Viva o Barrigão!

archives


Quinta-feira, Dezembro 21, 2006


Quase lá


Nem acredito, mas meu último dia de trabalho do ano foi ontem. Ufa. Que ano corrido e cansativo. No final, o saldo é positivo, ainda bem! Aliás, nem contei por aqui que estreei um blog no site da revista (sou jornalista, pra quem ainda não sabe!). Dessa vez, pra tratar de assuntos de carreira e refletir um pouco como ser e fazer melhor dentro e fora do trabalho. Quem tiver a curiosidade de conhecer, deixe o email nos comentários que eu devolvo o endereço do site.

Estou oficialmente de férias coletivas até o dia 08 de janeiro. Sábado seguimos pra Floripa. Depois, no outro, pra Recife. E vamos rezando pros aeroportos voltarem à mínima normalidade. Acabo de ler no UOL que Congonhas tinha 60 vôos atrasados hoje, que meda! Gutão tá de férias desde a sexta passada. Passou a semana entre jogar futebol na quadra improvisada do prédio, brincar com o filho do porteiro, o Natan, um menino de oito anos que virou ídolo do meu filhote, e dar chiliques em casa. Tá difícil essa fase. Por um lado é bonito de ver a conquista da autonomia e a busca pela auto-afirmação, descobrindo os limites, fazendo valer suas vontades e tal. Mas, por outro, pelamordedeus, tem horas que não aguento tanto choramingo e tanto "não quero isso". Quando sinto que vou perder a paciência, lembro que o apelidamos de "bichinho do não", digo isso pra ele e tento rir da situação.

Fora que a ladainha das noites mal dormidas continua. Já nem sei mais do que se trata. Acho que, agora, o motivo é o nariz entupido e uma tosse chata que insiste em atrapalhar o sono da "casa". Ontem foi tão tenebroso que hoje acordei com uma enxaqueca daquelas. Delícia. Não consegui fazer nada do que tinha me programado pra fazer, tipo arrumar as malas, arrumar a casa, dar ordem nas coisas antes de 2007 chegar. Só fiz mesmo a mão e o pé que eu também sou filha de Deus e também preciso espairecer e me embonecar pra aguentar o tranco mais felizinha!!

Tá lá embaixo agora, o meu moleque. Foi dar "tchau pro sol". Muito querido. Tá com a babá nova, que tem me causado mais problemas do que eu poderia imaginar. O caso é que o namorado também veio da Paraíba e os dois estão cheios de planos de casar, ter filhos e etc (eu já tentei orientar e dizer que fazer planos do gênero agora, recém-chegados a paulicéia, no auge dos 20 anos, é loucura, mas, sabe como é que é...na teoria, a vida é tão fácil...). Fato é que eu não tenho condições de ficar com mais uma pessoa em casa que não pode dormir no trabalho -- ou que fica agoniada pra ir embora cada vez que o telefone toca. Mas deixa essa questão pra 2007.
Com serenidade, tudo há de se ajeitar.

Essa época do ano sempre me dá aquele misto de alegria e tristeza. Não sei de onde vem essa melancolia. Deve ser coisa de quem tem os astros todos em água. Sou a própria "torneirinha": é só ver alguém desejando Feliz Natal e trocando um abraço caloroso que já me dá vontade de chorar. Mas eu choro na boa; chorar me faz bem; eu não sofro, não. É só que os outros acham meio estranho, vêm me consolar. Acho que ficam incomodados com tanta "sensibilidade", sei lá. Tou escrevendo isso aqui e já tá me dando vontade de chorar de novo. Acho que tou é com saudade de casa, dos meus pais, da minha irmã, com saudade da sobrinha que eu nem conheço ainda (Bruninha, a tia chorona tá chegando!!). Esse ano não foi mole, não. Muita correria, muita coisa boa, muitos desafios, muita realização. Ano que vem, se Deus quiser, vai ser melhor ainda. E um pouco mais calmo pra que eu possa "gerar" muita novidade, se é que me entendem! :-)

Se der, ainda passo por aqui pras devidas atualizações em 2006.
Se não der, fica aqui o meu desejo de um Feliz Natal pra todos vocês que nos acompanham e um super 2007. Muita saúde e muita serenidade, que o resto vem de brinde!

posted by JULIANA DE MARI 7:32 PM


Terça-feira, Dezembro 12, 2006


Noites agitadas


Foi-se a dor de ouvido, ficou o medo de ficar sozinho. Pois bem, foi essa a manifestação do meu filhote agora há pouco. "Mamãe, preciso de ajuda." "Mamãe, não me deixa aqui sozinho". Isso porque ele deitou incrivelmente cedo, às 21h30, já com os olhinhos baixos de sono. Finalmente dormiu agora, 22h15. Nesse meio tempo, chorou, pediu minha companhia, disse que não gosta do quarto e só sossegou quando segurou minha mão na mãozinha dele. Ai, a rebarba da cirurgia não foi física, mas, pelo visto, psicologicamente, veio que veio. Eu sei que essa é a fase dos medos, mas Gutão ainda não tinha verbalizado nenhum significativo. Vamos lá, pacientemente, lidar com mais essa.

Eu tenho conversado muito com ele esses tempos. Tentando não dar tanta bronca, mas conversar e principalmente ouvir as razões, as angústias, as vontades dele. Baita exercício. Agora mesmo, no meio da sessão pavor, tentei acalmá-lo contando que o melhor lugar do mundo é a casa da gente. Que é tão bom voltar pra casa, reconhecer as nossas coisas, a nossa história, sentir o cheirinho que só a nossa casa tem. E falei que o segundo melhor lugar do mundo é a cama da gente. Que é tão bom dormir na nossa cama quando a gente tá com sono, cansados, precisando descansar. Que dormir é bom, faz crescer, repõe as energias e prepara a gente prum novo dia, cheinho de aventuras, de alegria. Filhote ouviu tudo quietinho, olhinhos esbugalhados, petita nervosa na boca. Mas não desgrudou da minha mão, bichinho...

Ontem Gutão também teve um sono agitado. Por baixo, levantei umas cinco vezes na madruga pra antedê-lo. Não reclamou de dor, realmente não acho que seja nada físico relacionado à cirurgia. Acho é que tava com calor e com um pouco desse receio descrito acima de ficar sozinho. Só relaxou mesmo quando liguei o ventilador/exaustor. Hoje, por precaução, botei um pijama mais quentinho e já liguei o dito na hora de deitar, aliás, ele ligou -- que agora ele aprendeu qual é o lado certo do exaustor (não ligo o ventilador porque vai muito vento em cima dele).

Tivemos um dia legal hoje. Pela manhã, fomos no cabelereiro pra ele cortar as madeixas. Os cachinhos ficaram, mas a franja não tá mais caindo nos olhos dele. Depois, enquanto ele comeu um brigadeiro de colher, eu tomei um café gostoso. E aí fui dar uma olhada nas lojinhas da Vila, que eu também mereço! Numa loja de roupas, Gutão encantou as vendedoras, nossas conhecidas. Pra eu conseguir provar as calças jeans, lá se foi o garoto passear pela rua com a dona da loja, vê se pode! Aproveitei pra escolher os presentinhos de Natal das professoras dele, sempre tão queridas. Gutão adorou o passeio, voltou todo falante pra casa. À tarde, desceu pra brincar com o filho do porteiro e a babá, que apareceu pra trabalhar e, ufa, não está grávida. É só infecção urinária. Eu fui na manicure e depois dei um pulo na nova ponta de estoque da Green (na rua Homem de Melo, 856, pra quem não conhece). Não tinha muita coisa pra idade dele. Sai com duas bermudinhas e uma calça e mais um vestidinho e um sapato lindo pra nossa gordinha Bruninha!!!!

Ai, que eu não vejo a hora dessa semana passar e da outra chegar. Vamos pra Floripa no sábado, 23, e pra Recife no dia 31, que correria! Nunca pensei que ia curtir tanto fazer as malas! Tou precisando descansar, mudar de ares, renovar o astral. E abrir o espírito pra nova encomenda que, se Deus quiser, janeiro trará!!!!



posted by JULIANA DE MARI 10:18 PM


Segunda-feira, Dezembro 11, 2006


Um dia depois do outro


Nem parece que Gutão fez cirurgia, tomou anestesia geral, passou um dia inteirinho no hospital. Ontem, domingão, filhote acordou animado, dizendo que tava com a barriga roncando e queria almoçar no "restaurante". Pedido atendido e lá fomos nós ver o dragão do America na hora do almoço. Filhote, que está em dieta líquida e gelada, almoçou milkshake e papinha Nestlé. Em temperatura ambiente, diga-se. Achei que ele ia detestar, mas que nada! A fome de "sólido" era grande e ele comeu praticamente todo o vidrinho de espaguetinho à bolonhesa, bem molinho, mas até que gostosinho. Hoje repetiu a dose e comeu super bem. Até arrisquei dar uma pêra, bem molinha, e ele devorou. Ofereci picolé primeiro e ele, pasmem, recusou. Daí, me veio a idéia da pêra e ele aprovou! Melhor que a propaganda do menino do brócolis, fala sério!

Fiquei em casa com ele hoje e ficarei amanhã também. Sorte minha, pois a babá, a Lu, faltou. Diz que teve um mal estar pela manhã, desmaiou e sei lá o quê, e eu preferi que ficasse mesmo em casa descansando. Tomara que não seja o que minha imaginação desenhou (gravidez?) e que amanhã ela chegue disposta e esclarecendo o tal mal súbito. Gutão passou o dia bem, correndo e brincando de dar gosto. Só lembro que fez cirurgia na hora de dormir, pra falar a verdade. Ontem ele acordou várias vezes na madrugada, chorando. E hoje, depois da soneca da tarde, também. Falei com a médica que garantiu não ser dor no ouvido. O que ela suspeita, e eu acabei concordando, é que ele está elaborando tudo o que aconteceu e pode estar projetando algumas coisas em sua imaginação a respeito da "limpeza nos ouvidos". E que é natural sentir medo, ficar angustiado, e expressar isso tudo chorando. Assino embaixo. Dei muito colo pro meu Pirato, dei muitos beijos e conversei um bocadão com ele.

Hoje à tarde, filhote ganhou uma "encomenda" que Papai Noel deixou por aqui. Um carrinho da polícia que faz o barulho da sirene e tudo o mais. Falei que Papai Noel tinha deixado antecipadamente com um recadinho: que é pra ele só usar a petita pra dormir. Filhote entregou a dita na hora! E não usou mais durante o dia. Ah, como essas "mentirinhas" funcionam! Nada como um bom incentivo pra cultivar bons hábitos, hahahhaa. A saga do xixi no pinico continua. Na maior parte das vezes, se a gente incentiva, ele vai lá e faz. Mas, se ninguém avisa que está na hora, ele também não se manifesta e acaba fazendo na calça. Hoje fez só uma vez, contra umas seis no piniquinho. Já fiquei feliz. Coco que é bom, só rola na cueca ou na fralda de dormir, não tem jeito. Mas tudo tem seu tempo, não é assim?

E o desenvolvimento dele tá indo no tempo certo, o dele. Gutão já tira a roupa praticamente sozinho, coloca a sandália, fica tentando colocar os tênis, e ajuda muito a se vestir. Quer fazer as coisas sozinho e é lindo vê-lo pedindo ajuda quando acha que é algo mais complicado. Gutão tá muito figura, essa é a verdade. Ontem na frente do restaurante havia uma loja "japonesa". Entrei pra comprar os presentinhos das "ajudantes da casa" e Gutão logo viu uma tentação: um skate de plástico. Veio, todo contente, com o skate embaixo do braço, dizendo: "Mamãe, a moça vai pagar a conta". Não teve jeito de negar o mimo. E vai daí que agora temos um skatista de verdade em casa. Que sempre anda com o capacete na cabeça (o que o Rô usa pra surfar) e pra quem eu já avisei que vamos comprar joelheira e cotoveleira pra proteger dos tombos. Ele gostou da idéia e eu gostei mais ainda de ver como a gente pode incentivar as boas práticas em casa.

Quê mais? Acabei nem contando da festinha de encerramento da escola. Foi lindaaaa! Aconteceu em uma escola maior, já que a dele é pequenina, não comportaria 700 convidados jamais! Foi num teatro de verdade, com palco e iluminação profissionais. Gutão foi fantasiado de tartaruga. A peça era Branca de Neve e filhote participou da hora em que os bichinhos acordam a Bela. Na turminha dele havia joaninha, passarinho, tartarugas e por aí vai. Os pequenos subiram ao palco cerca de uma hora depois que a festa tinha começado. Todas as turmas dançaram, era uma peça de verdade. Antes disso, a turminha dele ficou sentada nas primeiras fileiras, enquanto nós, os pais, ficamos mais pra trás no auditório. Gutão nem deu bola. Ficou lá dançando sem parar. A professora me perguntou se a gente tinha dado guaraná pra ele, porque ele tava ligadíssimo! Foi a música, as cores, as danças. Filhote adora um agito, tem vocação pra curtir a vida, que bom! A gente ficava vendo ele lá embaixo, pulando que nem um canguru, cutucando os amiguinhos mais parados, sorrindo e prestando atenção em tudo que acontecia no palco. A festa acabou por volta das 21h30, ele tava exausto, mas ainda aguentou ficar na fila pra ganhar presente e dar oi pro Papai Noel. Que orgulho!!!

Falando em Natal, montamos nossa árvore ontem. Gutão ajudou a colocar os enfeites e ficou todo prosa no final. Hoje disse pra faxineira que tinha me ajudado a montar a árvore e que o Papai Noel ia ficar feliz de ver a casa enfeitada. Feliz fico eu, de ver a casa cheia dessa alegria!!

PS: Mic e Rapha, obrigada pelos telefonemas! Mic, ontem não atendi, pois tava colocando Gutão pra dormir e não liguei hoje de volta porque o Rô esqueceu de dar o recado, ai, ai, ai! Te ligo amanhã! Rapha, obrigada pelas orações e pelo carinho de sempre. Tou doida pra ver a farra desses pequenos no final do ano!! Andrea, da Celina, obrigada pela carinho virtual! E um super thanks e um grande beijo pra todos que passaram por aqui, que deixaram recadinhos ou que não quiseram se apresentar, mas fizeram corrente positiva pra Gutão passar por essa na boa!!!!!

posted by JULIANA DE MARI 10:54 PM


Sábado, Dezembro 09, 2006


Juntos, pro que der e vier


Foi o momento mais angustiante das nossas vidas de pais, certamente: ver filhote ali, deitadinho na maca, entrando, sozinho, no centro cirúrgico. Ai, gente, que aperto...Chorei, eu, que nem criança -- depois que a porta fechou, claro. O Rô também se emocionou. Foi doído, mas foi um momento bonito, ao mesmo tempo. Depois do "xaropinho" anestésico, dado ainda no quarto, Gutão foi ficando molinho até chegar naquele ponto da "chapação". Chegou assim na porta do centro cirúrgico: chapadaço, sorrindo pro mundo. Abraçado na Pig, deu um sorridente "até já" pra gente, nossos olhos já marejados, a maior força do mundo pra devolver o sorriso meigo dele. (Naquele instante, fiquei pensando no quanto somos abençoados e na angústia que devem sentir pais e mães ao verem seus filhos nessa mesma situação, só que não por uma escolha, não por um procedimento eletivo, mas por força de uma doença, de uma urgência, ai, ai...).

Chegamos ao hospital às 8h. Gutão estava em jejum há horas, desde a pizza com suco de abacaxi de ontem à noite. Não reclamou um só minuto, aliás, nem lembrou que precisava comer. Chegou sorrindo, correndo, querendo encontrar a dra.Renata, que já havia combinado com ele na consulta da sexta que ia "limpar os ouvidinhos e tirar a areia azul lá de dentro" (sim, tinha um grão de areia azul no ouvido esquerdo, bem lá dentro, a tal areia que faz a festa das crianças na escola!). Nós não mentimos: dissemos pra ele que estávamos num hospital e que íamos passar o dia lá. Só não falamos em cirurgia, operação, anestesia, sangue, essas coisas. Pra quê, né? Ele só iria ficar impressionado ou com medo dos procedimentos. Bom, o anestesista foi no quarto antes da cirurgia. Um figuraça, que gerou empatia com filhote de cara. Perguntou dos carrinhos, ascultou o peito dele e deixou ele ouvir o próprio coração, e combinou de dar o xaropinho em seguida e fazer fumacinha depois que ele já estivesse lá dentro. Engraçado foi que a enfermeira veio dar o sedativo e trouxe a seringa e um copinho junto. Eu perguntei o que era e ela disse que era groselha pra dar depois do anestésico. Eu falei que não precisava, que eu mesma oferecia o líquido na seringa pra ele. E foi assim, filhote abriu o bocão e nem reclamou. Bichinho, já tá acostumado de tanto remédio que tomou por causa dessas otites...

A cirurgia começou por volta das 9h40. Perto das 11h, a enfermeira ligou no quarto, avisando que tinha terminado, que transcorrera tudo bem e que ele estava dormindo tranquilo. Era hora de trocar de roupa e ir lá, ficar com ele até ele acordar, no pós-operatório do centro cirúrgico (achei muito bacana esse cuidado, dos filhos acordarem com as mães por perto). Quando cheguei Gutão ainda dormia, tranquilo. Tava tomando soro e fumacinha de adrenalina, pra ajudar na respiração. Achei que ia encontrá-lo inchado ou coisa que o valha, já que ele também tirou as adenóides, mas nada. Estava lá, deitadinho de lado, ressonando. Até que abriu os olhinhos. E viu um fio com aquele negócio que colocam no dedo pra acompanhar o nivel de oxigênio, esqueci o nome. Pronto. Ficou tentando colocar na boca, como se fosse chupeta. Aí, o anestesista achou por bem tirar o troço do dedo e guardar, já que ele estava bem. Pra que? Gutão cismou que era uma chupeta e que o médico tinha guardado no bolso. Ficou tão brabo que chegou a se levantar na cama, ficou em pé, foi pra cima do dr.Marcelo pedindo a "petita", muito nervoso. E o médico rindo, dizendo que não tinha nada no bolso e pedindo pras enfermeiras correrem pra pegar a dita petita com o Rô! Durou uns cinco minutos o episódio. Eu não estressei, não. Achei até engraçado como, nessa volta da anestesia, qualquer coisa detona a "brabeza". (O menininho da cama ao lado, que operou um olho, estava batendo as pernas, irado, por que queria jogar videogame!). Depois da petita na boca, deitei com filhote na maca e ele, então, recebeu alta para o quarto e nós fomos encontrar o Rô, ansioso que tava em ver o filhote de volta.

Gutão já chegou no quarto mais acordadinho, mas ainda molinho. Ficou deitado vendo desenho na TV, tomou um tantinho de suco e ganhou um helicóptero do papai. Gostou tanto que quis descer da cama. Aí, eu me apavorei. Chamei a enfermeira pra ajudar, mas ele foi mais rápido, e brabo que só, desceu da cama sozinho. Quando ela chegou, deu risada e disse que tudo bem, que eles só fazem o que podem fazer. Recomendou apenas ficar perto dele, caso as perninhas bambeassem. Isso não aconteceu. Gutão brincou um bocado, tomou mais suco, tomou picolé de uva (dois!) e, depois, pediu gelatina. Para minha surpresa (sim, eu tenho trauma de anestesia!), não vomitou nem sequer teve ânsia. Brincou um monte com a cama que sobe e desce, fuçou tudo embaixo dela, dançou Jack Johnson com o papai e fez a festa das enfermeiras. Nem o ouvido nem o nariz sangraram. Ele cuspiu um pouco de sangue, mas ainda lá na recuperação. Não reclamou de dor nem teve febre. Tomou novalgina no meio da tarde, dormiu por volta das 16h30 e às 18h30 teve alta médica.

Estresse mesmo só rolou na hora de tirar o micropore do braço, no lugar onde eles aplicaram o soro. Ele cismou que só a dra.Renata podia tirar. Era um pedaço grande e a médica foi puxando de uma vez, coitada, acho que realmente esqueceu que dói um tantinho...Gutão chorou de ficar vermelho. E depois soltou essa: "Não gostei desse tratamento"!!!! Filhote deixou o quarto correndo, falando que queria voltar pra casa, super bem. Nem parece que tomou anestesia geral doze horas atrás. Chegou em casa e mandou ver três iogurtes e mais uma caixinha de suco gelado. A dieta tem que ser líquida e gelada até segunda-feira. Tomou mais dois copos de leite até dormir. Deitou agora às 22h. Perguntei se tinha dor, ele disse que não. Perguntei se tava bem, ele disse "é". Eu falei que foi muito legal ele ter ajudado hoje, porque, com os ouvidos "limpinhos", ele não vai ter mais aquela dor chata. Fihote deitou tão cansadinho que até pediu pr'eu apagar a luz do quarto. Tá lá, agora, abraçado na Pig, ah, a companheira Pig. Eu acho que ele vai dormir relativamente bem. Já deu umas choradinhas por causa da petita que caiu, mas não chorou de dor, graças. Que Deus e meu Santo Expedito permitam que, daqui pra frente, seja essa a rotina: um sono tranquilo, tranquilizante!

Foi angustiante a espera pra fazer a cirurgia, mas tenho certeza que Gutão só vai ganhar com os ouvidos "limpinhos". Tinha um monte de catarro nos dois ouvidos, segundo a médica. Tanto que ela teve que colocar tubinhos de ventilação nos dois lados. É um tubinho microscópico, que vai sair à medida em que o tímpano for crescendo. Serve pra ventilar mesmo e não deixar o catarro acumular no ouvido médio. As adenóides eram de tamanho normal, mas estavam posicionadas exatamente na frente da ligação com o ouvido, ou seja, obstruindo o caminho também. Gutão teve que ser entubado por causa da anestesia e eu tinha medo que voltasse com dor de garganta, ou reclamando do procedimento (eu senti muito nas vezes em que passei por isso...). Que nada. Nem reclamou, nem comentou, acho que realmente isso não o incomodou.

E foi assim, já passou. E a gente aprendeu, mais uma vez, que, com tranquilidade, transmitindo confiança e segurando muuuuuuuuito a nossa onda, nosso filho vai longe. E que a nossa experiência passada é um sinalizador, um orientador, mas que a vidinha dele acontece hoje, as experiências dele se dão agora, e que ele tem o aparato dele pra lidar com as novidades e as adversidades que encontra pelo caminho. E, olha, até aqui, tem lidado mui melhor que eu -- ao menos no aspecto médico!! :-)
Te amamos, Gutão!!!

posted by JULIANA DE MARI 11:19 PM


Terça-feira, Dezembro 05, 2006


Relatório


A vida anda corrida, como já deu pra perceber pelo tanto de tempo que fiquei ensaiando contar as novidades sem conseguir brecha pra vir até aqui...Fato é que o tempo passa, Gutão cresce, e as alegrias só aumentam.

- Filhote fez os exames pré-operatórios - sangue e raio-X do nariz. Ao contrário do imaginado, não deu trabalho algum. A radiografia foi rapidíssima e tranquilíssima. Tirar o sangue, na minha cabeça um quase monstro de sete cabeças!, também foi relativamente simples. Gutão deixou as enfermeiras darem uma picadinha na orelha (coagulação) e ficou conversando sobre a "tinta" que elas passaram na orelha dele. Depois, foi convidado a deitar na maca e estender o bracinho, coisa que fez sem nenhuma resistência. Eu e o Rô fomos orientados a segurar o bichinho (aquelas técnicas de imobilização, peito e perninhas, sabe?). Fizemos tudo com tranquilidade, sem dar muita bola ao que estava acontecendo, e continuamos a conversar com ele sobre o que iríamos fazer depois que saíssemos do laboratório. Na hora da picadinha, ui, filhote ficou vermelho, os olhos encheram de lágrimas, e ele olhou pra gente como pra saber se era pra chorar ou não. Meu coração ficou apertadinho, mas eu ignorei esses sinais e continuei conversando, bem animada, sobre o tênis novo que ele ia ganhar de presente. Ai, gente, filhote ficou olhando enquanto as enfermeiras tiravam o sangue e não chorou, nem se mexeu, nem coisa nenhuma. Confiou. E o exame foi rápido, as enfermeiras ficaram impressionadas, deram os parabéns, saudaram o pequeno com um esfuziante "valeu" e, ao final, depois que ele tinha deixado a sala em direção aos brinquedos, quem desabou fui eu!!! Chorei e chorei, de orgulho, de alívio. Tenho certeza que a nossa atitude, o fato de termos segurado nossa onda, de termos controlado nossa ansiedade, agiu positivamente sobre o comportamento dele. Confiança faz toda diferença, né? E Gutão segue nos ensinando um monte de coisas sobre nós mesmos...
Ah, a reclamação em relação ao exame de sangue só veio depois, à tardinha, na hora do banho, quando ele percebeu que o "adesivo" de cobra que a enfermeira colocou sobre a picada tinha saído com a água. Aí, sim, ele falou: "Eu não gostei disso". E aí, sim, eu expliquei que eu também não gostava, mas que era importante fazer o exame pra ver se estava tudo bem com a saúde dele. E pronto, assunto encerrado, passamos pro próximo! (Se tem coisa que não nos falta, os dois tagarelas, é assunto!).

- A cirurgia tá marcada pro sábado agora, dia 09. Como Gutão começou com uma tosse chata e com o nariz entupido e cheio de catarro verde, conversei com a otorrino, que já passou um remédio e que vai avaliá-lo na sexta-feira. Se o quadro não melhorar, nada feito. Não dá pra correr o risco de operar com um foco de infecção instalado. Tou naquele misto de sentimentos agora: quero que ele fique bom, obviamente, mas estou angustiada com a cirurgia (na verdade, com a anestesia)...Anyway, o que tiver que ser feito, será. E vamos passar por essa juntos, com a tranquilidade possível, focando na melhora dele.

- No mais, filhote cresce a olhos vistos. Tá enorme, cabeludo, falante, cheio de tiradas engraçadas. Continua adorando cantar e dançar. Recebeu o relatório das aulas de música da escola cheio de "sim" para a atenção aos ritmos, a capacidade de aprender novas melodias, o interesse em novos instrumentos e etc. Temos planos de matriculá-lo em uma escolinha especializada em música para crianças no ano que vem. Há que se estimular os dons que ele deixa vir espontaneamente, né? Filhote também tem se revelado bom de bola. Agora, a toda hora, pede pra descer com o Rô pra "jogar bola na quadrinha", uma quadra minúscula que criaram num espaço, antes inútil, na garagem. E o danado dá cada chute, sério. E corre, como corre! E fica tão feliz em "movimento"!

- Falando em futebol, Gutão se saiu com uma hilária no final de semana. O Rô, gremista roxo!, perguntou: "Quem é o time campeão?". E Gutão respondeu, cantarolando, como faz a torcida: "Corinthiaaas". Eu quase morri de rir!!!!! E lá vai o Rô fazer sua catequese e dizer que o Grêmio é isso e aquilo e aquilo outro, e cantar o hino do time, e pedir pra filhote repetir e coisa e tal. E Gutão, esperto e rapidinho que é, repete o nome do outro time só pra provocar e dar risada da nossa cara depois! Eu já falei pro Rô: a melhor estratégia é eleger um time em São Paulo -- afinal de contas, o lugar onde a gente mora e o lugar onde filhote nasceu -- e torcer pro menino se afeiçoar a ele e não embarcar na influência dos amiguinhos da escola (de onde, suponho, tenha vindo a referência ao timão). A sugestão é ficarmos com o tricolor, o São Paulo, o meu time por aqui (em Recife, sou alvirrubra, torço pro Náutico). E lá vai o Rô dizer que o Grêmio e o São Paulo são tricolores e patati-patatá. Mui engraçado!

- Ah, domingo fomos assistir ao filme do Pinguim, o Happy Feet. No geral, é uma graça. Os pinguins são fofos, a dublagem é super bacana, e a história de não ter vergonha de ser diferente é uma bela mensagem. Mas...algumas cenas são bem violentas, e Gutão ficou um tanto assustado, perguntando "por que a baleia quer comer o pinguim?", com os olhos arregalados e quase gritando de medo. Mas são poucos momentos mais trash, nada que não dê pra conversar durante e depois do filme.
Fomos perto da hora do almoço e filhote começou a ficar com sono faltando uns 20 minutos pro filme acabar. Ele me olhava e dizia assim: "Agora vai acabar". Hhahaahahaha
E quando acabou, quem disse que ele queria ir embora? Falou pra gente: "Peraí, a música ainda não acabou". E ficamos lá, nós três, vendo o letreiro subir e curtindo as canções do filme até terminar.


posted by JULIANA DE MARI 11:05 PM


This page is powered by Blogger. Isn't yours?