Olha pro céu, meu amor
Véspera de São João, dia de arraial na escola do Gutão. A apresentação da turminha dele começou pouco depois do meio-dia. Gutão foi vestido a caráter: chapéu de palha, camisa xadrez, calça de retalhos e bigodão, claro! Ah, faltou contar da gravata, um arraso. Filhote entrou na escola meio tímido, sem reconhecer direito aquele mulherio usando tranças e avental com motivos juninos. Mas foi com a tia que o convidou a se juntar com as crianças da "classe", a essa altura escondidas dos olhares dos pais babões no corredor atrás do local reservado pra festança. Havia uma fogueira no centro e dois círculos marcados no chão. Gutão me contou ontem: "A tia Velonica disse que tem ficar no X". Estavam lá, os "Xs", indicando a posição de cada cotoquinho na hora da dança.
Sentei no chão, enquanto o Rô ficou em pé, máquina a postos. O cordão de isolamento eram bandeirinhas coloridas que caiam no chão toda vez que um pequenino via o pai ou a mãe e saia correndo pra ficar com eles. Tão bonitinhos, os pequenos caipiras. E veio a hora esperada. Turminha entrou de mãos dadas e foi tomando posição no círculo, aleatoriamente. A Clarinha e a Kailani só choraram. O Bruno, um gordinho fofo, menorzinho da turma, também abriu o bocão. Gutão nem chorou nem sorriu. Ficou no X dele, boquiaberto, literalmente, diante das tias que puxavam a coreografia. Dessa vez, acho que estava com sono porque o máximo que fez foi dar uns pulinhos tímidos. Toda vez que olhava pra "multidão" e nos via, dava um sorriso gostoso. Lindo, meu filhote. Eu cantei, gritei, e dei muita risada diante do atordoamento e da satisfação daqueles pequeninos. As meninas, já percebi, em geral, são mais soltas. A noiva da "quadrilha" do Gutão era uma graça. Uma moreninha de vestido branco e véu que saracoteou um bocado na roda.
Bom, depois de duas músicas, a turma saiu direto pra pescaria e pra comilança. Tinha um monte de comida gostosa, mas eu comi quase nada (não deu tempo: ou eu me divertia com filhote ou comia, né?). Mas pipoca, eu comi. E Gutão também! Passou boa parte do tempo "colhendo" as pipocas que caíam no chão. E haja atenção pra evitar que ele as colocasse, todas, de volta na boca! Filhote ganhou várias prendas na pescaria: um jogo de cartas, um pente, um gira-pião e um daqueles acquaplays, sabe? Tava um dia lindo, de céu azul e sol, e ele não aguentou ficar muito tempo com o chapéu. Deu pra mim, disse que eu ia ficar "uma princesa". Hum-hum.
A escola tava toda enfeitada no tema da festa: "São João da Bicharada", muito legal. As crianças se divertiram um bocado e nós, os pais, idem. Acho bacana esses momentos de "integração". Embora a gente não tenha muito contato, por falta de oportunidade, com outros pais, um ou outro sempre vem trocar uma idéia e tal e coisa. Legal também foi conversar com a professora dele, a querida tia Karla. Ela nos contou que ele anda mais "calmo", menos sentido na hora de dividir os brinquedos, totalmente participativo nas atividades de cantar, dançar e pintar. E disse a Karla que ele fala cada uma que a deixa de queixo caído, igualzinho acontece aqui em casa. Quando a turminha vai lanchar, por exemplo, todos juntos, de mãozinhas dadas, Gutão, às vezes, escapa. E ela diz pra ele: "Gutão, é por aqui". Ao que ele devolve, nas palavras dela: "Eu quelo ir por lá"!!! (É muita independência, meu pai eterno!!!)
Depois do "Sanjão", tomamos um brunch na padaria, vimos um pedacinho do jogo que levou a Alemanha adiante na Copa e viemos pra casa. Gutão chegou capotado. Dormiu umas três horas seguidas. Despertou, me chamou, peguei no colo e trouxe pra ver TV com a gente. E não é que filhote dormiu de novo no meu colo? Ah, coisa bem boa. Fazia tempo que ele não se aquietava assim, deitadinho no meu "coração". Ficou assim uns 20 minutos, tempo suficiente pra eu constatar o quanto ele já cresceu e o quanto o meu amor foi junto. É um amor do tamanho do mundo meeesmo.
Eu amo meu Lolô, meu Tantão, meu Gatinho. Meu menino que gosta de palavras. De falar e de cantar. Pra quem eu canto, e de quem recebo aplauso nos olhos depois da cantoria. E a gente cantou junto, hoje pela manhã: "Olha pro céu, meu amor, vê como ele está lindooooooo". Viva São João! Pra quem tem fogueira na rua, muito milho e muita alegria. Pra quem fogueira é saudade, que essa lembrança aqueça o coração. Sempre. Que ter raízes é garantia de ter história pra contar!!!
PS: Há pouco, Gutão pegou sua cadeirinha de madeira, mandou o Rô sentar e disse que ia "examinar" o nariz dele "igual a dra. Renata" (a otorrino dele). Tá aqui, com barco na mão, fazendo o papel de estetoscópio ou coisa parecida, "examinando" o Rô detalhadamente. Já viu o nariz, os ouvidos, o "umbigo" (hahahahaaa) e o coração. Tá dizendo assim pro Rô: "Fica quietinho aqui", "Não estraga, ainda falta mais um pouquinho". E deu o barco-estetoscópio de presente pro Rô agora. E disse: "Não rasga o presente". E tá ali, pegando todos os brinquedos e dando a mesma "ordem": "Não é pra rasgar, papai", "É um brinquedinho pra você brincar". Na hora do jantar, soltou uma demais. Olhou a foto do calendário (uma igreja de Ouro Preto) e disse que era a casa da Bá. Eu disse que não era, não. Que era uma igreja, lugar de rezar, a casa de Deus e dos anjinhos. E ele devolveu: "Os anjinhos de boa-noite protegem o sono do Gutão". Tá lindo demais, esse menino!
posted by JULIANA DE MARI 10:26 PM
Eu sou nuvem passageira
A nuvenzinha negra parece que tá indo embora. E já não era sem tempo, hein? Gutão reagiu super bem ao antibiótico (depois dos primeiros dias de muita irritação, provável efeito colateral) e não apresenta mais aquele quadro "congestionado". Eu estou melhor da virose. Ainda sofro um tantinho é com a pseudo-sinusite, que ora faz doer o ouvido ora faz doer os dentes ora faz doer o rosto inteiro (vou pedir pro otorrino pra fazer Raio-X e tirar isso a limpo). O importante é que nosso humor está mais alegre.
Domingão vimos o jogo do Brasil na casa da Gica e do Villela, pais do querido Bizi, digo, Gustavo. Gutão não deu muita bola pra seleção, não. Certo ele, né? Que joguinho bem ruinzinho, fala sério. Filhote preferiu ficar indo e vindo no quarto do amigo pra catar os brinquedos que mais lhe apeteciam. Trouxe praticamente todos os carrinhos pro sofá da varanda e organizou um mega-estacionamento. Eu passei praticamente o primeiro tempo inteiro na função-Gutão: almoço, sobremesa, suquinho, troca fralda. Aliás, falando em troca fralda, preciso me preparar psicologicamente pra encarar essa mudança. Acho que está se avizinhando a hora de Gutão aprender a fazer xixi e coco no pinico. Já temos o dito lá em casa. Super bonitinho, tem até tampa. Gutão, às vezes, senta lá e finge fazer suas "necessidades". Pega até papel higiêncio pra limpar o bumbum! O lance é que, de uns tempos pra cá, na hora do coco, ele quer privacidade (certíssimo!). Manda a gente sair do recinto ou sai ele pra sala ou pro quarto da TV pra se "concentrar" sozinho. Bom, deixa rolar.
Outra mudança que temos que encarar em breve, brevíssimo, é o adeus à "petita". Gutão é dentucinho e, por causa da dita, tá ficando ainda mais. A dentista já tinha alertado que era pra dar fim nas chupetas por volta dos dois anos. Muita calma nessa hora. Estamos, primeiro, tentando fazê-lo compreender o porquê de só usar na hora de dormir (estraga o dentinho, a doutora explicou e tal e tal). Depois, vamos partir pro "lixo". Quero ver se negocio com filhote alguma coisa bacana. A dentista incentiva essa troca, sabe? Ele dá a petita para todo o sempre e ganha alguma coisa que valorize muito no lugar.
E valorizar mesmo, Gutão valoriza é a Pig. Como ama essa bichinha! Ela tava tão suja esses dias, mas filhote, doentinho, não queria saber de deixar a gente "dar banho" nela. Ficava andando abraçadinho com a Pig, que de amarela já está quase cinza!, todo querido. É verdade que agora o amor é compartilhado. O Rô trouxe um Tigrão, grandão, de Londres, e filhote anda pela casa com a Pig debaixo de um braço e o Tigrão do outro!
Quê mais? Vamos ter festa junina na escola no sábado, oba. E festa na escola do Theo, da Rê Quintela, no domingo, oba. E estamos, eu e Gutão, tomando geléia real por sugestão dela. Li a bula e fiquei maravilhada com os efeitos prometidos. Diz que é o segredo da longevidade dos chineses. Espero, ao menos, que dê um reforço na imunidade. A Rê diz que com o Theo tem funcionado.
posted by JULIANA DE MARI 1:41 PM
Eu não sou Madre Tereza!
Gutão melhorou um pouco com o antibiótico. A febre passou e ele tem dormido relativamente bem. Digo relativamente porque deu de acordar, de novo, no meio da noite, chorando. E lá vamos nós, acarinhar, cantarolar, colocar a coberta, procurar a "petita" e fazer o bichinho aceitar que tem que voltar a deitar e dormir. Não tá fácil, não. Por causa dos remédios, do dodói ou por causa da "idade", vai saber, Gutão anda terrivelmente manhoso. Fala choramingando e derrama grossas lágrimas por tudo e qualquer coisa. Só quer saber da "petita". A gente já explicou que é só pra dormir (embora nesses dias de doença braba, a dita tenha sido liberada em outros horários), mas o danado pede a todo instante e ainda tem a "cara de pau" de dizer: "Qué naná". Eu posso!
Filhote não tem comido direito na hora em que deveria. Tem aceitado, mais ou menos bem, frutas, iogurte (hoje já se foram 3!!) e o sagrado leitinho. O resto, olha e diz: "Não quelo". E se lamenta, e chora, e fica de bochechas vermelhas até. E fica brabo e joga tudo no chão e diz que "qué quebrá, qué destruí". E fica de castigo umas muitas vezes por dia, e pede desculpa, e diz o motivo, mas volta a fazer tudo igualzinho assim que levanta do pufe. Com a comida, tou insistindo um tanto, mas não tou fazendo grandes batalhas por isso, não. Na hora em que o apetite voltar, tenho certeza que ele volta a comer direito. Agora, de disciplina, não vou abrir mão. Em geral, tenho bastante paciência pra lidar com os ataques, tenho tranquilidade pra explicar o tá errado e o que é certo, tenho foco na tarefa de educar e entendimento pra lembrar que ele é criança, tá doente, tá irritado. Mas é que eu também não tou me sentindo 100%. Sei lá, tou meio fraca, com a barriga ainda doendo, essa dor maldita fazendo doer rosto e ouvidos, o humor oscilando, uma beleza. Faço uma força danada pra me manter serena e não descontar no meu bichinho essa minha agonia particular. Mas tá dose. Só com muita reza pra Santo Expedito.
Trabalhei ontem pra folgar hoje (e haja energia pra dar conta de uma equipe estressada). A babá folgou ontem e veio hoje, graças. Aliás, já começou nossa saga atrás de uma pessoa pra dormir. É que a Bá do Gutão vai ter nenê no final do ano e isso implica em mudanças significativas nos horários dela (a criança vai ter que ficar em uma creche, aqui perto de casa). Ela vai continuar com a gente (outra igual -- responsável, alegre, disposta -- tá difícil!!), mas, como eu e o Rô não temos flexibilidade de estar em casa até às 18h, temos que ter uma funcionária "reserva", né? Vamos ver se dá jeito trazer alguém da própria família da Márcia pra fazer dobradinha com ela. E dá-lhe reza.
Quê mais? Tá um frio do cão hoje. E nosso apê tá praticamente uma Sibéria. Geladíssimo. Detesto essas mudanças repentinas de temperatura. Uma bomba pra quem tem rinite...Amanhã vou cortar e hidratar os cabelos (brigada pela sugestão, Mic!). Quero deixar crescer um pouco, mas, de tanto que prendo, os fios estão todos marcados, sabem? Pois é. Vamos ver se cuidando do que vai fora dá uma melhorada no que passa aqui dentro. Pra vocês, um bom final de semana!!
posted by JULIANA DE MARI 6:44 PM
Jogo? Que jogo?
Se a segunda foi difícil, não queiram nem saber de como foi a terça. Gente, que sufoco!!! Depois de uma noite daquelas, com Gutão agoniadíssimo, todo congestionado, chorando a cada meia hora, levantei malzona. Na hora em que fui fazer o leitinho dele, achei que ia desmaiar na cozinha, que desespero!! Me deu um mal estar súbito, acho que a pressão caiu. Daí por diante, foi plantão das 7h às 15h no banheiro. Vômito e diarréia. E Gutão de olhos arregalados, tadinho, chorando do meu lado. Ai, que falta faz ter família (pai, mãe) por perto...Liguei pra mainha umas cinco vezes ao longo do dia, pra falar nada, pra dizer tudo, sabe assim? Pra pedir receita de soro caseiro, pra compartilhar minha agonia com Gutão assim tão agoniadinho...
Gutão chorou a manhã inteira e não desgrudou de mim. Tava todo vermelho, por causa da febre, com os olhos inchados, nariz entupido, reclamando de dor. E eu, verde, rezando pra ficar melhor pra conseguir levar meu bichinho no hospital. Foi isso que aconteceu, exatamente quando o primeiro tempo do jogo inaugural do Brasil na copa começou. Sai de casa às 16h10, com a cidade vazia, as ruas sem trânsito algum, pasmem. Aliás, eu acho essa devoção desmedida do brasileiro ao futebol uma coisa meio "pão e circo". O país afundando e o povo fazendo festa em vez de fazer passeata pra reinvindicar seus direitos...Mas, enfim, que, ao menos, essa seleção traga o hexa.
Fomos ao Sabará (que estava praticamente vazio!) e o diagnóstico foi o que eu esperava: ouvidos, os dois, super vermelhos e garganta bem irritada. Vamos continuar com o Zinnat, o tal remédio que, de tão ruim, precisa ser ingerido com leite condensado, e mais alguns outros pra dar uma melhorada no estado geral do bichinho. Na volta pra casa, depois de tomar um antitérmico por lá mesmo, ele já chegou com o astral um pouco melhor. Antes de dormir, brincou de estacionamento com seus carrinhos, ensaiou tocar violão, mas não quis comer nada. Eu também não comi nada. Não consegui. Tudo que ingeria colocava pra fora em dois minutos...A médica que consultou filhote disse que, possivelmente, é virose. Está dando a torto e a direito. Depois da sinusite, isso. Que "ótemo".
A babá dormiu em casa. Fiquei com medo de passar mal outra vez e não ter ninguém a quem recorrer. Gutão foi deitar cedo, já sem febre. Tive que acordá-lo à meia-noite pra dar remédio e trocar a blusa, ensopada de suor, do pijama. Um chororô, como vocês podem prever. Tadinho. E agora ele tá ficando meio ressabiado de tomar remédio por causa do gosto ruim do tal antibiótico. E como é ruim, putz. Eu provei pra saber o motivo do horror. Mas dormiu melhor, graças a Deus. Duas e pouco da manhã chorou e eu resolvi levá-lo pra nossa cama. Dormimos juntinhos e acordamos às 7h, com o astral mais ou menos renovado. E o Rô chegou em seguida. E a primeira coisa que Gutão disse foi: "Qué presente, papai". Haahahahahaa
O Rô ficou indignado! Mas não fui eu quem ensinou isso, não, eu juro!
Hoje vim trabalhar, com dor no estômago, mas sem sinal da virose. Gutão tava sem febre e mais alegrinho. Não tá indo na escola, óbvio. O Rô chegou todo feliz e encheu a casa com essa energia. E lá vamos nós, rumo ao feriadão. Trabalho amanhã pra folgar na sexta. Ai, que eu não vejo a hora de ficar sem fazer nada, só curtindo meus dois amores e renovando minha energia.
posted by JULIANA DE MARI 6:21 PM
De novo?
Eita segundinha difícil, viu? (será inferno astral?) Começou com Gutão chorando, chamando pelo pai, com febre, super entupido, babá atrasada (coitada, teve exame pra ver se tá tudo bem com o bebê), euzinha passada de tanta dor (a sinusite não foi embora, uma merda, desculpem o palavrão). Fui trabalhar com o coração na mão de ver meu bichinho tão agoniadinho. Eu bem sei como é ruim essa sensação de "entupimento geral"...No trabalho, o que já era acelerado, acelerou ainda mais. Uma reunião atrás da outra, mil coisas pra fazer, a equipe no limite, fazendo "fila" na frente da minha mesa pra despejar o problema da vez. É que nessa época do ano, além da revista, cuidamos de um projeto que elege as melhores empresas para trabalhar do país. Visitamos duas centenas de empresas de norte a sul e, ao final, produto editorial pronto, ficamos moídos. Este ano, como mudamos de parceiro e o prazo encurtou, o ritmo tá ainda mais puxado. E o estresse já se anuncia...
E meu rosto seguiu doendo durante o dia, e a febre do meu Gutão não cedeu, e eu tive que ficar pendurada ao telefone tentando encontrar a otorrino dele (como estamos tratando com ela, achei por bem não ligar pra dra.Ketty nesse momento). A dra.Renata, muito atenciosa, está em congresso, mas falou comigo numa boa e recomendou trocar o antibiótico e a dose do anti-histamínico. E meu celular deu tilte. Usei a hora do almoço pra ir na loja da operadora num shopping pra descobrir que a porcaria da assistência técnica do aparelho é em outro. Imagina a minha satisfação?
Falei com meu otorrino no final do dia (tem jeito, não, nós três, volta e meia, estamos em conexão com um!) e ele recomendou um antiflamatório por três dias. Deus é pai e essa dor terrível há de melhorar. Tou até preocupada com o tanto de medicação que ando tomando nos últimos dias...Quando essa crise aguda passar, tenho messssssssssmo de procurar um homeopata pra tratar as questões de "fundo". Ai, ai, ai.
Voltei pra casa mais de oito e meia da noite. Preocupadíssima em liberar a babá, coitada. Antes, passei na farmácia. Cheguei em casa, Gutão, caidinho, todo dengoso, me esperava deitado no sofá. Falei em xaropinho pra ele ficar melhor e ele se animou (será que tou criando um "adicto" em remédios, meu Deus? Ele gosta tanto de xarope!!). Tirou a petita e abriu bocão pra tomar a dose do primeiro. Sem reclamação. Já no segundo, a história foi outra. Não sei se misturei a suspensão de um jeito errado ou se o troço é ruim mesmo, mas Gutão fez uma cara horrenda. Pediu pra "limpar" a boca, chorou, odiou. Primeira vez que o vi tendo essa reação diante de um remédio, e olha que ele já tomou muitos nessa vidinha dele. Bom, provei. É horrível mesmo, horrível, horrível. Bateu a dúvida se misturei direito e amanhã vou na farmácia comprar o recomendado (eu trouxe o genérico) e pedir pro farmacêutico misturar, hahahaaa. E se ficar confirmado que o negócio tem esse gosto mesmo, vou ligar pra ver se a otorrino troca. Ah, tadinho, né? Tá todo entupido, com febre e ainda tem que engolir coisa ruim? Se não há jeito, ok, mas se há, vamos ajudar.
Tou em casa, são 22h45, não jantei ainda, é dia dos namorados e meu namorido tá longe (que bom que volta na quarta!). E filhote chamou agora, tremendo por causa da febre, tadinho. Já liguei o aquecedor (e olha que nem tá tão frio hoje...). Pressinto uma noite daquelas. Acabando a novela, vou deitar também. Amém.
posted by JULIANA DE MARI 10:50 PM
É tempo de festa
Adoro o mês de junho. Além de ser meu aniversário (dia 29, anotem aí!), é mês de São João, de quadrilha, de forró, de milho assado, de trancinha no cabelo. Adoro! Quando Gutão não existia, bastava esse período junino ir chegando pro banzo ir batendo. Saudade, muita, da minha terra, da minha família, da alegria ao redor da fogueira. Desde o ano passado, no entanto, posso dizer que estamos curtindo o "Sanjão" paulista. No primeiro aninho do filhote, fomos na festa da escola do João Gabriel, irmão da Lívia, filho da Tita. O ingresso dos convidados era levar uma comidinha gostosa. Foi lindo. Teve fogueira de verdade, ao redor da qual a criançada cantou e dançou depois da procissão. Eles caminharam e cantaram iluminados só pelas lanternas. Gutão, Téo e Miguel, os três toquinhos de bigode, chapéu de palha e camisa xadrez, observaram tudo, muito lindos.
Este ano, Gutão maiorzinho, aumentam os compromissos juninos, oba! Hoje foi dia de festa na escola do Miguel. O trecho de rua em frente fica fechado pras crianças dançarem à vontade. Teve um trio de sanfoneiros no melhor estilo pé-de-serra. Havia um "cordão de isolamento" feito de bandeirinhas coloridas e, claro, Gutão não quis ficar do lado de cá. Sentamos na rua pra acompanhar as turminhas dançando e, a certa altura, fiquei eu de um lado do cordão e Gutão do outro. Todo feliz porque havia catado uma fitinha cor-de-rosa pra ele. Usou a fitinha pra me enfeitar. Terminada a "obra", olhava pra mim e dizia, faceiro: "Mamãe ficou uma menina!". A festa na rua teve direito à quadrilha, samba de roda e até ciranda. Nem acreditei quando ouvi o "cirandeiro" puxar "Essa ciranda quem me deu foi Lia, que mora na Ilha de Itamaracáaaaaaaaa". Me arrepiei, sai correndo com filhote pra entrar na grande roda. Gutão dançou a música toda. De um lado, segurava na minha mão. Do outro, na de um tio que se ofereceu pra seguir no passinho dele. Tão bonito que foi. Me emocionei de verdade. Parecia que estava em "casa". Brigada pelo convite Dani!!!! (Adorei ver minha afilhadinha, linda, de brinco na orelha e olhos bem abertos, curtindo um forrozinho na farra com os amigos!!!!!)
Na volta pra casa, contei pro meu Gutão que quadrilha e ciranda são danças típicas da terra da mamãe. Que em Recife, nessa época do ano, a festa é linda. As famílias se reúnem pra lembrar Santo Antonio, São João e São Pedro. E que a mamãe adora tudo isso. E que adora cantar e dançar. E que cantar e dançar são coisas que alegram o coração. Filhote parece que gostou. Dançou, bateu palmas, entrou na roda. Companheirão.
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O Rô tá viajando a trabalho. Foi sexta à tarde e volta na próxima quarta. Já saiu de casa cheio de saudade. Eu e Gutão também estamos aqui saudosos da alegria dele. Gutão acordou hoje chamando pelo pai. Eu expliquei que o papai só volta na quarta e ele desencanou. Mas chamou outras vezes ao longo do dia. E falou com o Rô ao telefone antes de dormir, deu boa noite e disse "Te amo, papai". Lindo. (A hora de dormir deixou de ser drama, assunto pra outro post, ufa!!!!!)
Gutão se expressa muito. E fala de um jeitinho que me comove mesmo. Adoro ver meu bichinho "verbalizando". Adoro as conexões e as piadinhas que ele já faz. Estava eu no quarto agora à noite, arrumando o pijama dele e os remedinhos da hora de dormir, e vem o danadinho, sem a pantufa, pés descalços no chão gelado, olha pra mim e manda: "Quê que eu te disse?". (A gente costuma dizer isso quando ele repete atos que a gente já explicou que não são legais -- ficar sem pantufa no chão gelado não é legal!!!).
E tem uma que me faz morrer de rir. Filhote deu de usar o "Eu". Só que usa o tal "Eu" de um jeito mui interessante. Diz assim: "Mamãe, vem brincar com o "Eu"". Ou então: "Mamãe, pega o leitinho pro "Eu"". Ensino o certo, digo que é o leitinho dele e que ele pode dizer "o meu leitinho". Mas não dou lição de moral, não. Gutão tem o tempo dele, é esperto, aprende observando e fazendo. E tem só dois aninhos, né?
Ah, tenho que registrar essa: quinta passada, véspera da viagem do papai, fomos numa pizzaria perto de casa. Gutão, todo felizão em passear, não deu trabalho algum. Tomou suco de frutas vermelhas, comeu uns pedaços de marguerita e ficou todo encantado com o ambiente (é um restaurante que tem artesanato por toda parte, muita coisa bonita). A certa altura, passa um garçom, com o cabelo meio crespo, usando rabo-de-cavalo. Gutão exclama (foi exclamação mesmo!): "Olha o caque". Eu e o Rô perguntamos, em uníssono: "Quem?". E ele devolve: "Ronaldinho gaúcho". Eu posso com isso???!!!!!!!!! Ele não só viu que era um homem, e não uma mulher com o cabelo preso, como associou com o craque -- sem que eu ou o Rô tivéssemos feito qualquer comentário. Fiquei pasma!!
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Quê mais? Filhote vai encarar um tratamento pro ouvido nas próximas três semanas. É que os últimos exames não deram um resultado muito legal e a médica está tentando mais uma vez com antibiótico antes de partir pra "drenar" o catarro/líquido acumulado. Ai, só de pensar nessa hipótese, eu tenho calafrios...Há de dar certo o remedinho.
posted by JULIANA DE MARI 10:09 PM
Vamos seguindo
Dessa vez, a gripe, a sinusite, ou seja lá o que for, me castigou. Sexta-feira passada terminei o dia no pronto-socorro. Tomei medicação na veia e recebi uma receita com indicação de antiflamatórios pra amenizar a crise. A médica acredita que é tudo causa da gripe forte: a sensação de pressão no rosto e nos ouvidos principalmente. De todo modo, tenho consulta no otorrino amanhã pra ver como encaminhar esse tratamento. Deus me livre sentir essa dor novamente. A sensação era a de que minha cabeça ia explodir. Era só baixar pra doer, latejar. Parecia que havia mil bolhinhas estourando dentro do rosto. Um horror. Aliás, que coisa horrível é sentir dor. E olha que sou uma pessoa tolerante. Reclamo um bocado, mas pra baquear mesmo o negócio tem que estar sério. Fiquei muito sentida no hospital, aliás, pensando na dor das pessoas internadas, com enfermidades mais graves que a minha...Rezei muito por elas, chorei até. Sou assim mesmo: sofro com o sofrimento dos outros, não sei ficar alheia...
Gutão continua com tosse e alguma coriza. Também já marcamos retorno na otorrino pra quinta-feira. A tosse incomoda mais ao amanhecer. Virou rotina pais zumbis acordarem tipo quatro da manhã pra dar uma colheradinha de melagrião na tentativa de aliviar a agonia dele (brigada por compartilhar comigo desses cuidados, meu amor!). Mas não posso reclamar, não. Filhote tá indo pra escola, tá cheio de energia, tá alegre que só ele. E falante. Muito falante. Tem saído com umas tiradas engraçadíssimas. Dia desses, eu e o Rô sentados na cama dele na hora de dormir, ele deitadinho, abraçado na Pig, olha pro pai e diz: "Sai daqui, papai. Vai pro "pocadoi" (computador!)". Olha o Édipo se manifestando!
Também tem manifestado uma capacidade incrível de imprimir "sentimento" às falas dele. Franze a sobrancelha, muda a entonação da voz, até o corpo ele movimenta de jeitos diferentes de acordo com o que pretende comunicar. Quando quer procurar alguma coisa, por exemplo, sai andando abaixadinho, sabe? Em posição de quem procura mesmo, um barato. E tá distribuindo ordem que é uma beleza. É um tal de "larga, mamãe", "solta, papai", "tá errado, mamãe", "não faz assim, papai". Percebe tudo, tudo esse meu menino. Muito observador, muito inteligente. Muito amado. Hoje pegou um pedaço de papel higiênico e "fez" um "laço" pra enfeitar meus cabelos. Disse que eu era pra eu ficar bonita igual uma princesa! Tem como eu não me emocionar com isso???
E Gutão vai ganhar uma priminha!!!!!! A titia Lulu descobriu hoje que tá esperando a Bruna, viva!!!! Com ela, serão cinco meninas e ele, o reizinho, nas férias em Recife, imaginem!
posted by JULIANA DE MARI 9:45 PM
Baqueados
Eita que esse esquenta-esfria tem causado estrago aqui em casa. Depois de ter sobrevivido à gripe (até febre eu tive!), estou agora sofrendo por causa da sinusite. Uma dor desgraçada no rosto, que irradia pros dentes e pros ouvidos. O Rô também tem reclamado pelo mesmo motivo. E Gutão, tadinho, tá entupidinho e com uma tosse horrorosa. Anteontem ele quase não conseguiu dormir de tanto que tossiu. Ontem não foi na escola. Estava caindo de cansaço, com os olhinhos murchinhos, tadinho. Hoje já está medicado e em acompanhamento com a otorrino, mas acho que vamos ter que levá-lo no consultório pra avaliar o tamanho do "estrago" mais uma vez.
A pedido da otorrino, ele fez nova impedanciometria sábado passado, aquele exame para saber a quantas anda a atividade do tímpano e a condição dos ouvidos. Pelo o que entendi do laudo, há alterações em ambos os lados. Também tentamos fazer uma audiometria, pra avaliar o tanto que ele consegue "captar" de sons, o quanto está ouvindo o ambiente. Não há dúvidas de que ele ouve bem, até porque fala que nem uma matraca, mas é sempre bom checar. Não tivemos muito sucesso nesse exame aí, não. Era preciso repetir uns comandos das fonoaudiólogas (cada vez que o apito soasse, filhote precisava apertar o nariz do palhaço) e Gutão, embora tenha se esforçado pra colaborar, só tem dois aninhos. As médicas disseram que, em geral, só a partir dos 3 anos a audiometria é realizada a contento.
Tem frente fria chegando, avisa o noticiário de hoje. E o aquecedor do quarto do Gutão pifou, putz. Eu gosto do frio, nada contra, muito pelo contrário. Mas não gosto mesmo é de perceber o quanto nosso corpo se fragiliza no inverno. Filhote deu azar de nascer de pai e mãe cujas vias aéreas não são lá 100% operantes. O histórico da família, pelo menos da minha, é de rinite, alergia, asma...Preciso retomar o plano de fazer um tratamento homeopático pra dar uma segurada na imunidade dele. E retomar os cuidados com a minha, na verdade.
posted by JULIANA DE MARI 1:05 PM