mas igualmente envergonhado do vexame. Não é mole, não!
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(E eu não posso deixar de registrar: que horror, que absurdo, que barbaridade o que aconteceu com o menino carioca, mais uma vítima inocente da violência. Até quando? Até quando os brasileiros -- sim, você, eu -- vamos reprimir nossa indignação? Até quando esse país vai viver à mercê desse horror? Ai, gente, é rezar muito, pedir muita proteção...Já chorei tanto pensando nessa mãe, nesse pai, nessa irmã, nas pessoas que presenciaram a cena, impotentes. Na dor desse menino, na vidinha que se acabou, assim, tão estupidamente...Choro por meu filho também. Por esse mundo estranho que ele vai herdar. Choro e peço proteção ao Anjo da Guarda. É muito pouco o que eu posso fazer, além de torcer muito para que cenas grotescas como essas que, volta e meia, temos o desprazer de conhecer virem exceção, e não regra).
posted by JULIANA DE MARI 11:14 PM