Quem sou eu?
A Mic me convocou e eu aceito o desafio de contar cinco coisas que ajudem vocês a me conhecer melhor. Não é fácil fazer essa "triagem", mas vamos lá, vou registrar as primeiras que vierem à cabeça:
1) Eu choro muito. Choro vendo televisão, choro de pensar na vida, choro de alegria ao ver Gutão tão grandão, choro de felicidade quando penso em todas as coisas boas que já me aconteceram. Choro ao ver criancinha na rua, choro ao ler um texto bem escrito, choro ao lembrar da minha terra, da minha "casa". Nem sempre é choro de tristeza, não. É choro pra limpar a alma, sabe assim? Dia desses até minhas amigas do trabalho se surpreenderam com esse lado emotivo. Fomos visitar uma amiga na maternidade e, diante do berçário cheio de nenezinhos recém-chegados, eu desatei a chorar. Nem a mãe do moleque acreditou!!
2) Eu sou viciada em coca light . Ok, ok, eu sei que faz mal, que dá celulite, que "derrete" o estômago (hahahahaaa), mas eu gosto. E não vale a coca normal. Tem que ser light (pelo sabor, nem tanto pela nóia das calorias). Tomo praticamente todo dia, bem geladinha. Adoraria contar pra vocês que sou viciada em suco de frutas, mas não rola. De laranja, desde a gravidez, não desce, me dá ânsia de vômito, acreditem se quiser. De melancia, me dá enxaqueca. De limão, nem sempre é fácil encontrar. De uva, esse, sim, eu gosto muito e tomo todo dia um copão no café da manhã. Mas é industrializado, deve fazer meio mal igual...Enfim, mais dia menos dia, eu faço uma dieta de desintoxicação e, quem sabe, reduzo o consumo de coca só ao final de semana. Olha aí, pode entrar na lista de resoluções de Ano Novo pra 2007!
3) Eu a-do-ro revistas . Sou jornalista de profissão, mas minha paixão por revistas é coisa que vem praticamente do berço. Tenho fotos bem pequena, com coisa de dois aninhos, sentada no piniquinho, e uma revista em quadrinhos nas mãos!!! Aliás, tenho várias fotos sentada no piniquinho. Pô, mãe, que invasão de privacidade, hein? :-) Fato é que adoro ver as páginas, a composição das fotos, cores e artimanhas dos editores transformando uma pauta em "movimento". Compro tudo o que me chama atenção na banca. O móvel da nossa sala, na real, parece, ele, a própria banca. Das brasileiras, a Vida Simples é uma das que mais me agrada aos olhos (e ao intelecto também). E a Nova, que particularmente não me toca quanto ao conteúdo, tem uma direção de arte de tirar o chapéu. Você olha e reconhece a revista de bate-pronto. Já a Esquire, americana, é outra que me faz babar. É sofisticada no conteúdo e na forma. Do trabalho em revista o que mais gosto é isso: a possibilidade de pensar no conjunto, de ampliar as fronteiras da edição além-texto.
4) Eu tenho tara por sapatos . Não chega a ser uma coisa, assim, Imelda Marcos, mas meu armário está abarrotado. Sapatilhas e sandalinhas baixas, em sua maioria. Adoro. Acho gracioso e chique. Não gosto muito de salto alto. Dependendo da ocasião faz parte, mas não me sinto "eu" pisando nas "alturas". Se a combinação for terninho e salto alto, então, vixe. Eu fujo disso como o diabo foge da cruz. Bom mesmo são aqueles chinelos tipo Birkenstorken, macios, macios, dedinhos livres ao vento! E já que o assunto é esse mesmo, eu revelo mais uma na carona: adoro moda. Não sou das mais ousadas, não sou fashionista, mas gosto de colocar um ponto contemporâneo, digamos assim, no visu diário. Em geral, tendo a ousar mais nos acessórios do que no guarda-roupa em si. Daí, a tara pelos sapatos.
5) Eu acredito em astrologia Não sei "ler" nem calcular mapa astral, não se trata disso. Mas já fiz vários mapas, em momentos diferentes da vida e por meio de serviços diferentes (virtuais e presenciais), e sempre fiquei impressionada com o tanto que essa leitura do céu na hora do nosso nascimento pode revelar de tendências pra nossa vida. O último mapa que fiz foi via Personare. Desse aí, virei fã de carteirinha. Fiz meu mapa, o do Rô e do Gutão. Fiz também a revolução solar, que é a tendência para o ano a partir do aniversário. Gente, impressionante como indicou coisas que, de fato, estão se apresentando!!!! Estava escrito lá, por exemplo, que este seria um ano de reconhecimento profissional e de confirmação da minha vocação. De fato, estou trabalhando que nem uma camela, mas estou realizada como poucas vezes na vida. O bacana é que o astrólogo, o Alexey, não é fatalista. Sempre ressalta que o céu indica tendências. Se elas vão se concretizar ou não, daí já tem a ver com as escolhas que cada um vai fazer. E como eu acredito no poder das escolhas, acredito que crio a minha sorte, eu super tenho "escutado" esses conselhos.
posted by JULIANA DE MARI 12:08 PM
Estréia
Confesso que tava sem saber muito bem por onde começar a transição da fralda pro pinico. O dito já habita o banheiro há uns bons meses, mas o incentivo para que seja usado não tem sido constante. Sei lá, eu tendo a achar que é melhor respeitar o tempo da criança, deixando-a dar sinais de que está pronta a assumir os novos aprendizados, do que ficarmos, nós pais, formatando um tempo e um aprendizado pelo qual ela não demonstrou o menor interesse. Enfim.
Hoje pela manhã, eu e filhote em casa, enquanto o papai foi surfar com um amigo, e na hora de trocar a fralda, ele pede pra ficar sem. Ok, no worries. Ficou. Deitado na cama dele, cantando "Capelinha de melão, é de São João...", minutos a fio. E não quis saber de colocar fralda sob hipótese alguma. Brincamos um monte, demos muitas risadas, e eu perguntei várias vezes se ele queria fazer xixi ou colocar a dita. Não, não e não. Passamos um bom tempo vendo a rua da janela do quarto. E filhote me perguntou, lindamente: "Mamãe, a gente voa?". Eu achei tão bonita a questão que não quis reduzir a um "sim, filho, a gente voa de avião". Falei pra ele que "sim, filho, nos sonhos, a gente pode voar. É só fechar os olhos pra ver". Ele ficou pensativo e depois perguntou se a borboleta morde, se a mariposa é braba e se o passarinho canta. Gostei, filho. Todos têm asas, todos sabem voar. Olhando a rua na janela, eu disse pra ele que ele é meu amigão. E ele disse que "gosta muito disso".
Voltando ao assunto do post, Gutão só deixou trocar a fralda na hora que bateu o sono da manhã. Logo depois, eu percebi que, em algum momento, ele tinha feito xixi no chão do quarto da TV. Tudo bem. Filhote dormiu gostoso no futon do quarto da TV e acordou falante e feliz, com a visita da Alê, que veio almoçar com a gente. Comeu relativamente bem, ganhou sorvete de sobremesa, recebeu o papai e o amigo Pirica cheio de sorrisos. Mas passou o dia chamegando comigo. Todo dengoso, agora, além de imitar um gatinho e vir pro meu colo ganhar carinho, deu de imitar um cachorrinho. O nome? Segundo ele, é a Luci!!! Sabe lá de onde tirou isso. E sabe que a Luci tem até voz própria? Igual eu mudo pra fazer a da Pig, Gutão faz a da Luci.
À tarde, Gutão foi levar o amigo do papai no aeroporto e quando voltou pra casa encontrou os amigos seus próprios amigos em casa, Miguel e Nina. Esses três ainda vão dar muito o que falar! Gutão adora fazer carinho na Nina. Até pega a fofucha no colo, e fica todo cuidadoso arrumando as mãozinhas dela, uma graça. Agora também, tudo o que um menino faz, o outro imita. Sentaram, Miguel e Gutão, na mesa da sala, cada um com seu pote de pipoca, e, a cada posição que um escolhia, o outro copiava. A Nina, querida, já começou a dar gargalhadas. É só eu puxar papo que ela se abre num sorriso banguela lindo, lindo. Que alegria!
A noite chegou com filhote zonzo de sono. Até olheiras tinha, tadinho. Nem aguentou ver o filme novo, que escolheu na Fnac: "A era do Gelo". Deu algumas risadas e foi ficando molinho, molinho. E lá vamos nós, pro quarto dele, trocar a fralda. Tirei, limpei o bumbum, passei pomadinha e ele não quis saber de colocar outra de volta. Disse que queria ficar sem. E pediu pra ir no banheiro fazer xixi. A gente foi, ele sentou no pinico uma, duas, três vezes. Sentava, mexia no pinto, fingia que tinha feito xixi, fechava a tampa do pinico, fingia dar descarga e começava tudo de novo. Até que, acho que na quarta simulação, o xixi veio de verdade!
ÊBA, filhote fez, espontaneamente, seu primeiro xixi no piniquinho!!! Que orgulho!!!!!!!! Depois do xixi, ainda pegou papel e limpou o bumbum e o pinto, figuraça. E seguiu pra cama dele, deixou colocar a fralda pra dormir, como se nada demais tivesse acontecido. E eu volto a pensar que é melhor assim, oferecendo as novidades no tempo dele. Daqui por diante, vamos começar a tirar a fralda gradativamente. Já disse que sempre que ele quiser fazer xixi no pinico é só avisar pra mamãe, pro papai ou pra bá que estiver por perto (sim, temos duas agora, coisa pra outro post).
Ah, meu filho, é isso: meu nenê tá crescendo, virando o meu menino grande. Que dia lindo a gente teve hoje. Dorme bem, voa bastante no teu sonho. Te amo.
posted by JULIANA DE MARI 9:51 PM
Fortes emoções
Gutão ontem foi na otorrino com o Rô. Graças aos santos, o ouvido melhorou e, de maneira geral, ele tem progredido no tratamento. Depois da médica, pausa pra brincar com o Miguel e pegar a Nina no colo, lá na casa dos dindos. Cheguei do trabalho e os moçoilos ainda estavam na rua. Deduzi que, quando chegasse, Gutão ia estar bem cansadinho, pronto pra tomar o leite e capotar. Hã-hã.
Gutão chegou todo feliz. Contou que pegou a Nina no colo, perguntou se ela tem "língua", e foi-se, falante e feliz, brincar com os carrinhos no quarto da televisão. A essa altura, eu tava morta, esgotada. Passei o dia morrendo de sono, cansadíssima, e realmente tudo o que queria era um beijo, um abraço e minha cama. Mas filhote resistiu e não quis saber de botar o pijama nem de se encaminhar pro seu quarto. Por volta das 22h, dei o ultimato: hora de trocar de roupa, tomar o leitinho, colocar o remedinho no nariz e dormir. Pra sorte minha, antes disso, Gutão tinha, voluntariamente, feito inalação. Fica encantado com a "fumacinha". Coloca no nariz, sozinho, liga e desliga, conta até dez antes de tirar a máscara, um figura.
Pois bem, no momento em que decretamos o fim do dia, Gutão surtou. Queria porque queria lavar a petita na pia do banheiro. O Rô explicou que não ia rolar. Que o papai tava com dor nas costas de carregá-lo no colo e que a água da torneira tava muito gelada. Pensa que ele engoliu a explicação? Berrou e berrou e berrou, e chorou lágrimas de crocodilo. E veio pra cama contrariado. E ficou de pé na dita cuja. E eu, calmamente, tentando colocar o pijama e trocar a fralda do meu pequeno guerreiro. Aí, ele cismou que queria ficar sem fralda. E eu explicando que não dava, que tava frio, que ele ia fazer xixi na cama, ia ficar molhado, não ia conseguir dormir direito. E ele chorando, chorando, gritando, se esgoelando, pra falar a verdade. E eu tentando manter a paciência e repetindo não, não vai dar, não vou deixar. Até que ele, possesso, vermelho, cheio de lágrimas, me olha e diz: "Qué matá a mamãe".
Putz, oscilei entre chorar e rir, juro a tu. Forte, né? Mas relativizei e perguntei se ele tava brabo. Disse que "matar a mamãe" não é uma coisa legal de dizer, que a mamãe fica triste, mas que ele tem outras coisas pra nos dizer sempre que se sentir chateado. Aí, ele disse, já quase caindo de sono, tadinho: "Tô irritado". E deixou que eu trocasse o pijama, a fralda, arrumasse a cama e o colocasse, abraçadinho, ao lado da Pig. E dormiu. A noite toda sem chamar.
E eu fui pra cama pensando no tanto de coisas que esses pequenos têm que processar, em como deve ser intensa a vidinha emocional deles, e em como é fundamental a gente estimulá-los a botar pra fora o que estão sentindo de bom -- e de ruim também. Tenho confiança no nosso amor e sei que Gutão "só queria me matar" momentaneamente, assim como tenho certeza que, em muitos outros momentos, ele vai querer que essa mãe aqui se exploda! Foi assim comigo e com a minha mãe muitas vezes e é assim que caminha a humanidade. Tomara Deus que a gente consiga saber se ouvir e se respeitar quando a raiva for mais forte que a vontade de dar ou ganhar um abraço.
Hoje filhote acordou falante e feliz, enchendo a casa de alegria. Pediu iogurte e requisitou minha presença a seu lado. Depois, olhou pra mim e perguntou: "Você me ajuda, mãe?" (a raspar o potinho de iogurte!). Sempre que precisar, meu filho. E com o maior prazer.
posted by JULIANA DE MARI 11:43 AM
A peleja nossa de cada noite
Noite de terça-feira, por volta das 21h30. Mamãe sentada na cama, tentando botar filhote pra dormir:
"Que balulho é esse?"
"A vizinha chegou?"
"Tô tô medo da vizinha"
"Qué leitinho"
"Mamãe, cê qué um pouquinho?"
"Não qué bota o pijama"
"Por baixo, mãe"
"Qué o coelhinho rosa"
"Ele come cenoula?"
"Qué botá o coelhinho pra domi no travesselo"
"Qué domi na cama da mamãe"
"Cadê o Rô?"
"Faz calinho na perna, mãe"
"Mosquito modeu o pé, faz calinho mãe"
"Qué pegá o palhacio"
"Tem medo dele"
"Qué escová o dente"
"Bota mais pasta, mãe"
"Vô escová beeem devagalinho"
"Devagalinho, mãe!"
"Qué domi na cama da mamãe"
"Essa cama não é confotável"
"Domi aí, mãe"
"Cada um não tem a sua cama"
"Deita aí, mãe"
"Que balulho é esse?"
"O elevador faz balulho?"
"Acende a luz, mãe"
"Qué a Pig"
"Cadê o Papai?"
"Domi aí com o eu, mãe"
"Não qué domi!"
"Qué a histolia da Ana"
"Ela uma vez..."
"A Ana tem pé, mãe?"
"Qué vê o livro da Ana"
"Deita aí, mãe"
"O mosquito modeu o pé, tira a meia, mãe"
"Faz calinho na pena, mãe"
"Qué a Pig"
"Papai já chegou?"
"Canta a música do Batman, mãe"
(HEIN??????)
Noite de terça-feira, 22h40. Enfim, Gutão dorme.
posted by JULIANA DE MARI 10:42 PM
Esperteza
Gutão é um figuraça. Foi dormir todo feliz agora há pouco, depois de um dia animadíssimo. Dia dos Pais teve direito à pracinha com o Rô pela manhã, almoço num lugar bem gostoso a três, visita ao Pedroca, do Julio e da Patty, muita brincadeira em casa, banho de chuveiro -- sozinho!, muita risada e muitos beijinhos. Filhote curte tanto a nossa companhia. Dá gosto brincar com ele. Ele corre, grita, fantasia, cria histórias e personagens, um barato. Teve uma hoje que foi muito engraçada. Gutão pegou um carrinho e disse que o papai da Pig ia trabalhar. Eu perguntei onde. E ele respondeu fazendo referência ao lugar onde o Rô trabalha. E a mamãe da Pig, eu quis saber. Ele respondeu que ela também ia trabalhar -- adivinhem onde? Onde eu trabalho, claro.
Engraçado ver como essas coisas ficam na cabecinha dos pequenos. O que a gente faz, o que a gente fala. Tudo isso vai criando referências sobre a família, o mundo, a dinâmica da vida. À tardinha também, Gutão saiu correndo pra janela. Subiu no Futon do quarto da TV sozinho. Pra quê? Pra dar tchau pro sol, coisa linda (moramos no último andar, em um terreno que não tem prédios na frente, e sempre curtimos esse privilégio em São Paulo: ver o pôr-do-sol da janela de casa). Um pouquinho depois, um vizinho resolveu soltar fogos. Já tava escuro, eram luzes lindas e eu chamei Gutão pra ver comigo. Filhote não só não se assustou com o barulho, como ficou pedindo mais. Aí, eu expliquei que o vizinho já tinha terminado e que não tinha outro "foguete". Ele me olhou, muito sério, e disse: "ah, acabou a pilha". :-)
Antes de dormir, levei Gutão pra lavar os pés no chuveirinho. Ele pediu pra tirar a roupa. Me perguntou se eu tinha pinto. Eu disse que só meninos têm pinto. Ele pediu pra tomar banho. Entrou sozinho no box, ficou em cima do tapete, segurou o chuveirinho e tomou. Molhou o pescoço, a barriga, as costas, bem bonitinho. Só não se ensaboou sozinho, ainda não aprendeu essa parte! Depois do banho, veio pro meu colo, e ficou imitando o choro do Pedroca. Olhou pra mim e perguntou: "O Pedro fala?". Eu disse que não, que ele choraminga porque ainda não sabe falar. Gutão respondeu: "Eu sabe".
posted by JULIANA DE MARI 9:54 PM
Vivendo e aprendendo a viver
Não tem outro jeito a não ser esse aí de cima, né? A gente aprende a viver, vivendo. A gente aprende a ser pai e mãe, sendo. Gutão tá naquela fase que os americanos apelidam de "terrible twos". A fase do não quero, do não vou, do gritar até doer nossos ouvidos, do jogar todos os brinquedos no chão quando é contrariado ou quando fica irritado, e por aí vai. Totalmente típico de quem está se descobrindo um ser autônomo. Pra lidar com isso, muita paciência, muito jogo de cintura, muito foco no que realmente queremos que ele aprenda nessa vida. Tem horas que a gente perde a estribeira, claro. Quando junta birra de um lado e cansaço do outro, pronto, explode, mas eu tou fazendo um esforço grandissíssimo pra manter o foco, pra respirar dez vezes, pra "mudar de assunto" e oferecer outra possibilidade ao meu filhote.
Li num artigo da revista Vida Simples outro dia, uma frase muito bacana do Jean Piaget: "Valores são investimentos afetivos". Achei uma definição preciosa. Fiquei com isso na cabeça e, agora, toda vez que tou prestes a perder a paciência com Gutão, ela volta. Eu quero ensinar ao meu filho que vale a pena ouvir, que vale a pena respeitar, que vale a pena conversar, que vale a pena aceitar a diferença. Se é assim, preciso me portar de acordo, certo? Com os outros e com ele, principalmente. Preciso estar aberta a respeitar o tempo dele, o jeito dele, a opinião dele. Estar atenta para incentivar o que ele faz de melhor, em vez de ficar com a lente voltada apenas para aquilo que ainda não conseguiu fazer -- como eu gostaria que fizesse.
Em vez de querer controlar o que meu pequeno faz, como faz, por quê faz, eu preciso é estar focada em ajudar meu filho a se controlar. A aprender a lidar com suas emoções, a deixá-las vir à tona, a manejar a frustração e a curtir a realização. Difícil missão, certamente. Mas é tão grandiosa, tão gratificante, tão bonita. E sou eu quem mais aprendo nessa trajetória. E que páro e penso, e reflito, e volto atrás, e quero mudar, e quero ser melhor, e quero investir em ser uma pessoa mais honesta e mais justa na vida. Não é fácil, não. Mas eu me animo em tentar.
Segunda passada, nasceu o Téo, filho da Anne e do Marcelo. Na terça, fui visitar. A mãe passa bem, o pai tá todo bobo, o guri é fofo, todo cabeludo. Eu fiquei ali, vendo aquele toco de gente pelo vidro do berçário, lembrando de como Gutão nasceu, da emoção que eu senti, da importância que a chegada dele teve --e tem-- na minha vida, enfim. E chorei. Chorei mesmo. De felicidade, de agradecimento a Deus por ter uma família, de ver aqueles serzinhos tão prontinhos e, ao mesmo tempo, tão dependentes do amor da gente. Ter um filho é uma benção. Que compensa toda e qualquer mudança, que compensa todas as horas em claro, que vale todo e qualquer esforço.
Gutão, definitivamente, não tem uma mãe superficial. Sou complexa, reflexiva. Intensa. Sensível e emotiva, muito. Sofro as dores do mundo. Sinto as dores dos outros. Meu campo "psíquico", digamos assim, capta o que muita gente nem imagina...E dá-lhe pensar, e repensar, e processar, e mastigar essas energias, pra conseguir me manter no meu eixo. Impressionante que eu sinto que Gutão sente um tantão também. Talvez por ser criança e ter todas as anteninhas ligadas. Fato é que, se a casa está nervosa, se papai e mamãe estão agitados, se algo está mal resolvido, Gutão reage. Com o corpo. Com raiva, com choro, com explosões. Bacana é que deixa vir. Bacana é a gente, eu e o Rô, estar ciente de que, muitas vezes, a irritação é um sinal. De que ele precisa de mais atenção, de mais presença, de mais abraço.
A gente tem tentado. E tem feito correções de rota toda vez que empaca em um "sintoma" que foge à fase que Gutão deve viver para justificar seu crescimento. Aos dois anos, por exemplo, é normal ter chilique, querer impor sua vontade, brigar contra os limites. Saudável que seja assim mesmo. Acho que lá em casa tá dando um samba bom. Sem juízo de valor, vai. Certo ou errado, existe isso no caminho de um pai e de uma mãe? Sei não. Acho que existe uma escolha, um convicção, uma vontade. De fazer o melhor pelo filho, sempre. Se o filho vai entender, vai reconhecer, vai isso ou aquilo, aí já são outros quinhentos. Mas encarar essa missão esperando aplausos de volta é tãooo mesquinho.
Eu vou ficar bem feliz se, daqui a alguns anos, vir meu filho crescendo sorrindo, saudável, pelo caminho do bem, e sabendo ouvir, a ele próprio e aos outros. Isso feito, o resto, que a gente plantou juntos desde pequenininho, há de germinar naturalmente.
(Tou no trabalho ainda. Coração apertadinho. Exceção à regra, hoje não vai dar pra colocar Gutão pra dormir. Fico triste, mas eu sei que ele sabe que, quando eu chegar, vou lá correndo dar um beijo de boa noite, bons sonhos).
posted by JULIANA DE MARI 9:20 PM
Causos
Ontem, depois da soneca da tarde, da qual filhote sempre acorda mal humorado, veio o queixume. Gutão chorou e chorou e chorou. E disse que tava com dor de garganta. E eu e o Rô nem hesitamos: demos um banho quentinho no guri, leitinho pra encher a pança e fomos pro Sabará, investigar as "dores". Gutão ainda tá fazendo tratamento pra conter a rinite e cuidar das sequelas das otites e, qualquer sinal de congestão e tal e coisa, já nos preocupa. Dessa vez, no entanto, graças a Deus, é só um resfriado mais forte. Eu e ele estamos assim, garganta coçando, tosse seca, nariz escorrendo, um saco. Ele olha pra mim e diz: "tou resfriado". E eu digo de volta: "eu também, filho". Aí, ele devolve: "eu também, mãe".
Conversar com Gutão é uma das coisas que mais me dá prazer na vida. Ele tem um jeitinho meigo de se expressar, tem entonações que acompanham cada expressão. Fala com as mãos, como eu. E conta os detalhes dos acontecidos, sabe? Solta umas frases mui engraçadas. E já coloca suas vontades com muita propriedade. Filhote ontem escolheu a camiseta que queria usar -- "a do JimHendrix". Eu peguei a marrom, de mangas compridas, afinal ainda parecia que o inverno ia vingar. Gutão retrucou: "Quero a outra, a azul". Escolha posta, eu improvisei outra por baixo e a do JimHendrix, como ele diz, por cima. Na hora de escolher o restaurante, já estávamos na porta de um italiano simpático perto de casa, quando ele, desconsolado, disse que queria almoçar "naqueeele" da Vila Madalena. Aliás, adoooora passear na Vila esse guri! E lá fomos nós, pro cantinho de sempre, onde as meninas conhecem Gutão desde a barriga, onde ele passeia de colo em colo, onde ganha beijos e o direito de fazer a bagunça que quiser no jardim. É um dos poucos lugares que eu e o Rô conseguimos ir a três e ter algum momento pra conversar só nós dois! Mas filhote tava com sono e, pra variar, não comeu quase nada do almoço (com a babá, come que é uma beleza...). Passou o almoço enchendo a caçamba dos carrinhos de pedrinhas. A certa altura, veio sentar ao meu lado no banco de madeira e disse: "Tô caindo de sono". Achei o máximo!
Gutão ontem se saiu com uma hilária. Estávamos brincando e eu perguntei como era o nome do papai de um bonequinho. Ele disse que era "papai Rodrigo". E o da mamãe dele, Gutão? E ele: "mamãe Rodriga". :) E no hospital, especializado em crianças, na área da brincadeira, uma enorme pista para os carrinhos. Gutão chega da consulta e os dois carros já estão ocupados. Aí, ele olha pra gente e diz, emburrado: "Qué ficá irritado". E eu explico que quando ele tá andando no carrinho, os amiguinhos esperam. Então, quando os amigos estão andando, ele precisa esperar também. Ele não gosta muito, não, mas fica ali, balançando as perninhas, esperando sua vez. Ah, filhote aprendeu a contar até 10!!!! Conta direitinho do 1 ao 10 e, quando chega lá, recomeça, todo orgulhoso. Só que do 5! haahahaaaaahaha
posted by JULIANA DE MARI 9:13 AM
Fantasias
Gutão anda numa fase linda. Brinca sozinho, cria suas histórias, imagina um monte de coisas. Transforma qualquer potinho em "comidinha" e oferece pra gente. Também faz "café quentinho", cheira e diz "que delícia". "Constrói" castelos e pontes e exclama: "ficou maravilhoso". Usa as almofadas pra brincar de garagem, abre e fecha, e encaixa os carrinhos de "ré", um do lado do outro, bem direitinho (ascendente em virgem se manifestando, será?!). E diz que o "Guru", aquele amigo do Pooh (que eu ganhei numa promoção do McDonalds antes dele nascer!), tá dentro de um dos carrinhos. E que o Tigrão tá dirigindo o outro. Ai de mim se invento de dizer que os bichinhos não cabem ali, não. Gutão fica brabo, insiste: "Tá aqui dentro, mamãe, bem pequenininho". E o sofá virou pista de corrida -- ou marginal em dia de engarrafamento! É só eu e o Rô sentarmos na hora em que ele está fazendo seu percurso e pronto, filhote pede pra gente sair do sofá: "sai da rua, mamãe". Eu e o Rô ficamos desalojados, assistindo TV no chão gelado, mas felizes, felizes.
Adora aventura, esse meu filhote. Skate, surf e tudo o que parecer beeeeem radical (tipo se jogar de cabeça do sofá pro colo da gente, por exemplo!) está entre suas preferências. Em casa, a fantasia da vez é a de motoqueiro. Gutão sobe em sua "motoca" (o velocípede azul!), põe o capacete (um que o Rô usa pra surfar) e acelera. Daí, desce da motoca, tira o capacete, pendura na "direção" e fica todo orgulhoso. E põe o dito de volta, e sobe na motoca, e olha pra mim e diz: "volto logo, mamãe". E eu me derreto toda, meu filho!!!
posted by JULIANA DE MARI 4:59 PM