Vai e volta
A otite, infelizmente, não passou. Gutão continua com os dois ouvidos bem comprometidos. Sábado fomos ao Sabará mais uma vez, pra confirmar o que já sabíamos e, de alguma forma, pra aliviar nossas preocupações. Sério, eu já tinha dito pro Rô que se não fosse problema médico, era caso de irmos, nós três, a um psicólogo! Gutão tem dormido terrivelmente mal. Acorda por volta das 3h/4h da matina, chorando muito, se debatendo. Dor, claro. E dor dói e ele fica irritado, e nós, por mais que tentemos manter a calma e o foco, insones na madrugada, acabamos ficando nervosos também. Tadinho do meu bichinho...
Bom, fato é que retomamos o antibiótico e um descongestionante mais potente. Enquanto o nariz não melhorar de vez, não vai ter jeito de "limpar" os ouvidos. Estamos fazendo todo o possível, inclusive tratamento com uma otorrino, especializada em crianças. Ela não quer fazer o dreno, acha que é um procedimento que não resolve e que não garante que a otite não vai voltar. Nos pediu pra fazer nova audiometria, coisa que Gutão e papai estão fazendo agora, enquanto eu tou aqui trabalhando...Aliás, como é duro trabalhar com um filho doente em casa, né? Ontem cheguei e Gutão tava largado no colo do Rô, com as bochechas vermelhas, ardendo em febre. Teve 38.8 na madrugada e eu levei pra dormir na nossa cama. Hoje amanheceu alegrinho, embora um tanto quentinho. Tou torcendo pra ser um episódio e nada mais...
No mais, estamos bem. Fazendo planos pra arrumar a casa à esperar do novo rebento. Não, ainda não liberamos a "encomenda", mas o desejo está sendo construído --a três!-- e eu realmente acho essa etapa muito importante. Desejar o novo ser, arrumar a casa pra chegada dele, arrumar espaço na agenda pra essa gestação. E aí, sim, logo, logo o barrigão vem. Antes do Natal, eu espero!
Falando em barrigão, nasceu no sábado a Luana, filha da bá do Gutão. Ontem nasceu a Juju, da querida Mic, mãe do Rafinha. Acredito que a Stela, da minha amiga Rachel, mãe da Lara, também já deve ter chegado ao mundo. A última vez que encontrei a Rachel, sexta passada, ela estava linda e faceira passeando no shopping, com 4 dedos de dilatação!!! :-)
É isso aí, os ciclos da vida. Viva!
posted by JULIANA DE MARI 10:57 AM
Um dia depois do outro
Estamos melhorando. Sim, no plural. Dessa vez, realmente, não foi só Gutão quem sentiu. Eu ainda estou com os nervos à flor da pele. Se olhar mais feio, eu choro, sabe assim? Ai, ai. Bom, o que importa é que, segundo avaliação da otorrino, filhote superou bem a fase aguda da otite. Agora, o ouvido continua vermelhinho, mas não há mais pus. O que precisamos fazer é aquele exame, a tal audiometria, pra ver se a audiação está mais comprometida ou se está estacionada no ponto do exame anterior, um padrão que estamos seguindo para regular o tratamento. Filhote voltou a dormir melhor. Continua com uma tosse chata e o nariz meio entupido, mas isso, em São Paulo, pode ser considerado "default"!
Duro mesmo está sendo lidar com a "carência" antes de dormir. Eu tenho que cantar musiquinha, dar a mãozinha e deitar junto, no travesseiro, ao lado da cabecinha loura dele, até ele relaxar, fechar os olhos, empinar o bumbum e aceitar Morfeu. Sem falar que Gutão tá em crise com o Rô. Durante o dia, a parceria é uma beleza. Eles dançam e cantam juntos, jogam bola, vão na pracinha, fazem a maior bagunça em casa. Já à noite...bem, à noite, Gutão tem expulsado o pai do quarto, literalmente. Ai do Rô se insiste em sentar na cama, em roubar um beijo e tal e coisa. Gutão vira fera, dá "esporro", chora. Eu tento não intervir, no sentido de não monopolizar os cuidados e as atenções do menino. Tento também reforçar a presença paterna, dizendo que somos três, somos uma família, que o papai ama tanto o Gutão quanto a mamãe, mas nem sempre dá resultado. Espero que seja uma fase, que passe logo e que não cause muitas angústias nem para o filho nem para o pai!!!
Quê mais? Gutão tá se confirmando um menino muito sociável. Ontem, foi visitar a vovó Maria, uma vovozinha aqui do prédio, que tem o maior chamengo com ele. A filha dela, que também mora no edifício, encontrou Gutão e o Rô no elevador, fez o convite e lá se foi meu "bagualito" explorar a casa dos avós "postiços". Eu achei o máximo. Primeiro por ele ter tido a vontade de conhecer uma casa diferente. Segundo por ter tido a chance de conviver com a idéia de "avô e avó" (de um lado e de outro, há a distância geográfica que impede esse contato diário), de receber aplauso pras suas gracinhas, de aprender a conviver e respeitar os mais velhos, enfim.
É que ontem passei o dia no curso (estou fazendo uma espécie de mini-MBA) e meus dois amores passaram o dia fazendo coisas legais. Além da visita à casa da vovó Maria, foram na pracinha e no teatro e, depois que me buscaram na escola, fomos encontrar os dindos, a Nina e o Miguel na pizzaria. Vocês precisavam ver que lindos esses dois na mesa, comportados, comendo pizza, brincando com seus carrinhos, conversando -- sem nos dar o menor trabalho. A pizzaria é linda, cheia de artesanato. Usa luz de velas e, claro, Gutão e Miguel ficaram encantados. Na hora de vir embora, cantamos parabéns pros 10 anos de casamento dos dindos (Parabéns, Dani!!!) e os dois se fartaram de soprar as velinhas! E Gutão me pergunta: "Mamãe, cadê o pedaço da velinha que tava aqui?". É que no castiçal dele havia duas velas. À medida que uma queimou, se extingiu, e só ficou uma, grandona, de pé. É muito atento, esse meu filhote. Ficou indignado com os buracos da mesa, uma mesa antiga, de demolição, sabe? E me pergunta "quem foi que fez esse buraco?". Putz, e como é que a gente dá conta de tanta explicação? :-)
Ah, faltava contar a grande novidade aqui: nasceu a Bruna, minha sobrinha querida, uma meninona pernambucana, com 48 cm e mais de três quilos. Tem cabelo preto, um bocão à la Angelina Jolie (não custa projetar, né?), uma fofa. Recebi poucas fotos até agora, tou super ansiosa pra ver a mocinha direito e pra pegar no colo essa "alegria". Parabéns, Lu!! Seja bem-vinda, Bruninha! Nós amamos muito vocês e estamos muito, muito felizes em ver nossa família crescer!!!!!
Gutão já sabe que a Bruninha nasceu. Quer ver a priminha a todo custo e nós estamos considerando a hipótese de passar o próximo feriado por lá. Vamos fazer as contas e torcer pra caber no orçamento!!! É um evento único, especial, merece esse "investimento"!!
posted by JULIANA DE MARI 8:33 PM
À beira de um ataque de nervos
Gutão continua com otite. Vai na otorrino amanhã. Eu (e acho que falo pelo Rô também) estou no pó da rabiola. Muito cansada. Exausta com essas madrugadas insones e histéricas. Estou muito mais nervosa do que o meu normal, meu limite está muito menos elástico, e sigo com essa culpa maldita por não conseguir manter a paciência mesmo sabendo que filhote está doente, que o choro e a birra têm tudo a ver com a dor de ouvido...
Noite passada, Gutão acordou às 3h, chorando horrores. Chorava e se debatia, nervoso, nas grades da cama. Isso, de se debater de birra, foi me irritando de um tanto...Chegou a um ponto em que segurei, forte mesmo, as perninhas dele pra ele parar. Aí, claro, ele ficou mais nervoso, eu idem, o choro aumentou de volume, uma delícia. Como se não bastasse, o menino cismou que queria dar beijo na babá no meio da madrugada. E quanto mais eu explicava que ela já estava dormindo, mais ele chorava e pedia pra ir no quarto dela dar beijo de boa-noite. Claro que não levei. Mas haja santa paciência. Houve um ponto em que o estresse foi tanto que saímos, eu e o Rô, do quarto e deixamos ele chorar sozinho. Alguns minutos depois, voltei, mais calma, coloquei filhote no colo, expliquei o por quê do nervoso (se ele chora e não me diz como ajudar e fica se batendo e fazendo coisas que não são legais -- batendo em mim, por exemplo!, eu não consigo entender e fico nervosa mesmo), fiz muito carinho, dei muitos beijinhos e deitei ao lado dele pra tentar fazê-lo adormecer outra vez. Que nada. Era ele fechar os olhos e eu levantar da cama, pra ele pedir "fica aqui, mamãe".
Às 4h30 da matina, todos os recursos testados, minha paciência esgotada, joguei a toalha e levei Gutão pra nossa cama. E quando chegou lá, ele tem outro ataque porque não quer deixar o pai ficar junto. Eu posso com isso? Por favor, se alguém tem idéia de como lidar com essa possessividade do menino em relação a minha pessoa (será, já, o tal complexo de Édipo, pelamordedeus?) -- e que só aparece à noite, diga-se de passagem -- me dê uma dica.
Só sei que depois de mais um blablablá nervoso, Gutão aceitou deitar entre nós dois e finalmente voltou a dormir. Nisso, eu já estava totalmente adrenalizada, com o coração apertadinho, morrendo de sono e de dor de cabeça. Filhote acordou às 8h, falante e sorridente, graças a Deus. Eu continuei dormindo, nem fui trabalhar pela manhã, pra tentar descansar um pouco, observar como ele ia passar o dia (não mandei pra escola) e dar um pouco de atenção e carinho pra esse moleque fora dos horários a que nós dois estamos habituados. Foi ótimo fazer isso. Me senti feliz ao ver que ao menos durante o dia, ele fica bem. Brincou, correu com o aspirador, ajudou a faxineira a limpar a casa, comeu fruta, iogurte, e todo o macarrão do almoço. Quando sai pra trabalhar, ficou tirando sua soneca da tarde.
Agora, depois de uma hora de luta contra o sono, tá lá, ressonando, agarrado com a Pig. Deus (e todos os anjos e santos a quem eu possa enviar esse pedido) permita que essa noite ele durma melhor. Que durma uma noite inteira outra vez. Eu sonho com isso há dias...
Na boa, se alguém me perguntar o que é mais difícil do ser mãe, eu digo: é não dormir. Eu fico simplesmente insuportável quando não durmo ao menos minhas oito horinhas. Daí, vem o nervoso, a culpa, a angústia, os olhos ardendo (por falta de sono e muito tempo na frente do computador, ganhei a tal "fadiga visual", acreditam?), e essa cara de quem está prestes a desabar...Se alguém me vê nesse estado hoje, baita cara de cansada, olheiras enfeitando meu rosto, e me pergunta o que eu tenho, eu brinco, dizendo: "Eu tenho um filho!".
Ok, ok, respirando fundo. Passou.
Chega de lamúria!
Amo meu Gutão, entendo que tudo isso faz parte, torço pra ele ficar bom logo e pra nós três recobrarmos o equilíbrio possível em breve...Antes de começar tudo outra vez, que doideira!!!!!! É isso aí, acabo de constatar que a hora certa pro segundo filho é quando a vontade supera a coragem.
Obrigada a todos pelas palavras carinhosas nos últimos comentários! Saber que tem alguém torcendo por nós é tão gostoso!!!
posted by JULIANA DE MARI 11:07 PM
De novo?
Gutão tá com otite de novo. Ouvido esquerdo com muita secreção, ouvido direito avermelhado. Eu bem que tava achando estranho esses "despertares" chorosos no meio da noite. Semana passada tivemos madrugadas de cão, com direito a levantar de hora em hora, fazer inalação, ouvir muitos gritos agoniados, dar alguns outros de volta (ai, gente, essa função noturna me deixa à beira de um ataque de nervos), enfim. Ontem, sabadão, levamos filhote no Sabará e o diagnóstico foi esse que eu pressentia e que citei acima. Fiquei triste, mal por perder a paciência enquanto Gutão sofre, por, algumas vezes, não ser capaz de me manter focada nele e não na minha cabeça que dói a falta de sono...Chorei no banheiro do hospital essa culpa toda. Será que alguma mãe vive sem ela?
A noite de ontem já foi um pouco melhor. Gutão voltou pro antibiótico. Chato é, mas não tem muito jeito. Também tomou Tylenol, que aliviou um bocado a dor (justo eu, que detesto sentir dor, só pensei nisso, em oferecer um analgésico pro meu bichinho, na sexta-feira). Ele só chamou duas vezes, ainda assim rapidamente. Uma vez por causa do cobertor enrolado no pé. Na outra, por ter perdido a petita.
Hoje acordou feliz, correndo, animado pra ir pro "basque" (parque). Fomos no Ibirapuera, correr na grama, curtir o sol e tentar ver alguma coisa da Bienal. Gutão se esbaldou no "corridão". Como gosta dessa liberdade! Corre longe, com um jeitinho sincronizado de mexer os bracinhos, uma graça. E vem sorrindo, rápido, rápido, e dá abraço e nos empurra pro chão. Foi lindo vê-lo parar pra descansar, sentadinho embaixo das árvores, depois de um "tiro" mais forte. Os dindos, o Miguel e a Nina nos fizeram companhia.
Tentamos ver alguma coisa da Bienal, mas foi praticamente impossível. Gutão queria "tocar" nas obras, que perigo! Só aceitava ficar pra cá da linha amarela quando eu dizia que o segurança ia nos dar uma bronca porque a gente não tava respeitando as regras. Em uma ocasião, uma segurança veio mesmo conversar com ele e contar que não podia, não ficar tão pertinho das instalações. Vamo combinar que arte moderna, contemporânea, seja lá o que for aquilo, é uma viagem total e absoluta, né? Vi algumas coisas interessantes, algumas fotos bonitas, mas, no geral, pra usar uma palavra do Rô, achei a Bienal "beligerante", com instalações feias, agressivas. Reflexo do mundo atual, diz o maridão. Eu sigo dizendo que não entendo muito bem essa arte "cabeça". E eu mesma me digo de volta que arte é pra ver, sentir, explorar, não é mesmo pra entender.
Depois da corrida na Bienal, Gutão e Miguel passearam mais um pouco no parque, encantados com os carrinhos. Andaram de mãozinha dada, esses dois amigos, batendo altos papos. Flagrei um pedacinho de conversa, mais ou menos assim: Gutão perguntou pro Miguel: "Por que você esqueceu sua meia, Migue"o"?". O amigo respondeu: "Eu tô de sandália, Auguto". Minha afilhadinha Nina também foi passear com a gente. Menina querida, tranquila, de coxas grossas, bochechas rosadas e um sorriso pronto pra aparecer toda vez que eu faço cosquinha no barrigão dela! E como menina é meiguinha, de vestido e calcinha cor-de-rosa, uma gracinha. Cada vez que eu vejo um bebê, tenho mais certeza que a hora da nova encomenda está mesmo chegando. Esses dias dei até de me imaginar grávida outra vez, vocês conhecem essa sensação?
Depois do parque e de almoçar num lugar legal, com bastante pedrinha pra filhote fazer bagunça!, caímos na cama, nós três. Gutão dormiu duas horas e acordou aos prantos. Reclamando da vida, de Deus e de todo mundo. Deve ser mau humor vespertino e muita dor, tadinho. Chorou tanto, tão irritado, com tantas lágrimas, que dei analgésico outra vez. Como dói ver meu pequeno assim...E eu bem sei o quanto irrita e faz sofrer essa maldita dor de ouvido. Há uns tempos tive otite "média", como os médicos chamam, por causa da sinusite, uma sensação de água descendo no ouvido, muito agoniante. Já estava em tempo de marcar um retorno na otorrino que cuida do Gutão. Vamos agilizar essa semana e torcer pra não ser preciso fazer a tal punção (se bem que, ontem, a médica do hospital me explicou que esse procedimento não dói e que dá alívio imediato pra criança...mas, sei lá, é sempre uma "agressão" -- como se remédio não fosse...Já viram que hoje eu tou "falando" com meus próprios botões, né? Altamente reflexiva, essa menina).
Bom, passado o ataque de choro, filhote e papai foram botar gasolina no carro e comprar brigadeiro pra gente fazer um jantar de "dia das crianças" (atrasado, mas bem intencionado!). Vamos ver se, na volta, ele vem mais animadinho.
posted by JULIANA DE MARI 7:56 PM
Coisa de criança
Mamãe, papai e filhote, mais uma amiga da mamãe, no restaurante, ontem, feriado.
Gutão mandando ver no pratão de macarrão e carne moída que a mamãe levou de casa e beliscando uma ou outra polenta frita dos "adultos".
De repente, ele diz: "Guarda pra de noite, mamãe".
Sim, agora é assim, com essa sutileza, que filhote indica que já está satisfeito!!!!
A semana é das crianças e eu acredito que o melhor de se dar a um pequenino é sempre atenção, carinho e muito respeito. E isso a gente cultiva todos os dias aqui em casa. Ontem, dia das crianças, depois de muitos beijos, filhote recebeu alguns presentes nossos. Um mini-carrinho do Luigi, aquele personagem do filme Carros, um DVD do Bob, o Construtor e um acampamento miniatura, com direito a fogueirinha, barraca e até saco de dormir pra colocar os bonequinhos! Adorou tudo, claro. Principalmente, os carros. Gutão tem fascinação por carros, sério. Ele reconhece as marcas de longe -- difícil errar o nome de um que esteja na nossa frente na rua. Me surpreende quando diz: "É um Toyota preto" ou "Olha, mamãe, o Honda Fit". Caramba, como é que ele guarda essas coisas?
Aproveitei o mote do dia das crianças e fiz um "combinado" com filhote: já que ele ia ganhar alguns presentes, que tal separar uns brinquedos que não usa mais pra dar para uma criança que precisa? Gutão fez algumas perguntas ("ela não tem dinheiro pra comprar?" foi a mais surreal) e algumas imposições ("não quelo dá minha escavadeila") e topou a troca. Amanhã vamos dar uma geral nos brinquedos, fazer pacotes bem bonitos e deixar com uma vizinha, diretora de uma creche que funciona aqui pertinho de casa. Quero que filhote aprenda, e isso só se dará com exemplos nossos, que receber é uma delícia, mas dar pode ser melhor ainda. E que compartilhar faz um bem enorme pra gente -- principalmente compartilhar com quem não tem acesso a coisas que para nós podem parecer "mais do mesmo".
Bom, o ato de presentear faz parte do nosso dia-a-dia. Presentear com um passeio diferente, um desenho, um bombom, um livrinho, ou um brinquedo que a gente sabe que vai fazer Gutão soltar a imaginação. Já percebi que filhote tem preferência por presentes pequenos, aqueles que ele pode carregar sozinho e levar em suas andanças dentro e fora de casa. E sabe que fica ainda mais fácil estimular a brincadeira quando tamanho e formato não é documento? O aspirador virou carro de corrida do moleque e ele passa o dia empurrando o dito pela casa. Às vezes, pára, diz que quebrou a roda, me chama --"Vem, mamãe, você é o mecânico"-- e fica todo faceiro quando eu digo que o carro já pode andar outra vez. A luva de silicone azul, de pegar panelas na cozinha, virou o "Tutubarão", o amigão que fala grosso e acompanha Gutão na hora de fazer xixi, comer, dormir...Mas, em geral, só serve se sou eu quem coloco a mão lá dentro e faço a tal "voz" engraçada. Aliás, eu adoro brincar criando personanges e fazendo vozes pros bonecos, bichinhos, carrinhos, e Gutão aprendeu a fazer o mesmo. Até a Pig tem uma vozinha só dela, que, na versão dele, fica tão engraçadinha!!! Falando nela, coitada, tá podre de suja, de amarela já virou meio acinzentada (e olhe que ela "toma banho" toda semana!), mas Gutão tem um amor tão grande por essa porquinha! Ele cuida dela, conversa, dá comidinha, coloca pra dormir e pede pra puxar o cobertor "se não, ela vai ficar com frio".
Pena que filhote encerrou a semana das crianças com o nariz super entupido e uma tosse chata que só vem à noite. Ontem, a madrugada foi show de horror. Levantei de hora em hora, dei xarope, deitei junto, fiz inalação e nada ajudou meu Gutão a dormir melhor. Quase cinco da matina, o Rô trocou de lugar com ele na nossa cama pra ver se eu conseguia algumas horas de calmaria. Ao meu lado, filhote até ressonou um tantinho, mas bem antes das sete já tava, todo falante, de olhão aberto. Tou moída, parece que um caminhão me atropelou, sabe assim? Mas tou segura que ficar junto é sempre o melhor remédio nessas horas chatas. E vamo que vamo que amanhã é sabadão e a lista de coisas a fazer em casa é grande!
posted by JULIANA DE MARI 3:51 PM
Haja paciência
A novela do desfralde continua. Gutão só tem colocado a fralda pra dormir (ou para sair, quando vamos passar muito tempo no carro). Na escola, o uso do banheiro tem sido constante. Vez por outra, ainda escapa um xixizinho e ele tem que trocar a roupa por lá, mas tem sido cada vez mais raro. Já em casa...Bem, em casa, filhote usa o pinico, desde que a gente o convença a isso. E haja repertório e paciência pra dar conta desse "convencimento". Tem carrinho que vai fazer xixi junto, tem onça que mora no banheiro, tem privadinha da Pig, tem o "desafio" do xixi colorido (que cor será que tem o xixi de hoje?) e por aí vai.
Gutão ainda não aprendeu a avisar que tem xixi pra fazer. Diz, sim, só que imediatamente depois de ter feito na fralda. E não é por quê não tenha registrado o que a gente ensinou. Ainda agora, xixi na calça pela terceira vez no domingão, eu pergunto, muito na boa, porque ele não me avisou que estava com vontade. Ele muda de assunto. Eu insisto: "O que tem que dizer quando dá vontade de fazer xixi?". E ele responde: "Quero fazer xixi no piniquinho". Hã-hã.
Na teoria, tudo ótimo. Na prática, haja santa paciência. Eu sei, eu sei, há o tempo dele, há o aprendizado de se controlar, há todo o lance de deixar alguma coisa "sair" do corpo e tal e tal, mas como é cansativa essa rotina de põe cueca, molha cueca, limpa bumbum, troca tudo, ensina, explica, faz cara de paisagem pra não dar idéia de que ele está fazendo algo "errado" (ele está aprendendo simplesmente)...putz. Só hoje foram três vezes no pinico contra cinco na calça!!!!! Sem falar que coco não rola de jeito nenhum no pinico. Só na cueca. Quando vou trocá-lo, levo ao banheiro, faço a ceninha de dar tchau pro coco, jogo na privada, e tal e tal, mas filhote segue achando que coco é "nojento". Não sei de onde veio essa idéia, talvez tenha vindo até de algo que a gente mesmo falou em casa, mas estou trabalhando para explicar o contrário: que depois que a gente come, dá vontade de fazer coco, e que coco é fedido, sim, mas não é nojento, não. Todo mundo faz coco. E fazer coco é bom e dá um baita alívio na barriga da gente (fala sério, se não dá?). Gutão concorda com tudo, dá tchau pro dito na privada, até avisa quando dá vontade, mas não deixa levar pro pinico nem sob tortura.
Enfim, é ensinar, ensinar, ensinar. Respirar fundo, ter paciência, fazer muuuuuuita cara de paisagem e seguir torcendo pra esse aprendizado se dar em um tempo razoável.
Eu, confesso, tenho me irritado um pouco mais com Gutão ultimamente, principalmente quando ele insiste em me bater no rosto. É tapa, soco, puxão de cabelo, carrinho na boca. Ah, não. Não aceito isso. Dou bronca mesmo, boto de castigo mesmo, e, às vezes, perco a estribeira e falo alto, fico braba e não consigo esconder essa irritação (tá, eu sei, eu deveria me manter tranquila, dona de minhas emoções, se quero dar o exemplo, mas tem hora que simplesmente não dá!).
Hoje, depois de um momento desses (eu levei um soco com um carrinho na boca e Gutão foi direto pro castigo), conversei com filhote, disse exatamente o motivo da bronca e pedi pra ele colaborar nessas "rotinas": escovar os dentes, trocar o pijama, colocar a fralda ou fazer xixi no piniquinho. Expliquei que tem hora que a mamãe não vai negociar: há certas coisas que precisam ser feitas e pronto. Mas que esses momentos sempre podem ser mais divertidos se ele colaborar comigo e, aos pouquinhos, for aprendendo a se virar sozinho. Sim, Gutão tem só dois anos e oito meses. Ainda precisa de supervisão, ainda precisa de educação, ainda precisa fazer aquilo que "pai e mãe" julgam que é o melhor pra ele.
Pra terminar a história, depois da conversa, Gutão passou a mão no meu "dodói", pediu "depuca" meio a contragosto, e seguiu dizendo: "Não quelo colocá a cueca". Ai, ai, ai.
posted by JULIANA DE MARI 9:08 PM
Vale a reflexão
Eu sou fã da Rosely Sayão, psicóloga e educadora, que mantém um blog no UOL. Para quem não a conhece ou para quem ainda não teve a chance de refletir sobre a verdadeira missão de ser pai e mãe, aí vai um artigo que me tocou profundamente. Difícil é, certamente, mas é tão importante a gente estar consciente do papel de guiar e preparar nossos filhos em direção à melhor vida futura que eles possam escolher, né? Um pedido: compartilhem comigo depois o que acharam do texto. Assim, o blog vai cumprindo a contento seu segundo papel (o primeiro é registrar o dia-a-dia do meu Gutão!): o de ser disseminador das "boas práticas e reflexões" da maternidade/paternidade!!
"Pais e filhos: ligação direta"
Por Rosely Sayão
É, parece que os pais querem mesmo permanecer bem perto dos filhos. Mesmo e quando estes vivem o tempo em que precisariam aprender a viver longe de seus pais. Claro que isso ocorre lentamente: esse é um aprendizado não linear, em que cada passo deve ser ensinado, incentivado e, o filho, para dar tais passos, precisa ser encorajado. Isso é educar e preparar para o futuro: os pais precisam dar um passo para longe dos filhos sempre que estes mostram condições de dar um passo sozinhos. Afinal, se há um relacionamento amoroso que só dá certo se termina em separação, esse é o relacionamento entre pais e filhos.
Nos tempos loucos em que vivemos é muito fácil perder a perspectiva de que educar é compromisso com o futuro e não com o presente. E, com esse esquecimento, temos investido tudo o que podemos e até feito sacrifícios para atender os filhos agora, mas ao agir assim temos comprometido o futuro deles.
O fato é que temos criado uma geração de jovens frágeis, dependente dos pais e de outros adultos, que têm dificuldades em assumir responsabilidades e encarar a maturidade. Já temos inúmeras constatações a esse respeito. Mas, parece que temos os olhos vendados para essas questões. O nosso querer mais intenso é mesmo ficar perto dos filhos.
Dar um celular ao filho e pedir que ele leve à escola para usar em caso de urgência de contato com a família é apenas um indício disso. Pais defendem que os filhos devem poder falar com eles, mesmo no horário escolar. Por quê? Um artigo em uma revista de psicologia dos Estados Unidos já afirmou, há mais de um ano, que o celular é hoje o cordão umbilical que une os filhos a seus pais.
Agora, temos outra moda importante que colabora ainda mais para que os filhos permaneçam profundamente ligados a seus pais: muitas faculdades têm convocado os pais dos alunos calouros para reunião, pode? ¿Pode e deve¿, afirmam os pais que, orgulhosos, comparecem em massa a essas reuniões. Ponto negativo para esses jovens que, assim, perdem mais uma chance de assumirem eles mesmos a responsabilidade com sua vida. Os jovens parecem gostar da novidade porque ela facilita muito a vida deles. Mas eles não sabem que, assim, perdem também a chance de caminhar em direção à liberdade.
Mas, hoje faz muito mais sucesso em nossa cultura atitudes como essa do que as que tentam engajar os jovens e as crianças na vida como ela é, não é verdade? Afinal, todo nosso foco de visão está muito mais voltado para o tempo presente do que para o futuro.
Os filhos nascem para a vida própria quando o cordão umbilical é cortado na hora do parto. Daí em diante, é tarefa dos pais reafirmarem esse corte. E não é que, pelo jeito, temos feito o possível e até tentado o impossível para reconstruir tal cordão?
Um colega disse que ele não gostaria de ser jovem nos tempos atuais porque eles têm pouca liberdade, entre outras coisas. Devo dizer que ele tem boas razões para chegar a essa conclusão. Agora até detetive particular é acionado pelos pais para obter informações dos filhos! Claro que as justificativas são as melhores possíveis: proteger o filho, por exemplo. Mas celular, reunião na faculdade, detetive particular, são estratégias usadas para proteção ou para controle dos filhos? Sou mais pela segunda hipótese.
posted by JULIANA DE MARI 6:24 PM