Viva o Barrigão!

archives


Sexta-feira, Fevereiro 24, 2006


Feriadão


Gutão teve baile de carnaval na escola hoje. Como não tive tempo de providenciar uma fantasia, ele foi vestido de "surfista". Roupinha de passear na praia e colares havaianos no pescoço! Também quis usar um óculos azul, que ganhou no aniversário do Theo, e uma estrelinha pisca-pisca que ora pendurava ora queria tirar a todo custo. Chegou na escola meio cabrero, como foi nessa semana inteira, mas atendeu o chamado das "tias" pra se juntar às crianças no tanque de areia azul. Ai, os pequeninhos estavam tão lindos de fantasia: tinha pequena sereia, branca de neve, batman, homem-aranha...Até as professoras entraram na folia.
A do Augusto, tia Carla, estava vestida de "princesa", com um baita vestidão de cetim cor-de-rosa e...tênis nos pés! Só assim pra dar conta de correr de cá pra lá atrás dos seus baixinhos!!! E como ela corre, meu Deus! É admirável o trabalho dessas professoras, viu? A toda hora, um figurinha se rebela e "foge" do grupo. Ou chora porque quer a mamãe e só se contenta se a tia o pega no colo. Ou insiste em lavar a mão, depois que todo mundo já está sentadinho na salinha do lanche. Haja paciência e fôlego!
Gutão tá reagindo melhor à ida pra escola. Quando estou por perto (esses dias eu fiquei mais disponível...chegava com ele, brincava um pouquinho, ia pro esconderijo dos pais e aparecia pra dar tchau por volta das 9h30, horário do lanche deles), ele esboça beicinho. Mas, quando vou dar tchau e digo que estou indo trabalhar, a tia me contou que ele fica numa boa. Não chama mais, não chora mais. Brinca e aguarda a hora da Bá aparecer pra levá-lo pra casa.

Eu entendo que ele reage assim, positivamente, porque foi acostumado assim. Nunca saímos de casa "fugindo" dele. Nunca deixamos de dizer que estamos indo aqui ou ali. Nunca deixei de sair para trabalhar sem antes pedir um beijo, dar um abraço e dizer que amo muito o meu Gutão. E ele nunca chorou nesses momentos, acreditem. Ao contrário. Em geral, ele corre, grita e empurra a porta na minha cara, morrendo de rir!!!! Melhor assim.
Na real, acho que tenho ficado tão (ou mais) sensível e carente do que ele...Sei lá, eu também estou me adaptando à escola, a essa novidade de deixar meu filho "ir". E tem que ser assim, eu sei, mas isso não exclui o sentimento de perda de ambas as partes. Eu queria estar mais lá, com ele, em casa, sabe? Acho que é o dilema da mãe moderna, não tem jeito. Tento não encanar demais com isso, tento fazer meu possível quando é possível, tento não deixar essa "ausência" ser mais importante do que todas as presenças, tento não deixar que nossa relação seja contaminada pela culpa...Eu quero ser e estar leve com meu Gutão. Algumas vezes, o cansaço, a irritação, o mau humor, meu lado "sombra", vão pesar, mas, aí, faz parte. Sou humana, não pretendo e nem quero ser "a mãe perfeita". Enfim, papo pra uma boa sessão de análise na retomada em março!!!

Chegou o carnaval. Minha pernambucanidade sempre fala alto nesses eventos festivos...Queria, de verdade, estar em Olinda, pintando a cara, pulando no Eu Acho é Pouco (aliás, Rapha, Gutão recebeu a camiseta. Amamos, é linda, linda!!!), com as pernas doendo de tanto dançar e subir ladeira! Tem nada, não. Quem sabe, ano que vem, a gente consegue apresentar o carnaval mais democrático, alegre, vibrante do Brasil pro nosso filhote amado?! Esse ano vamos curtir a vovó Lilica e o vovô Zeca, o tio Bru e a Raquel, a Nusa e o Padang, fazer churrasco, dar risada, dançar e cantar em outras paragens.

PS: em breve, conto notícias do aniver do Gutão. Tou "pelejando" pra dar conta de organizar tudo sozinha!!! Mas vai ser muuuuito legal! O convite, aliás, eu já tenho. A querida Malu, do Matheus, fez. Ficou demais. Beijos, divirtam-se!
posted by JULIANA DE MARI 7:14 PM


Quarta-feira, Fevereiro 22, 2006


Recomeço


Gutão voltou pra escola na segunda. Foi difícil. A escola estava um caos, um monte de criança choramingando, várias voltando do recesso pós-estomatite como ele. Filhote chegou desconfiado, entrou de mãozinha dada comigo. Reconheceu a tia Carla, os amiguinhos, a Fifi, mas não quis saber de muito papo, não. Só topou desgrudar pra ir brincar no tanque de areia azul. Aí, eu e o Rô demos tchauzinho e ficamos espiando de longe. E aí, ele chorou quando percebeu a nossa ausência. E foi pro colo da tia Carla, todo sentido. Entre uma lágrima e outra, seguiu brincando. Na hora do lanche, criançada reunida, amiguinha Clara chorando horrores, Gutão abre o berreiro também. E chora de soluçar. Tive que entrar em cena pra acalmá-lo. Conversei um pouquinho, ofereci melão, ele tomou suquinho e ficou bem. Deu a hora de trabalhar, a babá foi nos render. Gutão passou o resto do dia sem chorar.

Terça já foi um pouquinho melhor. Gutão chegou acanhado, mas logo aceitou o convite da tia Carla pra brincar. Levou o calhambeque junto e acabou esquecendo por lá. Comeu o lanche, até fez boca de jacaré pra tia Verônica, a assistente. Chorou só um tantinho, na hora em que fui me despedir. O Rô ficou mais um pouco e a Bá o aguardou até o final da manhã.

Hoje, quarta, fui levar ele sozinha, pois o Rô tinha reunião logo cedo. Ele foi animadinho. Já acordou falando na escola, nas músicas da tia Carla (é ótimo: ele pede a da "dona aranha" e eu só sei uma frase!!). Na hora da entrada, quis empacar, mas logo veio uma tia, fez festa e ele foi adiante. Fiquei olhando um pouquinho, ao lado da areia azul, e, na hora em que ele engatou na brincadeira, fui pro lugar dos "pais em adaptação". Na hora do lanche, voltei lá, ele tava comendo tudo, felizinho, felizinho. Expliquei que a mamãe ia no banheiro e sumi outra vez. Quando a Bá foi me render, por volta das 10h, fui me despedir do meu lindo e ele tava lá, empurrando um mini-carrinho de feira, comprando "manga" no supermercado imaginário. Nem me deu bola. E, diz a Bá, que não chorou, não chamou, não fez beicinho. Na hora da despedida do dia, aliás, dançou, cantou, correu, adorou. Que coisa boa!!!!
Vamos ver como vai ser a quinta-feira.

Só pra não deixar passar: Gutão tem dormido melhor (chama ainda pelo menos uma vez na madruga) e acordado mais cedo, 6h30. Hoje, foi direto na minha cama, me dar bom-dia e pedir pra ir junto na cozinha. Deitou de bruços, balançando os pezinhos, cruzou as mãos e ficou me olhando. Eu perguntei:"O que você quer, filho? Quer leitinho? Quer fruta? Quer bolo?". Ele me olhou de volta, mui concentrado e disse: "Qué viajá de avião". Adorei!!!!!!
posted by JULIANA DE MARI 11:24 AM


Domingo, Fevereiro 19, 2006


Agenda cheia


Sábado foi aniversário do vovô Beto. Gutão ligou pra desejar "feliz anisálio" e o vovô ficou todo contente. A vontade mesmo era estar lá, em Recife, pra dar um abraço gostoso e fazer muita festa pro painho. Fiz em pensamento. Desejei muito mais saúde. E que o tempo passe e ele continue "menino" no jeito de olhar, de sorrir, de levar a vida. Te amo, pai.

Sábado também foi dia de comemorar os dois aninhos do querido Theo, da Rê. Fomos à festa num bufê aqui perto de casa. Gutão curtiu um bocado (e eu e o Rô também). A Rê distribuiu acessórios divertidos pra enfeitar a galera. Gutão ficou todo, todo com um óculos amarelo. Eu coloquei uma tiara com penduricalhos prateados e me achei em pleno carnaval! O Rô usou nariz de palhaço e ficou passeando com um daqueles troços que piscam a quilômetros pendurado no pescoço, sabem qual é? Bom, teve pula-pula, piscina de bolinhas e todos aqueles brinquedos que enfeitiçam a criançada. Teve também um show de música com um grupo de palhaços muito divertidos. Até roda Gutão dançou! E haja comilança, vou te contar. (Rê, obrigada pelo convite. Adoramos!!!!)

Hoje, domingão, o primeiro compromisso do dia foi almoçar na casa da "Bá". Ela já havia nos convidado há tempos e nós resolvemos ir antes que algum outro imprevisto adiasse mais uma vez o grande encontro. Só posso dizer que foi muito especial conhecer a casa da Marcia, a família, ver fotos do Gutão alegrando os ambientes, perceber o carinho com que até os vizinhos se referem ao menino. É mesmo uma sorte ter encontrado uma pessoa tão boa pra cuidar e acompanhar nosso filhote em seus primeiros anos (e eu espero que além deles também!). Gutão correu a valer, ficou encantado com o barulho da chuva, passeou de colo em colo, ganhou a amizade da Gabi, a sobrinha da Marcia de três aninhos, que a toda hora fazia carinho na cabeleira dele. Quer dizer, Gutão cortou o cabelo no sábado. Restaram alguns cachinhos, claro, mas ele ganhou aquela cara inconfundível pós-tesouradas: de moleque sapeca. Também aproveitamos pra visitar a Isaura, nossa faxineira, que mora perto da Marcia e que está sem trabalhar há três meses por causa de um problema de saúde. Ela estava tão ansiosa por nos receber! Gutão ficou feliz ao ver a "Zaula", dançou um pouco no colo dela, comeu pêra e ameixa, tomou suco de goiaba e virou sensação mais uma vez.

Fim de tarde chegando, filhote cansadinho, mas resolvemos esticar. Fomos direto pro aniversário do amigo Max, da Kiki e do Jean-Phi. Era festa à fantasia, mas Gutão foi fantasiado dele mesmo. Foi uma delícia de festa em casa. Balões grudados no teto, muitos brinquedos espalhados por todos os lugares, um monte de criança linda e um show maravilhoso com a turma do Furunfunfun (alguém conhece? Eu super recomendo!). Teve música, marchinha de carnaval, e teatrinho de fantoche. Precisava ver a cara da criançada na hora em que o Lobo Mau apareceu pra acabar com a alegria dos Três Porquinhos! Gutão, no começo, não teve paciência pra ficar sentado, não. Depois, quando os porquinhos começaram a fazer bagunça e o Lobo apareceu, adorou! Riu e gritou tanto!!! Tentou até desvendar o que havia por trás da cortina do teatro. Ficou intrigadíssimo, querendo descobrir de onde vinham os porquinhos e o lobinho. E se atracou nos balões. Trouxemos uns cinco pra casa. Estão ali, enfeitando a sala! A melhor da festa foi o fora que eu dei. Uma menina morena, cheia de trancinhas e com um par de asas verdes nas costas, senta ao meu lado. Eu, querendo puxar assunto, digo: "Que borboleta linda!". Ela me olha, p...da vida: "Não sou borboleta". Eu, ciente que tinha falado besteira, pergunto: "É o que, então?". Ela me olha, espantada: "Sou a Sininho, né?". Dã!!!!! E olha que a pequena devia ter quatro anos no máximo!!!

Gutão, companheirão, adorou os compromissos. Na volta pra casa, segurando seus balões, olhinhos pequeninhos de tanto cansaço, ele solta, espontaneamente: "Foi muito legal". Ah, eu e o Rô ficamos tão felizes!!!!! Já estamos imaginando a alegria que vai ser comemorar os dois aninhos do nosso Pirata.
Filhote já capotou. Espero que tenha uma noite boa. Amanhã é outro dia especial, de recomeço. Vamos à escola, oba!

PS: Só nasce moleque na nossa turma mais "íntima" (sem contar a Nina, da Dani, que vai ser alvo de muita disputa, hahahahaaa). O rebento da Patty e do Julio é menino, mais um. Que venha o Pedro, pois!!! Cheio de saúde e de energia pra fazer surf-trip com Gutão, Miguel e Enrico!!! Já pensou?


posted by JULIANA DE MARI 9:51 PM


Sexta-feira, Fevereiro 17, 2006


Crescendo juntos


Gutão melhorou da estomatite. E eu descobri que está havendo um surto da doença em São Paulo. Primeiro, a diretora da escola me conta que pelo menos outras seis crianças das turmas da manhã apresentaram os sintomas no mesmo período que Gutão e que algumas da tarde também foram infectadas. Depois, na consulta à pediatra ontem, ela confirma que é mesmo um surto e que a estomatite está no primeiro lugar do que mais incomoda os pequenos, à frente até de otites, pneumonias e rotavírus. Sim, essa última virose, tão temida, judia bastante da criança, lógico, mas não causa tanta dor quanto as malditas "aftas" na garganta e na boca. Mas, enfim, foi-se.

Gutão foi à médica ontem acompanhado apenas do papai e da babá. Eu tive um curso pela manhã que terminou pra lá da uma da tarde, horário agendado no consultório. Diz o Rô que filhote se comportou muito bem. Resmungou um tiquinho pra abrir o bocão, mas acabou colaborando e só ganhou elogios da dra.Ketty. Por causa da estomatite, emagreceu 50 gramas. Apenas. Um fato heróico diante da agonia dele na hora da comida...Se despediu com beijinhos nela e na secretária. Um fofo.

Eu fico mesmo muito orgulhosa do meu menino. Ele é uma criança doce, alegre, vibrante. Continua tagarelando um bocado, adora uma bagunça, ama dançar e cantar, morre de dar risada quando a gente dança junto. É festeiro mesmo, companheiraço. Tá crescendo a olhos vistos. Cheio de cachos cheirosos (vai cortar o cabelo amanhã) e dentinhos branquinhos. Tá viciado no fio dental. Basta avistar a caixinha do dito cujo que pede: "qué fio dental". É assim umas cinco vezes por dia. E ele vai lá pra frente do espelho do meu quarto e "limpa" os dentinhos que é uma beleza.

Continua dando um certo trabalho durante a madrugada. Acorda pelo menos uma vez, chora, pede minha "mãozinha". Dodói descartado, acho que é carência mesmo. Talvez efeito das novidades dos últimos dias: a escola, a ausência real do papai e da mamãe, a perspectiva de encarar o mundo sozinho, a dor que veio com a estomatite, o medo de que ela apareça outra vez...Tudo isso assusta, né? É ter paciência, ficar junto, passar segurança, ajudar a enfrentar mais essa etapa. Não há receita, não há milagre. A vida vai se fazendo diariamente.

Quando Gutão me chama na madrugada, em geral, chama também o pai. Pra não ficarmos os dois, zumbis, pela casa, eu digo pro menino que o papai tá dormindo, mas que ele tá com Gutão no coração. E ele repete, baixinho, "papai no coração". É um amor tão lindo esse, né?

posted by JULIANA DE MARI 12:37 PM


Segunda-feira, Fevereiro 13, 2006


Lá vem a noitinha...


...e eu tou torcendo, do fundo do meu coração, pra hoje nós termos uma noite de sono. Nem precisa ser inteira, não. Me contento em levantar uma vezinha que seja pra acudir meu filhote. Se o motivo for chupeta perdida ou pé enroscado no lençol, levanto com o maior prazer. Só não quero é mais uma noite em claro por um motivo que eu não sei bem qual é...Sim, ontem Gutão dormiu mal outra vez. Chorou horrores. Me solicitou a todo instante. Quando acordou, perguntei onde tinha dodói e ele falou que era na boca. E abriu um bocão bem grandão, como se quisesse me mostrar lá no fundo, sabe? Liguei pra dra.Ketty na hora, claro. Ela me falou que a estomatite pode durar até uns 10 dias mesmo e que é possível que o "estrago" maior seja mesmo interno. Externamente não há mais sinal das malditas aftas...Conclusão: marcamos consulta pra quinta, Gutão não foi pra escola (e nem vai até passar na médica) e eu estou no pó, um lixo, podre, morta de cansaço.

Passei o dia meio zonza, com uma sensação de aperto no peito, uma angústia, sei lá. Não sei se é preocupação, se é premonição, se é "abuso", como dizem na minha terra, ou se é sono ao quadrado mesmo. Tem horas em que o corpo pede trégua, né? Fato é que voltei mais cedo pra casa, tomei um banho quentinho demorado, pensei muitas coisas boas, e me entreguei ao que mais gosto de fazer: brincar com meu Gutão. Ele tá bem. Sorrindo, gritando, correndo, comendo. Só as noites têm sido difíceis. Muito difíceis. E eu duvido muito que seja apenas manha...Por mais carente que ele esteja, passar a madrugada acordando de hora em hora só por manha é dureza, hein? Algo me diz que é dodói ainda. A gente não vê, mas ele sabe que tá lá. Estamos provando que aquela crença de que "toda dor piora à noite" é mesmo verdade, infelizmente. Será que é a posição, horizontal, que incomoda, hein? Me deu esse estalo agora. Vou colocar um travesseiro um pouco mais alto pra ver se tem jeito...

São oito da noite agora. Gutão foi jogar futebol com o papai e dar tchau pro sol. O sol foi embora e a lua vai chegar. Que chegue trazendo bons sonhos. Que meu filhote durma bem. Que essa agonia no meu peito vá embora. É lua cheia e eu, canceriana que sou, sempre oscilo na maré alta. Mas vai passar.

Pra terminar em alto astral, duas pérolas recentes do Pirata:
- Gutão volta lá debaixo, abre a porta e grita: "Filhoooo"
- Gutão se contorce todo, mamãe pergunta se é cocozão e ele diz: "Não, é punzão"

posted by JULIANA DE MARI 8:08 PM


Domingo, Fevereiro 12, 2006


Março já tá chegando


Acho que descobrimos de onde veio a estomatite. A diretora da escola me ligou na sexta pra dizer que uma amiguinha da classe do Gutão também apareceu febril e com a boquinha estourada. Taí. Era exatamente a menininha que estava sentada na frente do meu filhote em seu último lanche na escola. Lembro bem dela, a Clarinha, branquinha, cabeluda, descabelada, sempre com cara de quem acabou de acordar. Acontece, fazer o quê? Daqui pra frente, o negócio é reforçar a alimentação em casa, conversar com a pediatra pra ver o que podemos fazer pra reforçar a imunidade do pequeno e rezar muito pra ele não ter recaídas tão feias quanto essa...Já tratei de trocar todos os copos e as chupetas que Gutão usou nos últimos dias. Ele gosta desses copos com canudo, super práticos, anti-vazamento -- mas é tão difícil mantê-los 100% limpos, né? De tempos em tempos, eu sempre troco, quando percebo que os canudos estão ficando com "cheiro". Fui ontem na Ecobaby e aproveitei pra comprar pratinhos e colheres novas também. Estamos com um kit-alimentação novinho em folha pro Pirata espantar o vírus e comemorar a volta à escola!

Quê mais? Ontem foi o aniver de primeiro aninho do querido Gustavo, da Gica e do Villela. Uma festa linda, em homenagem ao pequeno e ao Flamengo. A Gica se revelou uma "festeira" de mão cheia: a mesa, enfeitada por ela, tinha direito a campo de futebol e até arquibancadas cheias de docinhos (deliciosos)! Reencontrei uma porção de gente que não via há tempos. Gente que, como eu, há cerca de quatro anos nem pensava em filhos, fraldas e afins. Foi bacana ver todo mundo "crescido". Fora a diversão que foi ver as crianças convidadas usando a camisa de seu time do coração. Tinha de tudo: Vasco, Atlético Mineiro, Internacional, Grêmio. O tricolor gaúcho estava muito bem representado pelo meu Gutão, lindão de azul. Tudo bem que pra conseguir colocar a camisa tivemos que fazer uma verdadeira encenação. Nem com o pai vestindo a dele, Gutão se animou. No último minuto do segundo tempo, sabe lá como, consegui enfiar a dita cuja pescoço abaixo (!!) e ele não pediu pra tirar. Ufa.

Falando em festa, estou às voltas com os preparativos pro segundo aniversário do filhote. É só no final de março, mas não quero deixar nada pra última hora. Ontem fiz a lista de convidados (e como Gutão tem amigos!) e bati o martelo no tema: carrinhos. Fomos ao ateliê da Fabi, amiga doceira, da Sugar, sweet, sugar. Uma coisa mais gostosa que a outra, um bolo mais bonito que o outro. Aos curiosos, recomendo uma visita ao site www.fabiolatoschi.com.br. Pois bem, também já encomendei as lembrancinhas no tema da festa (dessa vez, um presente pras crianças usarem a criatividade!). Estou à espera agora da chegada do kit pra mesa -- toalha, pratos e copinhos, guardanapos e etc. Encomendei na Rica Festa (www.ricafesta.com.br), uma loja bacana que vende tudo pra organização de eventos. A opção 25 de Março existia, mas este ano não estou no pique de ficar batendo perna por lá, não. Claro que vamos gastar um pouco mais, mas meu tempo e minha saúde merecem o investimento!! Ontem também fiquei muito bem impressionada com o serviço do bufê que a Gica contratou: barraquinhas com crepe, mini-hamburguer e mini-pizza. Prático e delicioso. Acho que vou no mesmo caminho. Falta fazer contato com alguma empresa de animação. Quero pula-pula e piscina de bolinhas. Quem sabe, um daqueles animadores que fazem figuras com balão? Vamos ver o que cabe no orçamento. A festa vai ser caseira, mas com "detalhes" profissionais! Gutão merece!!!



posted by JULIANA DE MARI 10:36 AM


Quinta-feira, Fevereiro 09, 2006


Melhorias


Gutão parece que tá reagindo, graças a Deus! Ontem dormiu melhor (nos chamou "apenas" duas vezes, sendo que, da última, me fez deitar ao seu lado e acordar às 6h da matina pra brincar na sala!). Hoje foi deitar sem chorar. Deu "tchau, dodói", como se, assim, pudesse, de fato, espantar o que incomoda. Deitou com a barriga cheia de leite e a chupeta na boca. Nunca pensei que eu fosse comemorar tanto o fato dele aceitar, e não rejeitar!, a bendita. Segundo contou a Bá, passou o dia bem. Aceitou uma frutinha aqui, outra ali, tomou vitamina, comeu mais um pouquinho do purê de mandioquinha. Desceu pra brincar; lembrou da escola, da professora, da tartaruga. Dançou um bocado, riu outro bocado, e até ajudou o papai a limpar a geladeira nova. Sim, compramos uma daquelas frost free, com direito a congelamento rápido e essas frescuras todas que facilitam a vida da gente. Cheguei do trabalho e estavam os dois com paninho na mão limpando a geladeira antes de colocar as comidas e as bebidas lá dentro. Cena linda de companheirismo dos meus "meninos". Gutão todo empenhado em fazer a parte dele, imitando, orgulhoso, o papai, e, vez por outra, soltando um "tá difícil".

Gutão enche a casa, sabe? Não tem outra definição pro tanto que a vida da gente ficou mais alegre, mais completa, mais "viva", desde que ele chegou. E ele diz e faz cada uma que não tem como a gente não babar. Agora, todo empolgado porque escrevemos o nome dele nos copos, pratos e afins que ele leva pra escola, ele olha e diz: "o nome é...Auguto". E quando a gente pergunta a cor de determinado objeto, ele sempre diz: "azul". E quando fica em dúvida, manda sua própria definição: "amalazul". Um barato! Também já aprendeu que cresceu bastante, virou mocinho e, por isso, ganhou uma cama só pra ele. E como ele gosta de espaço! Dorme todo esparramado. Às vezes, acorda atravessado. Em outras, deita, inteirinho, em cima do travesseiro. Tem horas que enrosca o pé na grade e fica aflito e diz que dói e pede ajuda pra se arrumar outra vez. O berço? A mamãe já explicou que é pro irmãozinho (a) que, um dia, vai chegar. Gutão gostou da explicação. Olha pra lá, fala com os bichinhos e repete: "é pro irmãozinho". Fico só imaginando quando for pro irmãozinho de verdade, o que será que vai se passar na cabecinha do meu filhote?
Vou lá. Que o sol foi embora, a lua chegou (historinha que Gutão repete todo santo dia antes de se entregar a Morfeu) e amanhã é outro dia. Um dia ainda melhor: sexta-feira!

posted by JULIANA DE MARI 11:11 PM


Quarta-feira, Fevereiro 08, 2006


Um dia depois do outro


Essa é a receita pra não sucumbir ao cansaço: viver o dia, sem pensar no que foi ontem e sem projetar o que vai ser amanhã. A pediatra já tinha alertado que, na escala de dor/incômodo, a estomatite ganha disparado. É uma das doenças que mais incomodam as crianças. E o fato é que estamos comprovando cada palavra, infelizmente. Gutão tá super incomodado. Chora, grita, pede pra tirar "dodói da boca", diz que "machucou", continua sem querer comer, só aceita iogurte e suco de manga (que combinação estranha!), não dorme mais que uma hora seguido e acorda aos berros. Tá carente, carente, carente. Me chama a todo instante. E se eu tou junto, quer o papai também. Tadinho.
A pediatra recomendou uma mistura de remédios, que leva xilocaína, pra ver se dá uma amenizada na dor. É o que ela usa no hospital onde trabalha com crianças em estado bem mais grave (é, existem situações beem mais graves e é preciso relativizar pra não fazer de um dodói "que faz parte" um problemão, né? Continuo agradecendo a Deus por ser "só" uma estomatite que vai passar). Mas eu tou tendo dificuldade até pra passar a tal misturinha na boca do meu bichinho. Tá tudo bem enquanto é só nos lábios. Quando peço pra ele abrir o bocão, quem disse que ele abre??

É preciso mesmo muita calma nessa hora. Eu e o Rô estamos esgotados com as noites mal dormidas. Ele tem me dado uma super ajuda. Estamos em esquema de revezamento nos cuidados com Gutão. Se bem que, quando o menino desata a chamar pela mamãe na madruga, não há boa vontade do pai que dê jeito...Mas é isso, né? Relações duradouras são construídas com uma boa dose de paciência. É assim com amigos, com colegas de trabalho, com quem escolhemos pra casar, porque haveria de ser diferente com um filho? O vínculo maior de amor que alguém pode gerar?

Como Deus é pai, não é padrasto, e como pra qualquer mãe que se preze um "peido" do filho é motivo de alegria, aí vai a boa nova da tarde: a "Bá" ligou pra dizer que Gutão aceitou um pouquinho de purê de cenoura e tomou dois copos de leite! Viva! Ela teve que recorrer à estratégia de adoçar um pouco (uma colher de chá apenas), mas acho que só de quebrar a acidez e motivá-lo a encher a pancinha, já tá valendo.

Pois bem, sigo cansada, sonhando com uma noite inteira de sono (desde que Gutão nasceu, eu esqueci o que é isso...) e risadas alegres do meu filhote pra embalar meus sonhos. Vou renovar meu estoque de paciência com a fé de que, tudo e qualquer coisa ruim, vai passar.
Ah, obrigada pelos recadinhos carinhosos! Gutão nem faz idéia deles, mas certamente ele (e eu!) aproveita muito dessa energia positiva.



posted by JULIANA DE MARI 5:35 PM


Terça-feira, Fevereiro 07, 2006


E veio o baque


Gutão baqueou mesmo. Começou com febre alta no domingo à noite, boca avermelhada, nenê sem querer comer nada. Ontem, língua estourada. Suspendi a escola e pedi pra babá observá-lo durante o dia. Ele tava tão carentinho, tadinho. Pediu pra ligar pra mamãe várias vezes. Eu falava e ele ficava ali, ouvindo, se confortando só com a minha voz...À noitinha, veio o estresse. Eu voltei mais cedo pra casa e fomos direto pro Sabará. Só pra confirmar o que eu já sabia. Estomatite outra vez. Os lábios não chegaram a estourar, mas estão meio esbranquiçados. Dentro da boca há algumas aftas e é provável que haja também na garganta. Gutão não quis saber de comer ou tomar absolutamente nada, a não ser água gelada. O médico explicou que a estomatite pode ter sido desencadeada pelo excesso de sol, sim, mas que não foi provocada por isso. É preciso ter contato com alguém infectado. Ou seja, muito provavelmente, é a primeira baixa provocada (já) pela escola.

Tivemos uma noite do cão. Gutão não conseguiu dormir uma hora seguida. Foi dormir com apenas um iogurte de mel na barriga. Acordava chorando muito, dizendo que tava "dodói" e "machucado", e me pedindo pra tirar o dodói da "boca". Esfregava a mãozinha nos lábios, como se, assim, conseguisse "limpar" o dodói, sabe? Que agonia. Eu tenho herpes (embora nunca mais tenha se manifestado) e, se eu pudesse, eu trocava de lugar com ele mil vezes...Sei o quanto dói, incomoda, machuca. Tadinho do meu bichinho. Eu e o Rô nos revezamos na ajuda ao pequeno, mas eu fiquei mais tempo na cama dele. Era só assim, com palavras tranquilas e massagem, que ele conseguia relaxar. Pra dar idéia do tamanho da agonia dele, nem a chupeta ele queria. Colocava na boca e desatava a chorar. Tadinho.

Não fui trabalhar agora pela manhã. Quero estar por perto mais um pouquinho. Gutão amanheceu choramingando, mas parece que, ao menos, está conseguindo comer um pouco mais que ontem. Aceitou iogurte geladinho, pêra raspada e suco. Não foi pra escola. Falei com a dra.Ketty e ela recomendou uma semana em casa, até ele ficar totalmente bom. Vai ser assim, então. Torçam aí pra ele sarar antes disso...
posted by JULIANA DE MARI 10:27 AM


Domingo, Fevereiro 05, 2006


Terceiro dia


Uma notícia extraordinária: eu e o Rô tivemos "alta" da escola do Gutão!!! É que ele se mostrou tão confortável na nova situação, tão 'a vontade com a tia Karla e os amiguinhos que a diretora resolveu nos liberar da missão "Big Brother da primeira infância"!! Obviamente que eu não vou largar do meu menino assim, né? Ele pode ter se adaptado facilmente, mas eu ainda preciso de uns dias de espiadelas pra garantir que vai ficar (mesmo) tudo bem. Ah, nem é, assim, por falta de confiança nele ou na escola. Eu confesso: é por vontade de guardar mais um pouquinho dessa fase dele na memória. Cada vez que passeio pelos salinhas, que vejo as mesinhas cheias de lápis coloridos, que encontro um nenê sorrindo no Carrossel ou dançando à frente da "árvore encantada", eu me emociono, e dou risada por fora e por dentro. E agradeço à leveza do meu pequeno independente. Sim, porque eu não tenho tantas boas lembranças dos inícios na escola, não. No meu primeiro dia de aula, a mainha conta e eu recordo alguma coisa, voltei pra casa com uma lembrança nada agradável: uma mordidaça na barriga! Lembro também da passagem do quarta pra quinta série, da escola pequena pra grande, de estar longe de casa de verdade, das novas regras, das novas pessoas...me dava dor de barriga de medo (sintoma que, volta e meia, aparece até hoje!!) e eu sempre ia, fazia amigos, curtia o lugar, mas sofria horrores até me acostumar com a mudança. A maturidade vem me trazendo isso de bom: mais leveza, menos expectativas, mais confiança no meu taco e menos medo do improviso.

Mas deixa eu falar de quem interessa. Gutão voltou pra casa na sexta todo animado com as novidades da escola. Aprendeu uma música nova (Caranguejo peixe é) graças a tia Karla. E ele sabe que foi ela quem ensinou. Canta um tantinho, adora a parte do "roda, roda, roda", se balança e diz: "tia Kala". Lindo. Também já sabe o nome de alguns amiguinhos de sala. Fiquei surpresa quando estava vendo umas fotos no computador, ele no meu colo, e ouço um "Gabiel". Sim, era o Gabriel, um japonesinho fofo da turminha dele! Então, é isso. Acho que estamos bem nessa nova etapa das nossas vidas.

Quê mais? Gutão agora sente saudade e pede pra falar com a mamãe no telefone. Na sexta passada, pediu pra "Bá" ligar duas vezes no trabalho. Numa delas, eu estava em reunião. Na outra, me pus a conversar com meu pequeno tagarela e só ouvia as risadinhas de felicidade dele. Eu sei que ele sente a nossa falta durante a semana. E acho que essa carência se manifesta, principalmente, durante a noite. O sono dele continua instável. Não há uma noite sequer que ele não acorde, pelo menos uma vez, chorando e nos chamando assustado...Tem me requisitado mais na hora de deitar também. Eu vou. Faço cafuné, faço a rezinha, faço carinho. Mas não fico à noite toda, não. Acho que é improdutivo pra nós dois. Fico ali só enquanto ele tá semi-acordado, pra dar o conforto que ele pede, mas faço questão que ele entenda que tem que dormir sozinho. Tenho fé que, em algum momento, isso há de acontecer!!!

Hoje, domingão (comecei a escrever o texto na sexta e só consegui acabar agora!), fomos aproveitar o calorão na piscina da Dinda. E bota calorão nisso! Tava uma delícia, mas acho que o sol fez mal pro meu Pirato. Isso é pra gente respeitar de vez o fato de que ele é branquelinha, é criancinha, e que não pode mesmo tomar sol na cuca depois das 10h. É que, depois do almoço caseiro na casa da Dani e do Duda, de muita brincadeira e blablablá com o Miguel, e de um certo entrevero com direito a puxão de cabelo e muito chororô, Gutão capotou. Dormiu quase três horas. Acordou sem querer lanchar. Já achei estranho. E aí começou a ladainha, um chorinho sentido, um chamado insistente, só colo da mamãe. Dito e feito: meu bichinho tá com febre, quase 38.5. Dei tylenol, insisti no leitinho, não teve jeito. Gutão foi dormir com olhinhos marejados, corpo quente, barriga vazia. Tomara que amanhã ele acorde disposto. É dia de escola e ele não merece perder essa alegria.


posted by JULIANA DE MARI 11:19 PM


Quinta-feira, Fevereiro 02, 2006


Segundas impressões


Felicidade transborda, mas, às vezes, assusta. Gutão teve uma madrugada agitada. Foi dormir pedindo minha companhia -- como tem acontecido quase toda noite. Ele me solicita, eu deito junto, faço cafuné, ele pega minha mão, vira pro lado e relaxa. E dorme. Gutão fica tranquilo, e eu saio do quarto com a certeza de que nosso ritual noturno é um dos momentos mais gostosos da minha rotina de mãe. Mas deixa eu voltar à madrugada de ontem. Lá pelas duas da manhã, Gutão acorda chorando. Muito. Senta na cama, chora, chora. Bate as perninhas, se joga pra trás. Eu e o Rô do lado, atônitos. Será dor de barriga? Mamãe faz massagem. Será dor de ouvido? Papai bate na madeira! Será calor? Neném pede pra ligar o "vrum" (apelido do ventilador). Meia hora de chororô, passeio pela casa, Gutão sem fôlego, rosto molhado, até que dorme outra vez. Eu fico ali, grudadinha nele, por mais meia hora. E volto pra cama pensando e pensando e pensando.

Acho mesmo que a alegria do primeiro dia na escola, a overdose de perguntas da mamãe, do papai, dos avós, a nossa insistência em celebrar, provocou pesadelo. Muita areia prum caminhãozinho só. E Gutão extravazou inconscientemente. Chorou no sono. Mas, graças a Deus, acordou tranquilo e sorrindo pra escola mais uma vez.
E lá fomos nós, de novo, os três. (Aliás, preciso registrar: não é de hoje que o Rô tem se revelado um paizão. Desde sempre trocou fralda, deu banho, enfrentou careta pra dar de comer, enfim. Nessa nova etapa, no entanto, tem se mostrado ainda mais presente, interessado. Inteiro. Obrigada, meu amor. Eu e Gutão precisamos muito do teu sorriso por perto!!!!!!) A escola hoje parecia menos tumultuada. Crianças brincando no pátio, alguns pais e mães ali por perto, outros mais escondidos.

Gutão foi, de novo, direto no tanque de areia azul. Eu e o Rô sentamos num banquinho próximo. E demos muita risada com a cena:
Eric, o amiguinho do prédio, todo empolgado com os baldinhos. Vem uma menina espoleta, de maria-chiquinha e cachos dourados, Thaís, e tenta roubar um brinquedo da mão dele. Os dois começam a gritar enlouquecidamente. A menina leva vantagem e sai correndo na direção do Gutão, que estava atrás dos dois, concentrando em catar um brinquedo pra ele. Quando vê aquele furacão e ouve os berros do amigo, Gutão não tem dúvida: joga o que tinha na mão dentro de um pneu ou coisa parecida que estava ali por perto! Foi tipo assim: "não tenho nada a ver com isso", sabe? A gente deu muita risada! A menina saiu rindo, o Eric logo mudou de assunto e meu Gutão, tranquilão, foi incomodar a tartaruga.

Hoje a hora do lanche foi mais organizada. Sem os pais pra bagunçar um momento que é só deles, os pequenos se saíram muito bem. Gutão até sentou com os amiguinhos, mas logo escapou da mesa coletiva, mais uma vez. E foi tomar suco sentado no pátio, fazendo carinho na Fifi, e recebendo melão na boca pelas mãos da tia Karla. Um amor, a professora. Morena, cabelos compridos, sempre sorridente, a paciência em pessoa. Pancinha cheia, nenéns foram brincar na salinha de brinquedo. É assim: as turminhas de crianças menores não têm sala própria. Vão fazendo rodízio pelas diversas salinhas da escola, de acordo com a brincadeira da vez. Quando uma turma está no pátio, outra está fazendo música, por exemplo. Enquanto uma turma está nos brinquedos, a outra vai pra salinha do lanche. E assim o dia passa. Depressa e cheio de novidades.

Gutão adorou a sala de brinquedos, cheia de carrinhos, motoquinhas, telefoninhos e coisinhas bonitinhas assim. Ficou de um carrinho pro outro, e eu e o Rô espiando, escondidos atrás da parede. Filhote foi no colo da tia, falou no telefone, brincou e brincou. Nós, os pais babões, passamos a maior parte do tempo longe dele. Num espaço na entrada da escola, onde é feita a despedida do dia. Estavam lá meia dúzia de pais babões como nós. E eu fiquei bem feliz em ver que os pais, sim, os homens, estão presentes também. Todos nós, ali, com o coração meio na mão, curiosos pra saber o que cada um dos filhotes estava fazendo, como estava se sentindo, se sentia nossa falta, se chamava nosso nome. Volta e meia, vinha um choro lá longe. E, em seguida, aparecia uma tia com um nenê no colo, mostrando a ele que o papai ou a mamãe, ou os dois, estavam ali, tá vendo? Trocamos impressões sobre o primeiro dia de escola e, para meu conforto, muitas contaram que a noite de ontem em casa também foi agitada.

Me despedi do meu Gutão às 10 e pouquinho. Compromisso no trabalho. Gutão abriu um sorrisão, me fez festa e foi tomar água com a tia Karla. O Rô ficou. Esperou filhote até a hora da saída, por volta do meio-dia. Contou que Gutão, a certa altura, o viu e acho que lembrou da mamãe, e chorou um tantinho. Mas logo passou e foi brincar de massinha com os amiguinhos.
Ai, fico assim dividida: feliz por essa separação saudável e agoniada por não poder ficar lá, o tempo todo, todo tempo. Mesmo escondidinha. No fundo, tou ausente só de corpo físico. Minha cabeça, meu coração, ficam sempre pertinho do meu Gutão. Espero mesmo que ele saiba disso.


posted by JULIANA DE MARI 11:13 PM


Quarta-feira, Fevereiro 01, 2006


A primeira vez a gente nunca esquece


Vai ser difícil esquecer a felicidade que senti essa manhã. Por si só, Gutão em seu primeiro dia na escola, já seria um grande acontecimento. Do jeito que aconteceu, então, me fez grudar um sorriso no rosto e passar o dia agradecendo à vida viver.
Foi assim: acordamos às sete. Eu e o Rô, brigando com o relógio, ansiosos pra não chegar atrasados na escola. O Rô, preciso registrar, parecendo, ele, o iniciante. Eu tava ansiosa, claro, mas algo me dizia que ia ser legal, que Gutão, mais uma vez, ia nos dar lição. E deu.

Chegamos à escola festejando. Passamos a semana nesse clima, aliás. Preparando Gutão para o grande dia, falando da escola com alegria, contando todas as coisas boas que ele vai vivenciar daqui pra frente, os amigos, as brincadeiras, o aprendizado. Ele ganhou um livreto com desenhos pra colorir que mostram os ambientes da escola, a tartaruga Fifi, a Branca de Neve e os sete anões do pátio. E coloriu um bocado. Do jeito rabiscado dele, desenhando fuscas e gatinhos imaginários.
Não deu pra estrear o uniforme hoje. Deixamos pra comprar na última hora e não havia mais pra pronta-entrega. Encomendei a farda de verão e de inverno e também etiquetas adesivas com o nome dele. Mas Gutão foi à escola trajado nos tons corretos: camisa pólo manga longa azul clara e short azul escuro, meias brancas e tênis. Cabeleira encaracolada, carinha de sono, olhinhos curiosos. Adentramos o pátio pouco mais de oito e meia da manhã, atraso mais que permitido nessa estréia. Gutão chegou falante, gritando "êba, escola, êba, escola". Chegou mansinho, com aquele jeitinho calmo que só ele tem, observando tudo, olhando todos. E eram tantos os pequenos! Só na turminha dele serão 13, uma professora e duas assistentes pra dar conta de tanta demanda!

Gutão deu sorriso quando viu a areia azul. E largou da gente. E foi com a "tia Karla", a professora, brincar. Ficamos, eu e o Rô, máquina fotográfica a postos, registrando esse encantamento. Gutão brincou e brincou. E saiu do tanque de areia direto pro banheiro pequeninho. Foi com a assistente Verônica lavar a boca. Abriu bocão de jacaré, nem reclamou. Eu e o Rô, hilários, escondidos atrás da parede, tirando mil e uma fotos, com medo de estragar a espontaneidade dele com a luz estouradaça do flash.
Vez por outra, Gutão levantava o olhar e procurava o nosso. E sorria quando nos encontrava. E continuava brincando. Ficou doido com a tartaruga. Queria fazer carinho na cabeça dela a todo custo. A coitada, assustada, se escondia toda. E Gutão sacudia o casco. E eu dizia: "filho, faz devagar, faz com carinho". E ele repetia o que eu dizia. E até tentava -- mas a Fifi recuava. A certa altura, quando dei por mim, a bichinha tava lá, tentando se metamorfosear entre as plantas do jardim!! E Gutão, indignado: "cadê a tuluga?". :-)

Chegou a hora do lanche, aqueles cotocos curiosos se amontoando na salinha coletiva. E quem disse que queriam saber de comer? Gutão mesmo só tomou o suco de goiaba e priu. Nem tocou nos biscoitos, muito menos na pêra. Repetia, agoniado: "qué sai, qué sai". E saiu. E voltou pro pátio pra "girá" no carrossel. (Eu adoro carrossel. Tem cheiro de infância). Gutão girou e girou e sorriu e bateu tanto os pezinhos. Feliz.
E fez amigos. Amigas, na verdade. Mariana, uma pequena de cabelinho liso feito Aritana, e Maria Eliza, morenaça de praia, doida pra ficar só de calcinha, livre e sorridente. Não notou muito a presença do amiguinho do prédio, o Eric, que também não deu muita bola pra ele, verdade seja dita. E fomos ficando até às 10h e pouco. E bateu a hora de vir trabalhar. E, fato inédito, Gutão não queria ir embora da escola!!!!!! A gente explicava que tinha que ir embora (as professoras recomendam uma adaptação gradativa nesses primeiros dias), que o papai e a mamãe iam trabalhar e ele segurava firme no brinquedo e dizia: "qué ficá".
Foi assim, foi uma alegria. Pra nós e, acredito, pra ele. E amanhã tem mais. Gutão do jeitinho dele, tranquilinho, pelo visto, vai se adaptar antes do que a gente imaginava.

Eu fico mesmo aliviada. Sei que meu menino é carne minha, mas filho do mundo. E fico feliz quando percebo que ele, cuidadoso e no tempo dele, se sente suficientemente seguro pra se soltar. E aí ganho fôlego pra me soltar também. Gutão nem desconfia, mas me faz renascer a cada descoberta dele.
Chorei de felicidade a caminho do trabalho. Me sinto realmente feliz por ser mãe. Dele.

E o mundo gira e meu Gutão cresce.
Te amo, do tamanho do mundoooooooooooooooooooo!
posted by JULIANA DE MARI 7:40 PM


This page is powered by Blogger. Isn't yours?